Pergunta de final de semana: Eu não preciso de ninguém para me representar. E você?

Este não é um texto político, apesar da minha visão mais liberal, mas sim uma leitura de um analista tentando entender as forças envolvidas no cenário. Acredito que as instituições devem se atualizar para continuar tendo o valor que devem ter para a sociedade. A greve geral anunciada para a ultima quinta-feira foi um fracasso na minha opinião. Só existiu alguma coisa que vale uma nota no jornal por algumas razões: (a) o comércio ficou com medo que fosse acontecer algo, principalmente as quebradeiras, saques e vandalismos, e fechou as portas; (b) as empresas de ônibus que vem sofrendo ataques contínuos, tanto ao patrimônio deles quanto na redução do valor cobrado, adere a paralisação (em alguns locais); (c) e as centrais (sindicatos) bloqueiam as estradas, impedindo os que vão por conta própria de ir trabalhar; (d) somado a isso, alguns que resolvem fazer dos limões uma limonada e fazem um feriado.

Mas por que nesta greve geral alguns poucos marcharam pelas ruas e poucas semanas atrás milhares ou dezenas de milhares marcharam pelas mesmas reinvindicações, basicamente? Como já apurado por pesquisa, a classe média brasileira marchou nas semanas anteriores. Não havia uma modelagem central, nuclear, com uma voz de comando. Não haviam partes interessadas. Era sim a minha causa. Eu me represento e junto com os milhares de outros, começamos a formar uma frente de protesto. Muito diferente da greve geral, onde existe um núcleo organizador, que tem interesses financeiros em mostrar força e mobilização, e diz a hora, a pauta e o que será feito, para aqueles que ainda estão dependendo de alguém para representa-los.

Enfim, as pautas são válidas, sejam elas gritadas ao vento ou seguindo um “líder” com um megafone. Modelos diferentes que se chocam. Um bem típico das gerações atuais, que não valorizam hierarquia, processos rígidos e falta de criatividade. E o outro modelo típico das décadas posteriores a Revolução Industrial, em um mundo previsível, matemático, repetitivo e de energia muscular em evidência. No primeiro, eu represento a mim mesmo. Faço a minha passeata individual onde milhares se juntaram voluntariamente. Casualmente, muitas pensam iguais, e o coro começa a engrossar. No segundo modelo ele é “convidado” a participar, a defender os seus direitos, onde a pauta está definida. Você só precisa estar no local e horário determinado e pegar uma ponta da faixa. Depois é só marchar ao comando do megafone. E se for um bom manifestante, aprende rápido os versinhos e gritos de guerra.

Tem lugar para todos se acharem, mas parece que um dos modelos está vencendo.

Desta forma, a pergunta de final de semana é: Você se representa ou tem um representante? Qual a sua causa?

Pense nisso! Da próxima vez que você decidir se envolver em uma manifestação avalie se está fazendo por que você acredita na causa ou se é por outra razão, talvez outra pessoa.

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

 

Pergunta de final de semana: Eu não preciso de ninguém para me representar. E você?

Líderes são aqueles que fazem o que falam

Já se passaram 3 anos daquele julho de 2010 na África do Sul. Naquele dia, a seleção brasileira, com boa campanha, mas com sérias desconfianças, caía fora da Copa do Mundo diante de uma Holanda (sempre ela) veloz e arisca. Dos méritos maiores daquele grupo, destacava-se a união entre comandante e comandados. Dunga tinha os jogadores na mão por ser um líder que protegia aqueles em que confiava. Ao apito do juiz, o mesmo virou-se de costas e caminhou ligeiramente para o vestiário, abandonando seu grupo no gramado após a eliminação. Um ato totalmente contrário às virtudes que autoproclamava a todos.

De discursos estamos lotados. Sobretudo daqueles politicamente corretos, cheios de ensinamentos e lições, do que podemos e devemos fazer em momentos específicos. Líderes e gurus que têm palavras sábias e certas para nossos ouvidos. Talvez a classe mais prolixa nesta linha de falar a coisa certa, sejam os políticos. Sobretudo em eleições, encaixam frases que são a expressão do desejo das pessoas. Dizem ser contra a corrupção e pelo bom investimento do dinheiro público. Esse distanciamento entre o que dizem e o que fazem, foi em grande parte estopim para grandes manifestações que felizmente sacodem o Brasil nas últimas semanas.

 

Os verdadeiros líderes são os que fazem exatamente aquilo que dizem. Não vivem nos discursos vazios e nas ações opostas ou difusas daquilo que propõem. Estão presentes junto dos seus liderados. Um fato marcante da Primeira Guerra Mundial foram os “marechais de chateau”. Até então, todos grandes conflitos e batalhas envolviam comandantes lutando junto nos campos de batalha. Mas neste momento da história, os líderes das tropas em guerra se instalaram em grandes casas alugadas na Europa para comandar os movimentos, distantes centenas de quilômetros de onde as ações ocorriam. A Primeira Guerra foi arrastada, cruel e com muitos homens desistindo de lutar, talvez motivados pela falta de sentido e da ausência de líderes verdadeiros ao seu lado.

Alan Deutschman destaca em seu best-seller Walk the Walk uma série de fatos nos quais líderes e liderados estão em total dissintonia. Ou seja, não existe nenhum tipo de motivo para seguir ou lutar pelas palavras ensinadas. Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, defendia políticas ambientalmente sustentáveis, mas estacionava em sua garagem particular uma frota dos insustentáveis Hummers. Al Gore conscientizou o mundo do colapso ambiental, porém montou uma mansão que sugava energia em uma proporção gigantesca comparável à média americana.

Pessoas não trabalham para empresas ou governos. Pessoas trabalham para pessoas. Ou seja, é preciso ver ações e práticas que devemos ter para chegar aos objetivos que gostaríamos de alcançar. Os CEOs das grandes montadoras e dos bancos norte-americanas continuaram vivendo no mundo de fantasia dos jatos privados e dos bônus milionários, mesmo quando suas companhias sucumbiram. Do mesmo modo, os mandatários públicos no Brasil continuam gastando como nunca em caprichos particulares, ao mesmo tempo em que alegam ser hora de apertar despesas, inclusive não terminando obras e mantendo serviços essenciais em nível deplorável. Depois não vale reclamar da insatisfação nem da descrença, tentando consertar com novos discursos requentados. A única coisa que pode realmente fazer sentido para as pessoas é mudar, não as palavras, mas as ações efetivas. Serve para técnicos de futebol, políticos, CEOs e para você mesmo.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Líderes são aqueles que fazem o que falam