Para você que está chegando agora, aquele abraço!

O que é preciso para uma marca sair do limbo e ser respeitada? Como chegar ao ponto da virada? Propaganda e dinheiro podem colocar a marca em evidencia, mas não podem mante-la por muito tempo no topo apenas contando mentiras. Posso citar duas marcas que saíram do terceiro mundo publicitário para prosperar frente as mais conceituadas marcas dentro do segmento de moda: Colcci e Havaianas. Ok, eu sei que são cases batidos, mas não tem exemplo melhor para este texto em questão.

A Colcci, fundada em 1986, era uma marca de vestuário básico que promoveu uma guinada no seu modelo de negocio no final da década de 90, exigindo dela um tempo de adaptação para entender os novos objetivos, amadurecer e conseguir transmitir isso ao consumidor. Hoje desfila nas principais semanas de moda.

As Havaianas, lançadas no começo dos anos 60, eram tidas como “chinelo de pedreiro”. Eram massivamente consumidas pelas classes mais pobres da população e em uma das reviravoltas mais discutidas no mundo dos negócios é hoje um case de sucesso e artigo de moda, inclusive no pé de celebridades internacionais.

Agora a questão é como fazer um país mudar sua imagem e sua “marca” perante o resto do mundo como foi o caso das marcas Havaianas e Colcci no mundo dos negócios?

Como exemplo de país que conseguiu mudar sua imagem me vem à cabeça Coreia do Sul. Marcada por uma guerra sangrenta na década de 50 e por movimentos estudantis nos anos 60 que culminaram em uma instabilidade política que perdurou até o final dos anos 80 obteve um crescimento rápido até a crise asiática de 1997. O país, mesmo afetado pela crise, conseguiu manter o ritmo investindo pesado em educação e hoje é referencia nessa área e reconhecido pelas Nações Unidas como um dois países mais desenvolvidos do mundo.

E pensar que algum tempo atrás uma ala do estádio Beira Rio que era destinada as pessoas mais pobres era chamada de “Coreia”.

 

E agora Brasil, como vai ser? Exemplos não nos faltam, só precisamos de iniciativa!

 

Até a próxima!

Johnny Mineiro

Empreendedor

http://www.facebook.com/johnny.mineiro

 

 

Para você que está chegando agora, aquele abraço!

É sustentável de verdade?!

Na perspectiva da empresa, a marca é seu principal elo com o mercado, é uma ferramenta que as organizações utilizam em suas estratégias para diferenciar a sua oferta. Com isso, é preciso que as marcas se reinventem e evoluam para se destacarem em meio a tantas outras.

Com a evolução de umas, outras passam a adotar as mesmas medidas e aquilo acaba se tornando não mais um diferencial, mas sim um atributo básico para alguém que deseja estar inserido no mercado e, principalmente, para os que desejam estar no topo. Foi isso que aconteceu com o assunto do momento: A SUSTENTABILIDADE. Continue reading “É sustentável de verdade?!”

É sustentável de verdade?!

"Vou para Flórida nas férias porque Porto de Galinhas está cheio de pobre"

As estatísticas não mentem. Seja qual fonte verificar. O milagre brasileiro em transportar milhões para o mercado de consumo aconteceu. Variações fora, calcula-se que entre 30 a 40 milhões de pessoas passaram a pertencer a classe média emergente entre 2005 e 2010. Curioso o termo emergente, definição que persegue nosso país algumas décadas. Mas isto deixamos para o futuro contar. Trabalho, renda e consumo. O aquecimento econômico, motivado por diversos fatores, dragou trabalhadores de todos os cantos que com dinheiro nas carteiras passaram a frequentar os checkouts de forma assídua. Luiza, Bahia, CVC, Gol, Boticário, Grendene, entre tantos agradecem. De um grande país para um grande mercado. O sonho de consumo de compradores e vendedores.

Interessante por outro lado observar que a mesma esfuziante saudação por estarmos vendendo mais sorvete, passagens aéreas e LCDs esbarre no comentário seguinte daquele mesmo empresário. Prefere ir para os EUA porque não se enxerga mais em seu país. Em recente entrevista, o jornalista Laurentino Gomes (dos sucessos 1808 e 1822) comentou sobre nossa ausente identidade nacional. Do lado das classes do andar de baixo, apenas momentos especiais vinculados a conquistas esportivas ou eventos como o Carnaval despertam este sentimento. No pessoal do andar de cima, nem isso. Precisam de uma Estátua da Liberdade na Barra e de condomínios com nomes como Versailles e 5th Avenue para mostrar suas reais identificações. O último censo do IBGE mostrou um pouco disso. Os bairros de metro quadrado mais alto eram os mais inacessíveis para a pesquisa. Talvez essa gente pense que não mora mais neste país, então para que constar na estatística?

Assim como empresas precisam de alinhamento de negócio e marca, promessa e entrega, coerência entre público interno e externo; países também devem ter primeiro essa formação nacional. A crença de quem somos para depois convencermos os outros. Os primeiros emissores da marca somos nós próprios. Além do mais, posicionamento de lugares não serve apenas para atrair turistas. Tem o poder de atrair capital em investimentos diretos. Existe inclusive um índice chamado de Country Brand Index, pontuando uma série de áreas (conhecimento, familiaridade, associações, preferência, consideração, decisão e defesa). Neste ranking de 2010, liderado pelo Canadá, o Brasil ocupa a 41ª posição (caímos 6 posições em relação a 2009), atrás de Índia, Argentina e Chile, por exemplo.

Existe um outro emissor muito forte comunicando as marcas dos países. A indústria da cultura auxilia a disseminar ideias, conceitos e preconceitos. Durante muitos anos, Crocodilo Dundee ajudou a vender Austrália. Ainda hoje é um destino jovem para quem procura aventura. Já a Eslováquia foi ‘premiada’ com O Albergue, e por mais que o filme mostrasse um lado sinistro, trash e violento, o impacto imediato foi de crescimento de curiosos turistas, além da abertura de diversos albergues em Bratislava. A Holanda, por mais que seu passado colonial negativo pudesse atrapalhar, tem uma imagem simpática, de moinhos, flores, bicicletas e de um sentimento de liberdade com menos limites. Mesmo que Hollywood nos tenha tratado de maneira estereotipada (quem viu o Miss Universo com Cláudia Leitte fazendo cover horroroso de Carmen Miranda sabe o que é isso), não serve como desculpa para desacertos de comunicação e imagem de marca. O vídeo abaixo da Islândia mostra como vender um destino insosso e secundário de maneira inusitada, divertida e inspiradora (após vê-lo, o país entra na sua lista de lugares a conhecer).

http://vimeo.com/12236680

É tema complexo criar identidade de marca e posicionamento de um país, já abordado nos posts Longe do Zumbido do Mundo e Posicionamento ao Sul. Como rankings diversos mostram, por mais que nossa economia seja a 7ª maior do mundo, em diversos indicadores estamos em posições de rebaixamento. A educação avança, mas temos uma questão cultural fortíssima envolvida. Viemos de um processo de exploração portuguesa. Não houve colonização. O objetivo sempre foi (e se olharmos com cuidado, continua sendo) extrair o mais rápido possível e levantar acampamento para voltar de onde viemos, o mundo desenvolvido. Reflete na marca Brasil e explica um pouco de nossa inconseqüência e despreocupação. O desapego nacional. O próximo avião para Flórida sempre estará disponível, isto se o aeroporto não estiver lotado de miseráveis de primeira viagem indo para Porto de Galinhas.

Felipe Schmitt Fleischer

@fsf11

Pensador Mercadológico

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"Vou para Flórida nas férias porque Porto de Galinhas está cheio de pobre"

A gritaria é mesmo tão alta assim?

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Nota do Publisher do Blog: Este é o primeiro texto de nosso novo Pensador Mercadológico. Alessandro Garcia é criativo na REDE106, agência do Grupo ABC, em São Paulo. Escritor e colunista de cultura no GloboOnline, é autor de “A sordidez das pequenas coisas” (Não Editora, 2010). Escreve em alessandrogarcia.com

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A gritaria é mesmo tão alta assim?

Você já viu isto: uma grife de bolsas e sapatos lança uma coleção de nome “Pelemania”, baseada em peles exóticas de animais, como raposas e coelhos. Logo se torna alvo de críticas ferrenhas no Facebook e Twitter, que questionam uma suposta postura ecológicamente incorreta por parte da empresa.

A marca não comprou a briga e rapidamente retirou a coleção. Não discutiu se quem criticava era público-alvo, ecologistas com conhecimento de causa, eco-chatos doidos por uma diatribe ou somente um bando interessado numa gritaria e em emplacar mais uma hashtag no Twitter. Enviou um comunicado oficial morno e pronto.

Este episódio aconteceu em abril de 2011. A empresa vai muito bem, obrigado. E é claro que todos sabem a que marca me refiro. Porque ela não desapareceu, controlou sua crise, embora possa ter levantado a questão: a retirada dos produtos era a atitude correta a ser tomada? É um questionamento que pode dar início a uma discussão gigantesca – principalmente por envolver aspectos tão frágeis e, contraditoriamente, sobre os quais todo mundo tem um opinião para dar: o politicamente correto e o ecologicamente sustentável, questões que são o calcanhar de Aquiles de milhares de empresa – mas que também encerra duas verdades incontestáveis:

1) A noção de que as empresas estão nuas e expostas diante do mercado e da sociedade é cada vez mais clara;
2) Ter uma resposta clara e rápida a uma possível crise é essencial. Mas ela deve ser cerceada pelas manifestações nas redes sociais?

Não precisamos ir muito longe para lembrar que a marca GAP enfrentou algo parecido nos Estados Unidos, quando sua nova identidade visual foi rechaçada. Não obstante o fato do seu novo projeto de marca ter sido um movimento equivocado, ela rapidamente capitulou aos protestos na internet e voltou atrás em sua decisão. E quantos eram gritando?

É fundamental estar atento ao que falam sobre sua marca na internet, isto ninguém discute. Mas não está havendo uma subserviência excessiva e automática ao menor grito de “fogo”? O incêndio é real ou só trote de um bando de moleques ligando para os bombeiros por diversão? A impressão que fica é que estratégias, planejamento de marca, ações, objetivos de longo prazo estão sendo jogados por terra à menor possibilidade de alguém “não ir com sua cara na internet”. Parece haver um sentimento exacerbado de intimidade e condescendência por tudo o que os “internautas” (típico termo usado por aqueles que continuam a considerar os usuários de internet – todos nós – um target à parte) estão manifestando, um medo de não agradar que acaba mudando rumos previamente estipulados e alterando de forma indelével a rota – e a imagem – de marcas.

Afinal, foi mesmo a grã-fina dos Jardins que protestou perante o uso de pele de raposas na coleção daquela marca a que nos referimos? Ou o moleque blogueiro com uma horda de followers, louco por um bom rebuliço?

Longe de mim desconsiderar a importância que as manifestações nas redes sociais exercem. Para o bem ou para o mal, elas são uma realidade, tornando cada vez mais factível inclusive a realização de causas de interesse público A discussão sobre o Metrô em Higienópolis, aqui em São Paulo, é um exemplo disto. O “Churrasco da Gente Diferenciada” surgiu com cara de galhofa, mas mobilizou uma discussão justa e realmente relevante.

Transparência, reciprocidade de comunicação, agilidade. Estão aí fundamentos maravilhosos possibilitados pelas redes sociais. O grande risco é quando se passa a gerenciar marcas levado pela ventania que sopra dos brados emitidos neste não-lugar por vezes assustador. Não se pode contentar a todos – o resultado de uma tentativa destas é uma marca cada vez mais desprovida de personalidade, imatura em sua comunicação e tão ansiosa para agradar como uma menina no seu primeiro dia na faculdade. “A obediência cega e servil é burra”, já afirmou Jaime Troiano no artigo As marcas diante das redes sociais.

A Teoria das Multidões é um princípio que deve ser levado em conta ao analisar manifestações virulentas na internet perante as marcas. O comportamento humano se modifica quando na companhia de um bando, em uma impulsão mútua numa direção que, em questão de minutos, amplifica uma voz uníssona (ainda mais se os componentes desta “voz” são quase anônimos, escondidos por trás de obscuros profiles), mas já não mais necessariamente movida pelo bom senso. Todos se deixam levar pela massa que comanda – e aí não importa se a massa já não pensa mais. Assim como a imprensa, fica cada vez mais claro que as redes sociais também são necessitadas de uma “agenda da mídia”: quem é a ovelha da vez pronta para ser dilacerada? Pode ser uma celebridade instantânea, um cantor sertanejo, um capítulo de novela. Ei, que tal aquela marca?

As redes sociais estão no jogo como mais uma ferramenta a auxiliar estudos de percepção de marcas, campanhas e ações. Um adendo rico a uma sólida estratégia de planejamento (isto quando uma ação nas redes sociais não for a estratégia em si, mas isto é outra história), devidamente interpretada por perspicazes planners e gestores na concepção de produtos e serviços. E quem confia na criatividade, solidez e pertinência do seu trabalho sabe diferenciar muito bem: afinal, é seu público que está gritando ou só uma horda de bárbaros sedenta por sangue?

Alessandro Garcia

www.alessandrogarcia.com

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A gritaria é mesmo tão alta assim?

"O cara que inventou a roda era um idiota. O cara que inventou as outras três é que foi um gênio."

O fracionamento dos processos e pensamentos leva a uma visão de que as empresas são um conjunto de departamentos. E que a soma deles deveria formar algum sentido. Será? Vejo especialistas em controladoria somente falar de números e pensar que pela demonstração financeira conseguem todas as respostas. Assim como analistas de marketing que fazem belos PowerPoints mas se arrepiam ao chegar perto de uma planilha para demonstrar os resultados que trarão.

Já assisti inúmeras apresentações enfadonhas, de consultores a gestores, tentando mostrar algo que pudesse remotamente motivar a equipe. O resultado como diria um professor de inglês: “Rubbish!” Em grande parte porque falham na sensibilização das pessoas. Não há conexões e a turma dorme no terceiro slide ou na quinta linha do emaranhado de células com números. Em suma, parte-se da ilusão que é possível  “programar” os funcionários jogando informação de forma lógica. Será?

Richard Conniff no excelente História Natural dos Ricos cita uma frase que diz que “somos todos o mesmo bicho, com ou sem os Cartier.” Alan Kay, executivo da HP aprofundou: “Se formos além da superfície numa típica reunião de Conselho de uma empresa, veremos que não passamos de homens das cavernas com pastas de executivo ansiosos por ouvir as histórias de alguém com algo inteligente a dizer.” As histórias nos envolvem e fazem acreditar (ou não) em um direcionamento. E isso é mais da metade do caminho: se convencer e acreditar que é possível.

Juntar as peças e contar uma história é fundamental para trazer as pessoas para seu lado. As metáforas e as analogias enriquecem as percepções. O high tech (sistemas, planilhas e seus afins) são importantes para a gestão, no entanto não são mais suficientes. Daniel Pink enfatiza isso nos termos high concept (a capacidade de criar beleza artística e emocional, combinar ideias para formar algo novo e conceber uma narrativa interessante) e high touch (criar laços de empatia, compreendendo as características humanas e buscar propósito e sentido).

Grande parte das marcas executa essas ações combinadas na construção de sentido e relacionamento com seu público. Na esfera dos esportes, conforme visto em Branding e Posicionamento de Marcas Esportivas, as marcas bem sucedidas contam com abordagens que envolvem os conceitos de Pink. A próxima vez que estiver responsável por conduzir pessoas e marcas lembre-se disso. Nas palavras de Sid Caesar, não esqueça as outras três rodas.

Felipe Schmitt Fleischer

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"O cara que inventou a roda era um idiota. O cara que inventou as outras três é que foi um gênio."

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 2

DICA DE GESTÃO 114 de 300: Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 2

Como visto em meu ultimo artigo, a parte introdutória desta sequência, existem muitas variáveis e situações envolvidas em um posicionamento de uma marca. Agora, neste artigo, veremos umas considerações sobre algumas técnicas normalmente utilizadas em pesquisas de mercado utilizando o framework de posicionamento, desenvolvido pela FOCAL Pesquisas. Para iniciar, vamos lembrar o famoso case da Coca-Cola e seu novo sabor, de 1985. Hoje percebe-se que foi um erro em se conseguir manter a relação estratégia – mente – mercado – marca, presente e alinhada. Tendo este case presente, Al Ries nos ensina que “marketing não é a batalha de produtos (sabor, por exemplo), é de percepção (mente – mercado – marca)”.

Desta forma, se a sua marca hoje existe no mercado, qual a imagem que ela possui? (lembre-se dos conceitos de posicionamento e imagem trabalhados no meu ultimo artigo). Quando realizamos estudos de mercado desta natureza, mergulhamos fundo, buscando entender esta imagem e como ela interfere nas relações de consumo existentes de todos os envolvidos com a marca. Ao final se define ou se redefine uma nova proposta de posicionamento, obedecendo e respeitando as associações existentes no mercado (desde que positivas e desejadas, obviamente). Entendam por associações tudo aquilo que já é dito pelo público consumidor e pelo público potencial a respeito de sua marca.

Agora, complementando o quadro conceitual, uma das melhores definições de posicionamento que gosto (além da que eu já resumi no último post) é a defesa de que posicionamento é um “processo, não um ato. É um processo de persuasão contínua, para encorajar o cliente a pensar de uma determinada maneira e não uma ação unilateral do profissional de marketing (UPSHAW, 1999)”. Os grandes passos de nosso framework nascem na teoria de KAPFERER, que diz que o posicionamento é um processo de 2 etapas, sendo elas:

  1. A definição da categoria no qual a marca será associada e comparada
  2. O estabelecimento do diferencial e vantagem competitiva da marca contra os seus concorrentes na categoria.

Parece fácil, mas existem muitas ferramentas e técnicas para se definir cientificamente estas posições. Pense em alguma reunião de planejamento estratégico que tenhas participado e lembre como deve ter sido difícil definirmos em consenso quem são os concorrentes das empresas de vocês. Alguns participantes podem ter achado que os concorrentes eram os X, Y e Z, concorrentes mais nobres, que atingem as consumidoras formadoras de opinião das classes sociais mais altas, por exemplo, de uma marca de moda feminina. Outros participantes podem também considerar que muitas outras marcas estão presentes neste grid, pois geralmente as encontram nos mesmos pontos de venda e as consumidoras normalmente também os pedem para experimentar, mesmo que o dono da empresa as considerem marcas bem mais populares. Lembre-se dos conceitos de posicionamento e imagem. Não são os concorrentes que nós queremos que concorrem conosco, e sim o que os consumidores desejam e usam.

Pois bem, tendo tudo isso, temos que definir a categoria na qual participamos (o primeiro dos itens acima apontados). Para isso costumo utilizar um segundo framework, chamado Cubo de Mercado (utilizamos a teoria básica de Magalhães e Sampaio, para o desenvolvimento e aplicação desta ferramenta).

Esta definição também se dá em duas partes, sendo elas:

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Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 2

Fãs em vez de clientes

Fãs se aglomeram por um autógrafo da atriz Kristen Stewart

Não existe palavra mais fria para denominar os consumidores de uma marca do que clientes. Marcas que tem clientes não tem seus consumidores envolvidos com elas. Clientes não defendem propostas e causas, e não promovem marcas, pois não são fiéis a elas. Clientes são oportunistas e querem benefícios, vantagens.

Então se alguma empresa deseja de fato construir uma marca, ela precisa entender que não pode tratar seus consumidores como clientes. Ela tem que dar algo a mais de si para torná-los fãs dela. Os fãs são seguidores, defensores e divulgadores de marcas. E esta é a maior força que uma empresa pode construir.

É verdade que existem casos de marcas dotadas de fãs que não sustentaram-se financeiramente, mas isto por culpa da má gestão e ainda assim a marca permaneceu viva.

O fato de uma marca ter obtido sucesso com a geração de fãs, não significa  que deva descuidar-se da sua gestão, e mesmo que esse descuido haja, os fãs poderão salvá-la ou ser a razão de um melhor caminho para ela. Veja o exemplo da Varig. A gestão mudou para a Gol, que comprou uma marca cheia de fãs impactados pela experiência Varig.

O grande desafio da Gol agora é manter o valor gerado por esta experiência em consumidores que estejam dispostos a pagar por ela. O presidente da Gol, Constantino Jr, já deu entrevistas dizendo que as pessoas não estão dispostas a pagar por este diferencial, ainda mais numa economia onde as classes C e D ganham espaço e o simples fato de poder viajar de avião já é um diferencial de impacto para estes novos usuários.

Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Data Popular, nos próximos 12 meses, cerca de 11 milhões de brasileiros deverão realizar sua primeira viagem de avião. De acordo com o estudo, 82% dos novos passageiros serão das classes C e D. É um público que provavelmente vai se tornar fã da Gol. Já a Varig foi reposicionada para vôos ao exterior em busca de fãs remanescentes e também de novos fãs.

O certo é que a Varig é um exemplo de marca que não morreu, ou podemos dizer assim, postergou o seu fim, se é que ela chegou ao fim, tudo isso, essa dúvida, essa icógnita, por causa dos seus fãs.

Outra marca que rodou na mão de algumas empresas pela força de seus fãs foi a simpática fabrica de sapatinhos Ortopé. Quem da geração X não tem na memória o jingle da marca? O fundador da indústria de calçados infantis,  nascida na cidade de Gramado, na serra gaúcha, foi até alvo de matéria jornalística no programa Fantástico, da rede Globo, por fuga da justiça para o exterior por sonegação de impostos.

Hoje um sólido grupo calçadista comprou a Ortopé e reiniciou a caminhada pela preservação dos fãs e em busca de novos. A força do passado é tanta que a campanha adotada pela nova gestora resgatou o mesmo Jingle: “Ortopé, Ortopé, tão bonitinho”. A idéia, claro, é resgatar os fãs.

Che Guevara tornou-se um ícone de liberdade, uma marca.Outro case é a imagem do Che Guevara. Muitas pessoas nem conhecem direito a história do guerrilheiro, mas são fãs do Che.

Ele  é um símbolo de luta pela libertação, sentimento muito comum no ser humano preso aos valores da sociedade contemporânea, da falta de tempo, de espaço, de liberdade, de conteúdo. Sua marca persiste, mesmo totalmente fora do contexto.

Eu não preciso citar aqui as bandas de Rock e artistas da música pop. Estes são uma indústria de fãs, dos mais conhecidos, como os Beatles, Michael Jackson e Madona, aos mais específicos que fizeram uma legião de fãs próprios, como o fenômeno americano Greateful Dead.

Estes exemplos explicam o surgimento dos fãs que resultam em marcas poderosas, e podemos citar também as sólidas do mercado de consumo como Nike, Coca-Cola, Louis Vutton, Prada, Diesel, entre outras, e os mais recentes fenômenos Apple e Google. A Apple antes de se tornar o que é, criou uma legião de fãs. Steve Jobs, seu fundador tornou-se também uma marca. Ele trouxe algo a mais para esta legião e também conquistou fãs.

Quando pensar em contruir uma marca, veja bem o que estes ícones fizeram e decida se quer ter clientes ou fãs. Suas atitudes e não sua vontade é que vão definir a sua escolha.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

@aryfilgueiras

Pensador Mercadológico

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Fãs em vez de clientes

Arquétipos das marcas e a relação com o consumidor: Entenda como os arquétipos podem ajudar a consolidar a sua marca

Carl Gustav Jung foi o primeiro pensador que estudou a fundo os arquétipos. Para este psicanalista eles fazem parte da estrutura da personalidade humana. Os arquétipos eram chamados por Jung de imagens primordiais, pois geralmente estão associados a temas mitológicos que aparecem em lendas populares e contos de culturas diferentes.

Você deve estar pensando o que isso tem a ver com as marcas?  Os arquétipos são o pulso de uma marca, transmitem significados específicos que podem ser estendidos até mesmo para os produtos. No livro O Herói e o Fora-da-Lei as autoras Margaret Mark e Carol S. Pearson nos convidam a pensar como uma marca pode inspirar e saciar o desejo dos consumidores em assumir papéis que são transmitidos por uma identidade de marca.

No livro as autoras abordam 4 grupos arquetípicos:

Grupo 1: Para marcas que oferecem ao consumidor a busca de realização e de uma vida ideal.

Inocente: Está associado aos prazeres simples e valores básicos. Este arquétipo é muito utilizado por marcas do segmento infantil, passando bondade, ingenuidade e inocência. Os consumidores deste arquétipo são tradicionais e procuram nas marcas valores centrais corretos e duradouros.

Explorador: Quer autenticidade e liberdade, para este arquétipo não existem fronteiras. Ele quer mesmo é experimentar. Um exemplo clássico deste arquétipo é a EcoEsport da Ford com a propaganda meu último dia de vida. Os consumidores deste arquétipo procuram produtos para uso na natureza e estrada.

Sábio: Este arquétipo está presente em marcas que estão ligadas as áreas de ensino, universidades, consultorias, empresas de pesquisa. As campanhas deste arquétipo são pensantes e instigantes. O consumidor deste arquétipo acompanha todas as informações disponíveis sobre a marca e gostam muito de aprender.

Grupo 2: Para marcas que querem deixar sua marca no mundo.

O Herói: Uma das características marcantes e presente neste arquétipo é a inovação. As marcas do herói também são líderes no seu segmento. Sua estratégia é se tornar forte e poderoso. Uma marca deste arquétipo é a Nike e o próprio slogan Just do It promove a atitude heróica do agir

O Fora-da-lei: As marcas fora-da-lei são reconhecidas por quebra de regras. Este arquétipo gosta de conteúdos que chocam e até mesmo perturbam. Um exemplo clássico deste arquétipo é a Harley Davidson.

O Mago: Sua promessa é a de transformação, transformar o consumidor através do uso de seus produtos/serviços. Encontramos marcas com este arquétipo no segmento de clínicas e de spas que trabalham com o espiritual e psicológico.

Grupo 3: Marcas com características de pertencimento a grupos ou necessidade de afiliação.

O Cara-Comum: O sentimento de pertencimento promove com facilidade o relacionamento com as marcas deste arquétipo. Este arquétipo é usado para marcas que estão presente em todas as partes. Exemplos: Nívea e Visa.

O Amante: Este arquétipo é muito utilizado em marcas de roupas femininas, calçados femininos e joalherias. Marcas deste arquétipo precisam fazer com que o consumidor se sinta especial, pois gostam de produtos únicos e feitos sob medida. A marca precisa promover a beleza e a intimidade.

Bobo-da-Corte: Marcas com este arquétipo tem como foco a diversão. O bobo-da-corte ama a alegria do marketing.

Grupo 4 – Marcas que dão estrutura ao mundo.

Prestativo: O marketing eficaz para os prestativos não enfatiza o zelo da marca, mas sim a preocupação do consumidor com os outros.  Este arquétipo está muito presente em ONG´s  e entidades sem fins lucrativos.

Criador: Neste arquétipo a inovação também está presente. Pertence ao campo do marketing, artes e tecnologia. Um case muito interessante deste arquétipo é a 3M com a inovação do Post it.

Governante: A base deste arquétipo é o poder, as marcas com este arquétipo estão no comando, no controle e são elitistas. Como exemplo temos as marcas IBM e American Express.

As grandes marcas utilizam o estudo dos arquétipos na sua comunicação buscando atrair consumidores que se identificam com estes arquétipos. E você já pensou nisto? Qual é o arquétipo da sua marca? Qual será a sua estratégia?

Lembre-se que uma marca arquetípica pode evocar experiências em um nível mais profundo da mente, ativando um senso de reconhecimento e significado a vida dos seus consumidores.

Bárbara Dresch

http://www.focal.com.br

Arquétipos das marcas e a relação com o consumidor: Entenda como os arquétipos podem ajudar a consolidar a sua marca