A soma de todas as nossas esperanças (e medos)

Depois de uma temporada assistindo a Fox News tenho a certeza que o mundo pode acabar em 24 horas. Isso se o super-herói norte-americano não agir mostrando sua força seja por drones bombardeando o inimigo ou forças delta realizando missões impossíveis de resgate. Este é o cenário construído no qual nossos governantes são zeladores de nossa segurança à prova de ameaças que mal conhecemos ou podemos entender.


O ser humano entre seus medos, tem a incerteza como um dos mais temidos. Tudo aquilo que não conhecemos nos assusta. Desde a reação daquele mulher no primeiro encontro até a compra de um produto nunca testado. Neste cenário, as primeiras marcas surgiram para dar um selo de “já vi isto antes e funciona” ou “conheço quem fabrica e ele é confável”. Assim o poder das marcas balançou do varejo para o produto, depois para o varejo de novo e agora busca um novo equilíbrio.

Medo e decisões sempre estiverem muito conectadas entre si.  Na política não é muito diferente. Antes defensores de ideais que inspiravam as pessoas, os líderes políticos definharam com a morte de muitos desses ideais ao longo do século 20. Para não se tornarem meros administradores de contas, a questão da segurança, com seu mais recente inimigo na forma do terrorismo internacional, passou a ser o motivo central de sua existência. Nosso guardião contra as piores ameaças que podem atingir nossas vidas. Algumas delas, criadas como fantasmas de fumaça como documentário da BBC The Power of Nighmares desvenda.

Do lado da marcas, quando tudo começou a parecer igual e cinza, os selos de “já vi” e “funciona” viraram comuns, era preciso criar uma nova ligação com as pessoas em troca da morte iminente. Numa escolha semelhante aos políticos, as marcas viraram defensoras de ideais. No entanto, se na política eles praticamente morreram junto com os sonhos, no branding eles brotaram com profusão nos últimos anos.  Martin Luther King foi substituído pelo sabão em pó Tide. 

Por que você existe? O que pode fazer por mim? As perguntas que precisam de respostas imediatas para marcas e políticos sob pena de decretar a morte de ambos. Cada qual encontrou as suas para a ocasião. De um lado, a soma de todos os nossos medos, de outro, a soma de todas as nossas esperanças. Quando estas morrerem, seguramente as marcas irão se deparar com o mesmo dilema dos líderes políticos e, possivelmente, terão que criar seus próprios fantasmas de fumaça para justificar sua existência.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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A soma de todas as nossas esperanças (e medos)

Uma vida de UTI – Parte 1

Suspeito que a cada dia que uma pessoa passe na UTI envelheça sete. Para os familiares mais próximos, para cada visita, três dias de envelhecimento, com angústias, preocupações e dúvidas sobre o futuro. Ou melhor dizendo, o dia seguinte, pois ‘futuro’ em UTI é algo muito distante. Vai se vivendo, dia após dia, em uma aflitiva roda de minutos.

São 30 minutos de visita, cronometrados, duas vezes por dia. Antes de a porta se abrir eu percebo nos olhos das pessoas, ricas ou pobres, novas ou com mais idade, algo que talvez um peão de rodeio sinta ao sentar em um touro gigante para ficar alguns segundos em cima. Naquele pouco tempo antes que a “jaula” se abra, você sente o cheiro da borda da vida.  O horário de visita inicia e uma enfermeira com uma prancheta toma a frente da porta. Em uma folha, constam as pessoas que conseguiram viver por mais um dia. São chamadas em ordem crescente de número de leito. Você sabe que o seu familiar está no leito 18 e por uma razão que você não quer identificar, fecha os olhos e espera que aquele nome conhecido seja lido após o leito 17. Ufa, ela está viva!

Passo nos portões que separam os “comuns” dos “super-médicos”, aqueles com poderes para salvar. Assim que tento entende-los. Assim que minha esperança os reconhece. Os visitantes formam uma fila para a higiene das mãos. Olho um por um, reparando como lavam as mãos, pois sou o leito 18 e só tem uma torneira. Nunca tinha visto um rigor tão grande com a higiene. Cada milímetro é ensaboado, uma, duas, três vezes. Ao final, uma solução antibacteriana e está pronto. Colocar o roupão e as luvas de látex.

Todas as pessoas-visitantes chegam nos seus familiares e as reações são sempre comoventes, pois UTI ninguém está muito bem. Como muitas vezes a minha mãe está dormindo, sedada, fico fazendo um carinho em sua cabeça e observando o que acontece nos outros leitos. Neste momento parece que o medo vai embora. As emoções são de atenção, carinho, amor, compaixão, perdão e aproximação. Retirando todo o contexto da situação é uma cena mais bonita que outra. Não existe o ser belo, ser rico, ser popular ou ser inteligente. Só existe o ser vivo.

De repente a enfermeira avisa com jeito que o tempo de visitas acabou. Eu olho para a minha mãe e parece que ela quer me dizer algo. Parece que sente que vou embora, mas não ouço nenhuma palavra. Quando saio por aquela porta parece que o medo ficou me esperando e me abraça. Saio andando de mãos com ele, por mais que eu tente ser positivo, otimista e crente no sucesso. Olho no relógio e começo a contar 24 horas, até a próxima visita, onde novamente o ciclo se repete e por 30 minutos eu deixo o medo do lado de fora.

Viva a vida com intensidade! Um por cento melhor a cada dia, todo dia!

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=878051

Uma vida de UTI – Parte 1

Você está preparado para trair?

A notícia não sai das manchetes dos jornais. Um jovem funcionário norte-americano, a serviço dos mais aparelhados órgãos de informação do mundo, entre eles a NSA e a CIA, resolve abrir os segredos pelos quais deveria zelar. Expõem ao mundo o que o governo faz com seus cidadãos em nome da segurança dos próprios. E agora, como consequência dos seus atos, irá receber o tratamento judicial reservado aos traidores.

Ok, mas o que isso tem a ver com você? Talvez um detalhe por trás desse episódio. Por mais nobre e midiático que seja o fato de contar aos jornais tudo que se sabe, antes dessa decisão, veio o desejo de parar com tudo. Rasgar juramentos, eliminar sigilos e ignorar por completo as regras do jogo da espionagem. Este processo anterior pode ter consumido dias, meses, talvez anos da vida deste jovem.

Em algum momento da trajetória profissional, em uma manhã qualquer ou em um final de tarde cansativo, a ideia de desistir pode aparecer. Talvez de forma sorrateira, gradual e que ao longo do tempo toma forma suficiente para se tornar praticamente impossível demovê-la de seu lugar. Alguns continuam, colocam o monstro em uma jaula e pensam tê-lo domado. Invariavelmente usam o dinheiro como forma de adestramento.

Henry Miller disse certa vez que o dinheiro é uma desculpa muito fraca para justificar nossos atos, sejam pessoais ou profissionais. Ele prometia oferecer todo dinheiro do mundo e perguntar novamente a um vendedor porque ele oferecia aquelas coisas. Ninguém precisa fazer nada por dinheiro. Todo sujeito que se recusa a agir apenas guiado pela necessidade de ganhar a vida, quebra mais um dente do processo automático da sociedade.

Agentes de inteligência, estudantes universitários, empresários, publicitários. Quantos acordam pela manhã ouvindo conversas que não deveriam ouvir, estudando matérias que não queriam passar perto, gerindo negócios que não acreditam nem um pouco, vendendo marcas que não deveriam ser vendidas? Muitos. Quantos irão despertar para traírem o automatismo de suas vidas? Poucos. Possivelmente sintoma do receio de uma sentença cruel, talvez semelhante a que espera o agente que revelou os segredos da espionagem. Sabe lá. Fato é que continuarão vivendo em total sintonia com a falsa necessidade de fazer o que não tem que fazer.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Você está preparado para trair?

Pergunta de final de semana: Será que hoje é um bom começo?

Somos criativos e temos muitas ideias. Mas temos medos também. Medo de fracassar em nossos projetos e ser socialmente reconhecido por isso, seja na empresa, com os amigos ou na sociedade como um todo, dependendo do porte e impacto do projeto. Mas creio que o maior medo seja o do fracasso pessoal. Você sonhou, imaginou como seria ter conquistado o sucesso, mas também imaginou o que seria se não alcançasse o cume nesta empreitada. Nesta balança de sentimentos, e com nossa capacidade de imaginar sempre o mais negativo com mais nitidez e impacto, paralisamos. Preferimos a certeza de alcançar a vitória nos sonhos do que o fracasso muitas vezes natural de quem corre riscos e se “aventura” em novos projetos.

Desta forma, a pergunta de final de semana é: Será que hoje é um bom começo? Até quando você irá esperar para colocar em prática o que sonhou fazer, seja na vida pessoal ou profissional?

Pense nisso! Da próxima vez que você estiver pensando em seus projetos-sonhos, pergunte quando você irá iniciar ou o que irá começar amanhã que irá lhe aproximar mais dos seus sonhos. Ande um passo a cada vez e o sonho se aproximará de você. Logo você terá conquistado confiança suficiente para dar uma corrida em direção ao que busca. Mas comece hoje.

Bom final de semana e comece algo.

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

 

Fontes:

Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1064362

Pergunta de final de semana: Será que hoje é um bom começo?

Se na vida o medo vencesse, a fila da montanha russa estaria sempre vazia

Em inúmeras situações de decisão, as pessoas costumam avaliar os impactos de cada caminho. Uma parte deles, de acordo com o nível de conhecimento, é totalmente hipotética. E invariavelmente existe a dúvida entre risco e incerteza. Enquanto o primeiro pode ser medido, a segunda é um grande ponto de interrogação. Riscos e incertezas presentes provocam medo. E medo geralmente trava o processo de decisão. Já diziam que quando ele avança, a lógica recua.

Muita gente por aí está perdida. Daquelas em que a quantidade de contas a pagar é muito maior que auto-estima. Da mesma maneira, algumas marcas estão na mesma situação. As apostas a frente parecem altas demais. Mais fácil ficar no meio. Pois apesar de toda mediocridade em que vivem, não sabem o que lhe espera se fizessem diferente. Tem medo de dar certo pelo receio de errar.

Houve um tempo em que as marcas podiam repousar sobre diferenciais consistentes e sustentáveis sobre seus concorrentes. Mas este tempo ficou para trás. Hoje temos abundância de oferta e produtores cada vez mais especialistas em derrubar custos constantemente. O atual mundo das marcas obriga aquelas que querem sucesso e interesse por parte dos seus clientes não apenas serem diferentes, porém manterem-se diferentes. E isso envolve uma capacidade de movimento, adaptação e liderança de mercado.

Em outras palavras falamos de inovação. Não há luta ganha. As marcas de sucesso e que passam no teste do tempo estão dispostas a continuar lutando. Em gestão de marcas não há linhas de chegada. E quando falamos de inovação não ficamos restritos a produtos ou serviços novos. Pense em Axe e Red Bull, duas marcas  extremamente inovadoras em desodorantes e energéticos. Ações ousadas, provocativas e que dão energia ao seu relacionamento com seus mercados.

Os inovadores são como pioneiros. Chegam antes em um lugar que ninguém esteve. Ou seja, não há mapas que demarquem os perigos existentes. Este é seu ônus: desbravar e ser algumas vezes surpreendidos por perigos e reveses. Até que conquistem o espaço e a partir daí os seguidores vendo segurança, rumem para lá também. E este é o sinal para levantar novamente acampamento e partir para a próxima fronteira de mercado.

O momento é de superação do medo. Mova sua marca e surpreenda o mercado. Crie significado e relacionamento com os consumidores através da inovação. Não deixe sua marca perder diversas oportunidades pelo medo de ousar e dar certo. Não sofra da paralisia diante de obstáculos e não renuncie ao sucesso. Quando desafiamos a montanha russa do mercado, o prazer da vitória é muito mais recompensador e memorável do que a segurança de quem ficou lá embaixo.

 

Obs 1: Este será o tema do painel da SPR no Congresso de Marketing da Feevale.

Obs 2: Ficarei algum tempo distante do blog. Estarei dentro do carrinho da montanha russa.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Se na vida o medo vencesse, a fila da montanha russa estaria sempre vazia

Abra seu negócio e fique rico. Saiba como!

Todo negócio de sucesso requer certa dose de loucura. E todo empreendedor necessita ser um pouco louco. Você já deve ter visto várias situações em que a audiência exclama: “Mas que coisa de maluco! Por que fazem isso?” São os caras que vão para as bordas dos esportes, das artes e dos negócios. Arriscam pois sabem que é assim que se cria o novo. A diferença. E ficar parado pode ser mais perigoso do que a própria decisão em si.

Nesta profusão de alternativas, muitos tem medo de dar errado (e certo talvez). Mesmo que o erro possa ser um melhor conselheiro do que aquele colega de trabalho disfarçado de amigo. Pior ainda quando tem ao seu lado algum articulado incompetente. Teses saírão em profusão, mas sem qualquer resultado importante.

Em recente estudo de Kelly E. See (New York University), Elizabeth Wolfe Morrison (New York University), Naomi B. Rothman (Lehigh University), e Jack B. Soll (Duke University) demonstrou-se que gestores com poder são mais reticentes a tomar conselhos de outros. Grande parte pelo alto nível de confiança em si próprios que dispensaria a necessidade de incorporar visões externas. Combinação que aumenta o risco de decisões falhas. Talvez um outro subproduto do medo, não compartilhar informações para não perder poder. As histórias corporativas (e seus fracassos) contam diversos capítulos assim.

No livro Rework, os autores Jason Fried e David Hanson defendem que todo planejamento é um achismo. Polêmica bonita para quem cultua essa ferramenta. Não muito diferente disso, Mintzberg já havia demonstrado causas consistentes para a ascensão e queda do planejamento estratégico. Toda vez que analisamos e planejamos partimos de pressupostos dos quais não temos certeza se são verdade ou não. Assim encarar de forma mais solta o ato de planejar nos faz melhores. Igualmente pode nos fazer mais propensos a sair em frente, menos paralisados pelo medo de errar.

Defendo em todos os ambientes a superação do medo. As frustrações da inércia são muito maiores. Faça seu planejamento pessoal. Independente e só seu, com todos riscos, incertezas e achismos. E parta em busca do que deseja. Dispense seu chefe e aqueles pseudo-amigos. Se você não acredita em sua equipe, você está perdido. E siga adiante. Como aquela porta de Kafka, algumas oportunidades estão guardadas apenas para você. Se não souber encontrá-las, nunca terá o prazer de desafiar e vencer a montanha-russa corporativa.

Felipe Schmitt-Fleischer

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Dica de gestão 89 de 300: O medo nosso de cada dia

DICA DE GESTÃO 89 DE 300: O medo nosso de cada dia

“O que os atormenta é o maior inimigo que alguém pode ter: o medo” Malcom X

Historicamente o medo é algo que sempre nos ajudou. Nos alertava dos perigos da vida como invasões, guerras, bárbaros, pragas, fazendo com que recuássemos e nos afastássemos a tempo de preservar nossas vidas. Além disso, devido ao processo de aprendizagem, pequenos sinais já nos davam a sensação do medo e reagíamos da mesma forma que o momento onde enfrentamos pela primeira vez o evento “ameaçador”. Era uma atitude preventiva. Devido a isso, muitas religiões foram criadas, aceitas incontestavelmente e propagadas. Religiões e crenças que nos davam um conforto emocional e algumas regras de boa convivência social começaram a fazer cada vez mais parte de nossa vida.

Avançando muitos anos nesta história do medo, notamos que o controle que agora temos do ambiente aumentou muito. A princípio, era para nossos medos terem diminuído. Mas aconteceu o contrário. Os medos se multiplicaram e adquiriram diversas formas. A mais comum hoje em dia chama-se “ansiedade“. Anos e anos se passam de medos “reais” e nossa curva de aprendizado dos medos se aprimora cada vez mais. A cada geração, uma nova “linha de programação”  já nasce formatada no cérebro de muitos jovens. De tempos em tempos, parece que há uma atualização do “software mental de medos”, onde estão catalogados os mais distintos e improváveis medos. Como quase todo mundo tem o mesmo programa, achamos normal viver ansiosos.

Hoje temos medo de muitas coisas, passando por mitos, fatos que são remotamente improváveis de existirem e acontecerem em nossas vidas  a fatos reais, que podem acontecer a qualquer momento. Temos medo do comunismo, de uma guerra nuclear, do fim do mundo anunciado a centenas de anos pelos Maias para 2012, medo do escuro, de cobra, de aranha, abelha, de gato preto, “bicho cabeludo”, corrente de ar quando saímos do banho quente, de andar na chuva e pegar um raio, do repuxo do mar, de água-vida, de tubarão, medo de altura, de ficar cego, impotente, gordo, careca, de perder nossos bens, de comer melancia com leite e ter uma indigestão, de encher a pança de comida com muita gordura e enfartar na sequência, de cigarro que nos dará câncer, de pegar AIDS em um relacionamento fortuito, medo do chefe que é muito brabo, medo de ser demitido do emprego que odiamos e por aí vai, uma infinita lista de medos que a sociedade moderna criou e nós aceitamos, muitas vezes sem entender. Isso tudo, nos deixa ansiosos, pois basicamente tudo que existe no mundo pode ser muito seguro e positivo ou muito ameaçador e negativo. Depende de você e do seu ponto de vista.

Olhamos para o passado e temos medo que coisas que ficaram para trás nos alcancem de novo. Olhando para o futuro nos preocupamos com o incerto, com o futuro da família, com nossa reputação, com nosso crescimento profissional e com tudo aquilo que possa ser controlável ou não. A economia, a concorrência, etc, tudo nos atormenta e nos deixa ansiosos. Somos animais amedrontados, vivendo em suposta segurança atrás de grades e cercas elétricas, de alarmes, porteiros, de câmaras de vigilância, de seguros de vida e rotinas que a princípio são de menor risco (como não sair de noite, por exemplo). Hoje em dia, o medo nos une como sociedade e nos acalma como cidadãos, nos deixando pacatos e mansos, fazendo com que  cada pessoa fique no seu canto sem reclamar, paciente e tolerante. O pior preço disso é ser também passivo com nossos sonhos, vendo-os num filme imaginário de dentro de nosso bunker construído e mantido para nos proteger.

Mas saibam que o medo é algo natural da vida. O que mais complica o nosso pensamento e consequentemente o nosso comportamento, e é a crítica deste post, é viver 100% do tempo com medo. Ainda mais, sabendo que para muitas pessoas, o medo é imaginário, algo que nunca aconteceu ou tem uma probabilidade mínima de ocorrer. E a grande questão é: Existe cura? Temos como nos curar desse comportamento? Dizem os psicólogos e demais estudiosos que sim, há cura, inclusive de muitas maneiras, mas principalmente, destaco alguns passos importantes de todos os métodos e técnicas que aprendi até o dia de hoje:

Tome consciência da situação de medo (quando ele aparece e como?)

Conscientemente não permita que os medos dominem nossas vidas ou que persigam nossos momentos de decisões (dê ordens de como você deve se comportar)

– Esforce-se para ser uma pessoa conectada com os tempos atuais, um mundo com menos controle e mais experimentação.

– Seja ofensivo e não defensivo em busca de seus objetivos.

– Enfrente a vida com ousadia, definindo e assumindo suas paixões.

– Realize uma mudança de mentalidade.

“O maior medo que existe é o de sermos quem somos de fato”, disse o famoso rapper 50 cent, que depois de tomar 09 tiros aos 24 anos, resolveu sair das ruas e viver de música (hoje um império). Nessa vida temos controle de apenas uma coisa: de nossa atitude mental, de como reagimos, interpretamos e codificamos o que nos acontece no dia a dia. Seja destemido na vida. Faça como Maquiavel, que sabiamente disse “Para mim (…) é melhor ser impetuoso do que cauteloso (…)” e deixe sua marca no mundo.

Que vocês vençam os medos que paralisam os seus sonhos.

Post relacionado: Quais os riscos envolvidos no que fazemos ou consumimos

Até a próxima dica

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Gustavo Campos

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Dica de gestão 89 de 300: O medo nosso de cada dia