DICA DE GESTÃO 89 DE 300: O medo nosso de cada dia
“O que os atormenta é o maior inimigo que alguém pode ter: o medo” Malcom X
Historicamente o medo é algo que sempre nos ajudou. Nos alertava dos perigos da vida como invasões, guerras, bárbaros, pragas, fazendo com que recuássemos e nos afastássemos a tempo de preservar nossas vidas. Além disso, devido ao processo de aprendizagem, pequenos sinais já nos davam a sensação do medo e reagíamos da mesma forma que o momento onde enfrentamos pela primeira vez o evento “ameaçador”. Era uma atitude preventiva. Devido a isso, muitas religiões foram criadas, aceitas incontestavelmente e propagadas. Religiões e crenças que nos davam um conforto emocional e algumas regras de boa convivência social começaram a fazer cada vez mais parte de nossa vida.
Avançando muitos anos nesta história do medo, notamos que o controle que agora temos do ambiente aumentou muito. A princípio, era para nossos medos terem diminuído. Mas aconteceu o contrário. Os medos se multiplicaram e adquiriram diversas formas. A mais comum hoje em dia chama-se “ansiedade“. Anos e anos se passam de medos “reais” e nossa curva de aprendizado dos medos se aprimora cada vez mais. A cada geração, uma nova “linha de programação” já nasce formatada no cérebro de muitos jovens. De tempos em tempos, parece que há uma atualização do “software mental de medos”, onde estão catalogados os mais distintos e improváveis medos. Como quase todo mundo tem o mesmo programa, achamos normal viver ansiosos.
Hoje temos medo de muitas coisas, passando por mitos, fatos que são remotamente improváveis de existirem e acontecerem em nossas vidas a fatos reais, que podem acontecer a qualquer momento. Temos medo do comunismo, de uma guerra nuclear, do fim do mundo anunciado a centenas de anos pelos Maias para 2012, medo do escuro, de cobra, de aranha, abelha, de gato preto, “bicho cabeludo”, corrente de ar quando saímos do banho quente, de andar na chuva e pegar um raio, do repuxo do mar, de água-vida, de tubarão, medo de altura, de ficar cego, impotente, gordo, careca, de perder nossos bens, de comer melancia com leite e ter uma indigestão, de encher a pança de comida com muita gordura e enfartar na sequência, de cigarro que nos dará câncer, de pegar AIDS em um relacionamento fortuito, medo do chefe que é muito brabo, medo de ser demitido do emprego que odiamos e por aí vai, uma infinita lista de medos que a sociedade moderna criou e nós aceitamos, muitas vezes sem entender. Isso tudo, nos deixa ansiosos, pois basicamente tudo que existe no mundo pode ser muito seguro e positivo ou muito ameaçador e negativo. Depende de você e do seu ponto de vista.
Olhamos para o passado e temos medo que coisas que ficaram para trás nos alcancem de novo. Olhando para o futuro nos preocupamos com o incerto, com o futuro da família, com nossa reputação, com nosso crescimento profissional e com tudo aquilo que possa ser controlável ou não. A economia, a concorrência, etc, tudo nos atormenta e nos deixa ansiosos. Somos animais amedrontados, vivendo em suposta segurança atrás de grades e cercas elétricas, de alarmes, porteiros, de câmaras de vigilância, de seguros de vida e rotinas que a princípio são de menor risco (como não sair de noite, por exemplo). Hoje em dia, o medo nos une como sociedade e nos acalma como cidadãos, nos deixando pacatos e mansos, fazendo com que cada pessoa fique no seu canto sem reclamar, paciente e tolerante. O pior preço disso é ser também passivo com nossos sonhos, vendo-os num filme imaginário de dentro de nosso bunker construído e mantido para nos proteger.
Mas saibam que o medo é algo natural da vida. O que mais complica o nosso pensamento e consequentemente o nosso comportamento, e é a crítica deste post, é viver 100% do tempo com medo. Ainda mais, sabendo que para muitas pessoas, o medo é imaginário, algo que nunca aconteceu ou tem uma probabilidade mínima de ocorrer. E a grande questão é: Existe cura? Temos como nos curar desse comportamento? Dizem os psicólogos e demais estudiosos que sim, há cura, inclusive de muitas maneiras, mas principalmente, destaco alguns passos importantes de todos os métodos e técnicas que aprendi até o dia de hoje:
Tome consciência da situação de medo (quando ele aparece e como?)
Conscientemente não permita que os medos dominem nossas vidas ou que persigam nossos momentos de decisões (dê ordens de como você deve se comportar)
– Esforce-se para ser uma pessoa conectada com os tempos atuais, um mundo com menos controle e mais experimentação.
– Seja ofensivo e não defensivo em busca de seus objetivos.
– Enfrente a vida com ousadia, definindo e assumindo suas paixões.
– Realize uma mudança de mentalidade.
“O maior medo que existe é o de sermos quem somos de fato”, disse o famoso rapper 50 cent, que depois de tomar 09 tiros aos 24 anos, resolveu sair das ruas e viver de música (hoje um império). Nessa vida temos controle de apenas uma coisa: de nossa atitude mental, de como reagimos, interpretamos e codificamos o que nos acontece no dia a dia. Seja destemido na vida. Faça como Maquiavel, que sabiamente disse “Para mim (…) é melhor ser impetuoso do que cauteloso (…)” e deixe sua marca no mundo.
Que vocês vençam os medos que paralisam os seus sonhos.
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Até a próxima dica
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Gustavo Campos
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