Representantes comerciais, um alerta: Vendam; mas da forma correta!

Dica de Gestão 118 de 300: Representantes comerciais, um alerta: Vendam; mas da forma correta!

Este post é dirigido aos representantes comerciais (é melhor vocês lerem com atenção, pois sua profissão está em extinção)
De um ex-representante comercial e hoje vendedor de idéias e consultor

Lembro a todos que fui representante comercial por muitos anos e tive um relativo sucesso. O que sei hoje e ensino as equipes comerciais, me fariam um super-representante na época, se tivesse este conhecimento. Mas este post é para você que vive hoje de vendas. Ou pelo menos tenta. No final deste post, talvez você saiba que não foi talhado para esta profissão. Você pedirá demissão. E fará um bem enorme para você, para a categoria e para a empresa que erroneamente lhe contratou. Mas se no final desta leitura, você achar que deve melhorar, pouco ou muito, mas percebendo que o que escrevi tem sentido para a categoria, você é um vendedor. Talvez ainda um vendedor com raízes no passado, um representante comercial que está mais próximo dos caixeiros-viajantes do que de um moderno profissional de vendas, que todas as empresas esperam encontrar pronto e não irão encontrar. Um vendedor hoje em dia é alguém que além de ter uma cultura geral, uma especialização em um nicho, uma habilidade grande em negociação, tem muito mais coisa do que uma carinha feliz e um bom papo (aquele papo de pescador e outras “coisitas” mais). Pessoal, me desculpe pelo tom do post, mas é para ser uma cutucada mesmo. Tem muito vendedor dormindo e prejudicando a imagem de todos no mercado. Eu não gosto quando dizem que a classe dos representantes está em extinção e defendo a “categoria”, mas no fundo eu sinto que muitos, a maior parte, não estão preparados para a necessária “virada de mesa” das atribuições desta profissão. Eu digo que até mesmo a lei do representante está desatualizada frente ao que vou escrever na sequência. O meu receio é de não conseguir avisar a todos da categoria a tempo, e quando a empresa fizer a virada de mesa, muitos ficarão sem cadeiras para sentar. Sobrarão. Viverão do passado ou do que acumularam. Ou passarão necessidades.

Faço muitas pesquisas de mercado com compradores, de muitas lojas multimarcas do Brasil. Poucos sinalizam um vendedor de referência, o melhor vendedor de todos os tempos. E isso é ruim. Não há destaque na profissão pois todos estão congelados em um tempo que não existe mais. Se você pensa que seu trabalho é vender. Está errado. Se pensa que seu trabalho é abrir mercado. Está errado. Se pensa que seu trabalho é vencer a concorrência ou representar uma marca. Está muito mais errado. Arrisco a dizer que quase tudo o que você acha que sabe sobre o trabalho de um vendedor, está errado. Hoje vejo industrias ou gestores de marca conduzindo suas marcas pelo mercado pelos motivos errados (ex.: exportação está ruim, vamos tirar da gaveta aquela “marquinha” nossa). Gerentes comerciais sisudos, parecendo sargentos, auditores, fiscais da receita federal, tenente do BOPE ou qualquer outra profissão que tenha como preconceito ser durão, não mostrar os dentes e ser direto ao que interessa, ou seja, fazer os outros fazerem vendas / darem resultados a qualquer custo. E vejo representantes tentando vender o máximo que podem, mas da maneira errada. Os 3 papéis deste jogo estão errados. Gestores de marca, gerentes e representantes, engatados e compromissados pelo ideal errado. Não é a toa que independente da categoria, quando pergunto em pesquisas de mercado que faço no Brasil, quais as marcas que as lojas compram e colocam a vender, os compradores me dizem centenas de marcas no total. As líderes do setor, detém ainda fatias pequenas do mercado. Certamente no mercado esportivo existam marcas líderes melhor colocadas, mas no mercado de calçados infantil, feminino e masculino, as participações das líderes do mercado ainda é coisa de criança brincando de construir castelo de areia na praia. As marcas brasileiras são muito frágeis. Possuem equipes comerciais frágeis. Possuem sistemas de gestão frágeis. E quase sempre não possuem uma estratégia e um plano tático decente.

Você, representante, deve começar a mudar rapidamente. A mudança tem que começar por você. Se não o fizer, eu já sei o que irá acontecer, pois já auxiliei muitas outras marcas a fazerem este processo. Você terá o seu contrato rescindido e irão lhe propor um cargo de vendedor CLT (ou não irão lhe propor nada, pois só se faz promessas para os bons), com um fixo de 2 salários mínimos nacionais e 1 ou 2 por cento de comissão. Um carro, um notebook, um telefone e você irá para rua para continuar vender, só que agora seguindo severas orientações, rotas comerciais, índices de performance, etc. Parabéns, você ganhou de brinde um gerente “bufante” de nuca para sempre. Bom proveito. Achou ruim? Então você deve mudar muito rápido. Não espere que as empresas lhe mostrem o caminho e lhe dêem muita orientação neste momento. Elas querem resultados rápidos e é você quem deve entregar ou será o próximo da fila, da sua região. A mudança tem que ser iniciada e gerenciada por você.

Mas o que devo fazer tão rápido assim, você deve estar se perguntando. Você deve saber posicionar uma marca no mercado. Esta é a resposta mais sintética que poderia lhe dar. Seu novo papel é o de um Agente de Posicionamento de Marca. Para fazer isso bem, muitas coisas devem ser feitas. E até hoje eu não conheci, da minha lista de excelentes vendedores, um que faça tudo isso. Mas deveriam. Então, lá vai a lista, pelo menos o início da mudança você encontrará aqui. Se você achar que faz isso muito bem, escreva um comentário para mim, pois gostaria de conhecê-lo.

Você deve saber muito do que está vendendo, a ponto de contar histórias de como as coleções (seus produtos) foram firmadas. Sobre quais fundamentos elas foram confeccionadas e sobre quais pontos de diferenciação? Você deverá ser capaz de contar esta história para uma criança de 5 anos e ela ficar com 100% de atenção em você.

– Você deve treinar em casa a ordem de abertura e demonstração dos produtos, para cada tipo de canal de vendas (sapataria popular, sapataria especializada, magazines, boutiques, boutiques mistas, etc, para pegar um segmento de lojas como exemplo). De maneira nenhuma todos os produtos devem ser mostrados a todos (pelo menos é válido para a maior parte das marcas). A coleção deve ser boa e grande o suficiente para cobrir uma boa relação de mix de produtos X canais de venda. Esta abertura deve ser ensaiada a ponto de se transformar em um show, uma performance sua para esta coleção.

– Do histórico de compra ao que os concorrentes estão vendendo hoje na loja do cliente, você deve ser o que mais tem domínio desta informação. Saiba que os compradores de lojas estão hoje comprometidos com a venda dos produtos, pois recebem também comissão de venda pela performance (pelo menos é válido para as redes de lojas e setores mais organizados). Para realizar isso os compradores estudam muito e controlam índices de performance. Eles ficam apenas com as marcas vencedoras. Você irá fazer coisas novas e ajudar o seu comprador a vender mais e melhor ou ele irá lhe olhar com carinho um dia e lhe dizer que não irá mais comprar de você. “Quem sabe na próxima estação!” ele dirá. E isso é o sinal para o “nunca mais vou lhe comprar algo pois você comprometeu o meu bônus”.

A sua meta deve ser um percentual de participação da loja. Não é vender o máximo ou o que o comprador quiser. Esta conquista deve ser gradual, entregando resultados sempre e crescentes. A cada contato com o comprador você deve lembrá-los destes resultados. A participação da loja você conquista no varejo controlando o giro de produtos (isso eu não ensinarei neste post. Estude por conta para não perder tempo). Mas fica a dica: Além do giro, você deve controlar o volume que você tem do negócio (a participação) e o markup que sua proposta realiza. São 3 indicadores críticos para o varejo que você vendedor deve dominar, ter maestria: giro, participação e markup. Ou seja, eu preciso de um bom volume de produtos que vendam rápido e deixem uma boa margem. É isso, simples assim e nada mais. Tentem não enfeitar demais o pavão.


– Se deu problema, independente da culpa de um ou de outro, você deve se fazer presente e resolver. São nestes momentos que se geram os maiores índices de fidelidade. Deixe eu repetir com outras palavras. Quando der problema, sorria, pois neste momento a fidelidade irá se construir ou se desintegrar.  Obviamente que estou falando de propostas de marcas sérias, onde o problema é a exceção e não a regra. Se conviver com problemas é a regra então o problema é interno e deve ser totalmente sanado pelo gestor da marca. Não importa que você trabalha com este ou aquele produto, que é de moda, que é de alto risco, etc. Quer entrar e ficar no jogo, faça bem. Voltando para o representante, para a maior parte dos que conheço, quando a casa começa a cair cada vez mais o representante fica inacessível. E daí o problema aumenta e a fidelidade desmorona.

– Mesmo para coleções rápidas, como o mercado de moda, que lança uma coleção a cada 30 ou 45 dias, você deve ter uma carteira de vendas possível de cobrir 100% a cada coleção. Antes de vender a outra coleção, você deve voltar nos seus principais clientes (em torno de 30%, os maiores, mais estratégicos, os de maior potencial, etc, e a regra é de acordo com a estratégia adotada pela empresa) e ajudá-los a vender. Ficar de 2 a 3 horas por cliente, de segunda a sábado. Mesmo que o cliente lhe peça reposição, você não irá vender. Você voltará na próxima semana com novidades e venderá muito mais para ele. Mas se vender a reposição ele irá esperar para receber primeiro. Muito mais do que uma grade de reposição que corre o risco de encalhar a qualquer momento, você venderá mais e de produtos novos. No mercado de moda, se vendeu rápido, ótimo. Acabou. Não se repõem. Se inventa outra coisa, mesmo que com traços inspirados em sucessos anteriores, mas é algo novo.

Você deve arrumar a exposição dos produtos e/ou orientar as equipes de loja a fazerem isso. Isso é outro conhecimento que você deverá adquirir. Existem regras, conceitos e práticas que deverão ser seguidos. Você deverá envolver no processo o gerente de loja e se possível o dono da loja. Somente assim o ajuste que fizer irá permanecer mais do que 15 minutos depois de você sair pela porta. Lembre que este trabalho lhe beneficia. Uma exposição adequada do produto defende o seu preço, valoriza os diferenciais do produto, “isola” da concorrência (blinda a marca) e faz com que se venda mais rápido. Isso é bom para você e para o comprador da loja.

Ajude o seu gerente e sua empresa. Grande parte dos gerentes comerciais não sabe fazer uma boa gestão de suas equipes. Isso é sentido e os representantes não acham que o gerente contribui para o processo. Pior ainda quando acham que ele prejudica. Mas se o seu gerente tiver boa intenção e alguma prática para iniciar o jogo, peça que ele lhe ajude, que visite a sua praça, seus principais clientes e valorize o tempo dele quando estiver com você. Apresente-o aos seus clientes e o elogie, o valorize. Dê as informações que o gerente precisa para lhe ajudar. Combine com ele os objetivos que você tem nesta ou naquela loja e peça que lhe ajude a cumprir. Juntando forças será mais fácil cumprir a meta e se destacar. O gerente precisa hoje de uma boa equipe de vendas e muitos empregados e famílias dependem do trabalho de você vendedor. Você e seu trabalho são mais importantes do que voce pode ter imaginado.

– Caso tenha mais de uma representação, saiba que isso ainda é por pouco tempo. Cada vez mais as marcas querem que você tenha apenas uma  marca. Mas enquanto isso não acontece, responsabilize-se por  cumprir as metas de cada marca que carrega. Seja honesto com as empresas. Se pegar mais de uma marca assuma o compromisso ou não pegue a mala.

Saiba onde vender e onde não vender. Isso é uma das tarefas mais complicadas da venda. E garanto que isso irá definir o seu sucesso de longo prazo. Cuide bem da relação produtos X canal e da relação Clientes X habitantes por município. Não pulverize a proposta.

Enfim, são apenas algumas atividades deste novo trabalho de representação comercial. Comece a fazer pelo menos estas, imediatamente e some ao que já o destaca. Você precisa de resultados melhores e somente fazendo coisas diferentes é que irá alcançar. Mãos a obra.
Posts relacionados sobre este tema, caso queira se aprofundar:

(Re)significando Vendas
Multimarcas X Monomarcas X Profissionais de Vendas
Deixem os vendedores vender

Abaixo algumas dicas de posts que escrevi especificamente sobre o tema posicionamento de marcas (assunto que um Agente de Posicionamento de Marcas deve dominar):

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – parte 1

O posicionamento de marcas no segmento calçadista brasileiro

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – parte 2

Espero que tenha sido uma leitura útil  e agradável.
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Representantes comerciais, um alerta: Vendam; mas da forma correta!

Passos críticos para um correto posicionamento de marcas

Dica de Gestão 115 de 300: Passos críticos para um correto posicionamento de marcas

Inicio este post comentando o livro do Bernardinho que li alguns meses atrás. Nele, Bernardinho conta como se transformou no melhor técnico do mundo, fazendo com que o seu time, no caso a seleção Brasileira de Vôlei, vencesse quase que praticamente todos os campeonatos que concorreu. Treino dos fundamentos. Esta é a palavra-chave. No vôlei isso significa voltar aquelas primeiras aulas para quem está iniciando no esporte e praticar até a perfeição. Bloqueio, recepção, saque, e por ai vai. Estes são os fundamentos. Estes “detalhes óbvios”, muitos podem achar, são os que vencem campeonatos.  Desta forma, dou sequência aos meus artigos de posicionamento, comentando mais uma etapa do framework que usamos na FOCAL Pesquisas (www.focal.com.br)  para determinar o posicionamento de uma marca, seja ela do mercado de moda ou não. Hoje vamos ver as etapas para segmentação, definição de mercado e posicionamento. Em resumo, Segmentar, Targetizar e Posicionar. Ao final destas três etapas, veremos como equalizar o modelo para a sustentação do posicionamento.

Para segmentarmos o mercado, existem técnicas bem avançadas de pesquisa de mercado, que não serão tratadas neste artigo. Mas, no mínimo, passam por estas duas etapas:

1. Identificação das variáveis de segmentação: estas podem ser desde as mais simples, como sexo, idade, local de moradia até as mais complexas, geralmente utilizadas no mercado de moda, como o estilo de vida, valores de vida, entre outros.

2. Desenvolvimento dos perfis dos segmentos resultantes: a composição de diferentes formas das variáveis acima escolhidas para segmentar um mercado, formarão os grupos que iremos trabalhar.

Importante saber também, neste ponto, em qual estágio do ciclo de vida o consumidor está e quais as necessidades que busca preencher. Para isso, podemos utilizar as necessidades de Maslow ou esta metodologia abaixo, que prefiro (apesar de usar as duas). Vejamos um exemplo de um comprador de automóvel.

 

a. Necessidades declaradas: “Quero um carro barato”

b. Necessidades reais: “Quero um carro de baixa manutenção e não um carro de baixo valor de aquisição

c. Necessidades não-declaradas: “Espero ser bem atendido pelo revendedor”

d. Necessidades de algo mais: “Gostaria que o modelo que comprasse tivesse computador de bordo pelo mesmo preço do intermediário”

e. Necessidades secretas: “Quero ser visto por meus amigos como um consumidor inteligente pela compra que fiz”

Vamos para a segunda etapa, o Targetizar, ou seja, definir o mercado-alvo. Para isso, temos novas duas macro-etapas, sendo elas:

3. Avaliação da atratividade de cada segmento: Cada um dos perfis / nichos identificados pela combinação das variáveis na etapa de segmentação de mercado deve ter a sua atratividade auditada. Não adianta selecionar um perfil para se trabalhar que não seja atrativo financeiramente, hoje ou futuramente.

4. Seleção do(s) segmento(s)-alvo: Após a análise da atratividade, selecionamos conscientemente os nichos que iremos trabalhar.

Depois de concluída esta etapa, temos a etapa de posicionamento de mercado. São duas macro-etapas, sendo elas:

5. Identificação e seleção dos conceitos de posicionamento possíveis para cada segmento-alvo: A empresa necessita ter um posicionamento geral, mas para cada segmento, é importante definirmos como iremos comunicar a nossa empresa e os diferenciais de nossos produtos.

6. Desenvolvimento e comunicação dos conceitos de posicionamento escolhidos: Nesta fase, os conceitos anteriormente definidos devem ser efetivamente comunicados e as ações necessárias para implantar o posicionamento devem ser feitas.

Depois de realizar estas 6 etapas, vamos equalizar a nossa proposta utilizando o modelo de Rafael Sampaio e Marcos Felipe Magalhães. Esta equalização passa pelos tradicionais 4 Ps (Vejam posts da pensadora Vera Muller, que já escreveu muito sobre isso), só que este modelo nos amplia o raciocínio, obrigado a pensar em 4 elementos para cada um dos Ps (Produto, Preço, Distribuição e Comunicação). Os elementos são os seguintes (retirado do livro do Sampaio, pagina 38):

  • Formatar: ações que tangibilizam os atributos para obter vantagem competitiva real. Tem a ver com o que oferecer ao mercado e o que agregar aos produtos e serviços para torná-los mais competitivos. Derivam das perguntas essenciais: O que devemos oferecer ao mercado? Quais atributos devemos incorporar ao produto/serviço ofertado?
  • Valorizar: ações que visam gerar valor adicional e sua percepção. Tem a ver com o quanto. Derivam da pergunta essencial “o que fazer ou agregar ao produto/serviço e seus atributos que possa aumentar seu valor percebido pelo mercado?
  • Disponibilizar: ações para aumentar a disponibilidade e conveniência para o consumidor. Tem a ver com quando e onde. Derivam da seguinte pergunta essencial: como fazer o produto/serviço ser mais disponível e mais conveniente ao mercado?
  • Comunicar: ações para promover da forma mais eficiente as vantagens competitivas mais relevantes, comunicar as condições das transações e aumentar a efetividade das comunicações com consumidores / clientes. Tem a ver com o como. As perguntas essenciais são: O que comunicar? O que valorizar? E como atingir e convencer os integrantes do mercado visado?

As telas abaixo exemplificam estes 4 elementos para cada um dos 4Ps. Segue framework de produto.

Agora segue o framework de preço:

Tendo definido os produtos / serviços e sua estratégia de precificação, resta saber para quem e onde vender. Segue framework de distribuição:

E por fim, como comunicar o composto todo. Segue framework de comunicação.

No próximo  artigo, irei continuar com este tema, aprofundando mais o framework de posicionamento utilizado na FOCAL Pesquisas.

Abaixo algumas dicas de posts que escrevi especificamente sobre o tema ou de assuntos muito próximos:

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – parte 1

O posicionamento de marcas no segmento calçadista brasileiro

(Re)Significando Vendas

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – parte 2

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Passos críticos para um correto posicionamento de marcas

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 2

DICA DE GESTÃO 114 de 300: Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 2

Como visto em meu ultimo artigo, a parte introdutória desta sequência, existem muitas variáveis e situações envolvidas em um posicionamento de uma marca. Agora, neste artigo, veremos umas considerações sobre algumas técnicas normalmente utilizadas em pesquisas de mercado utilizando o framework de posicionamento, desenvolvido pela FOCAL Pesquisas. Para iniciar, vamos lembrar o famoso case da Coca-Cola e seu novo sabor, de 1985. Hoje percebe-se que foi um erro em se conseguir manter a relação estratégia – mente – mercado – marca, presente e alinhada. Tendo este case presente, Al Ries nos ensina que “marketing não é a batalha de produtos (sabor, por exemplo), é de percepção (mente – mercado – marca)”.

Desta forma, se a sua marca hoje existe no mercado, qual a imagem que ela possui? (lembre-se dos conceitos de posicionamento e imagem trabalhados no meu ultimo artigo). Quando realizamos estudos de mercado desta natureza, mergulhamos fundo, buscando entender esta imagem e como ela interfere nas relações de consumo existentes de todos os envolvidos com a marca. Ao final se define ou se redefine uma nova proposta de posicionamento, obedecendo e respeitando as associações existentes no mercado (desde que positivas e desejadas, obviamente). Entendam por associações tudo aquilo que já é dito pelo público consumidor e pelo público potencial a respeito de sua marca.

Agora, complementando o quadro conceitual, uma das melhores definições de posicionamento que gosto (além da que eu já resumi no último post) é a defesa de que posicionamento é um “processo, não um ato. É um processo de persuasão contínua, para encorajar o cliente a pensar de uma determinada maneira e não uma ação unilateral do profissional de marketing (UPSHAW, 1999)”. Os grandes passos de nosso framework nascem na teoria de KAPFERER, que diz que o posicionamento é um processo de 2 etapas, sendo elas:

  1. A definição da categoria no qual a marca será associada e comparada
  2. O estabelecimento do diferencial e vantagem competitiva da marca contra os seus concorrentes na categoria.

Parece fácil, mas existem muitas ferramentas e técnicas para se definir cientificamente estas posições. Pense em alguma reunião de planejamento estratégico que tenhas participado e lembre como deve ter sido difícil definirmos em consenso quem são os concorrentes das empresas de vocês. Alguns participantes podem ter achado que os concorrentes eram os X, Y e Z, concorrentes mais nobres, que atingem as consumidoras formadoras de opinião das classes sociais mais altas, por exemplo, de uma marca de moda feminina. Outros participantes podem também considerar que muitas outras marcas estão presentes neste grid, pois geralmente as encontram nos mesmos pontos de venda e as consumidoras normalmente também os pedem para experimentar, mesmo que o dono da empresa as considerem marcas bem mais populares. Lembre-se dos conceitos de posicionamento e imagem. Não são os concorrentes que nós queremos que concorrem conosco, e sim o que os consumidores desejam e usam.

Pois bem, tendo tudo isso, temos que definir a categoria na qual participamos (o primeiro dos itens acima apontados). Para isso costumo utilizar um segundo framework, chamado Cubo de Mercado (utilizamos a teoria básica de Magalhães e Sampaio, para o desenvolvimento e aplicação desta ferramenta).

Esta definição também se dá em duas partes, sendo elas:

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Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 2

Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 1

DICA DE GESTÃO 113 de 300: Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 1

Na FOCAL ( http://www.focal.com.br ), este é um segmento de grande especialização. De lançamentos de marcas totalmente novas, que deveriam ocupar um espaço único no mercado, até o reposicionamento de marcas que não apresentavam todos os resultados esperados, já executamos muitos projetos ao longo de 12 anos de tradição. Mas antes de falar em técnicas, vamos ver algumas particularidades que irão definir os limites deste artigo bem como configurar o contexto onde o tema posicionamento se encaixa. São eles:

1. O mercado de moda é excessivamente grande. Ao mesmo tempo que é um mercado exigente, que demanda investimentos dos proprietários das marcas, é um mercado que é possível entrar e se estabelecer em algum nicho, desde que se façam as coisas certas. Algumas destas regras certas valem para todos os negócios, mas pelo que já vi durante a fase de execução dos planos de lançamento de marcas ou novas unidades de negócio, não é demais lembrar. Vejamos:

Não tente atender a todos. Especialize-se em um segmento, um grupo de clientes. Um dos erros que mais presencio em trabalhos de reposicionamento é este. A marca quer atender a todos ou a um grupo muito grande de consumidores e com isso não consegue mostrar seus diferenciais para ninguém. Defina quem você quer atender e eleja alguns ícones, consumidores-típicos que representam a sua marca e os tenha sempre presente, da criação da coleção, a comercialização e comunicação. Em um cliente internacional que atendemos com diversos projetos ao longo dos anos (que vou manter seu nome em sigilo), esta técnica foi executada para orientar as equipes de venda e criação. Foram pesquisados e definidos 8 grupos de consumidores bem específicos que já eram atendidos pela marca. Na foto abaixo ilustro um pouco este trabalho com 2 destes estereótipos. Em tamanho natural, estes dois bonecos possuem ao seu lado uma folha com a descrição de sua rotina diária, do que gostam de fazer e como é seu estilo de vida, sem dar muita ênfase para dados sócio-demográficos.

– Não imagine que ter uma marca segmentada é saber que você irá atender uma mulher na faixa de 30 a 60 anos das classes sociais AB. Mais de 80% dos meus diagnósticos iniciais com os diretores que intencionam posicionar ou reposicionar uma marca definem seu público e seu negócio em termos de dados sócio-demográficos, de uma forma tão ampla e abrangente que, muitas vezes, mais de 70% da população está atendida. Isso não comunica nada, não nos diferencia e não ajuda as equipes comerciais a saberem onde devem vender e como devem posicionar a nossa oferta no mercado. Também não é suficiente você apenas definir seu cliente, MESMO QUE BEM FOCADO E RESTRITO, com dados sócio-demográficos. Temos que descrever toda a sua história de vida e como que as marcas fazem parte e complementam a vida deste grupo de consumidores. Um mergulho bem mais fundo.

Exemplos de segmentação ampla e/ou insuficiente:

– “Vendemos roupas da moda para “patricinhas” de até 19 anos, classe AAA, das grandes capitais”.

– “Nosso negócios são calçados para homens de 30 a 50 anos que precisam andar muito durante o dia, que valorizam o conforto”.

– “Vendemos acessórios para mulheres de 20 a 30 anos classe AB”

Como podem ver nos exemplos acima, que foram reais (eu vivi isso), os dados sócio-demográficos predominam. Algumas marcas complementam com algum estereótipo (que muitas vezes tem muitos significados, depende de cada pessoa, por exemplo, “patricinha”), algumas restringem geograficamente (ex. capitais) e outras usam algum atributo funcional (conforto, por exemplo). Obviamente que temos que ter estes dados em nosso plano de segmentação, mas o que quero dizer é que hoje eles são insuficientes para explicar o consumo. Já fiz trabalhos para marcas esportivas que foi descoberto que eles conseguiam atender um rapaz-atleta de 19 anos e um executivo de meia idade, atleta de final de semana, com a mesma linha de produtos, pois ambos pensavam da mesma forma e utilizavam a marca como complemento de suas vidas com o mesmo significado. Diferentes gerações, mas que baseado em novos parâmetros de segmentação, hoje estão no mesmo grupo de consumo.

Sobre atributos funcionais, cabe dizer que esta fase também não é mais suficiente. Nos anos 70 / 80 isso era o que tinha de mais moderno no jogo do posicionamento de marcas e consequentemente os comerciais, abusaram disso (e ainda hoje continuam abusando). Para ilustrar isso, vou mostrar alguns vídeos de comerciais de vestuário e automóveis, que são indústrias que sempre buscam lançar as novidades em mercados bem competitivos.

No vídeo abaixo, que apresenta o Passat da Volkswagen de 1987, vocês notarão a lista de atributos que valorizam o veículo. Prestem atenção para as funcionalidades desempenho, segurança, conforto, estabilidade que são citadas em narração, sempre tendo o veículo em movimento. Hoje em dia, a comunicação de veículo também cita muito funcionalidades e características técnicas do veículo, mas também se segmentaram os veículos por estilo de vida. A Toyota, com o case Corolla, é um exemplo disso, pois já utilizou Brad Pitt e hoje usa Wagner Moura e Selton Melo para rejuvenescer a proposta que já foi associada a “carro de velho”. Na mesma linha, e tentando fugir da mesma associação, tem o Azera, da Hyundai. Um carro completo, com quase todas as funcionalidades que alguém poderia imaginar para um carro, mas com uma certa desconfiança permanente (pelo menos até os dias de hoje, mas confesso que esta desconfiança vem diminuindo muito por parte dos potenciais consumidores) e uma associação também com carro de velho. Mas sua estratégia de posicionamento não passa pelo uso de celebridades, como foi o case Toyota Corolla, mas sim por uma comunicação que busca passar sofisticação em detalhes, variedade de funcionalidades e características e um preço de oportunidade, onde a relação custo X benefício fica positiva para o consumo. Porém, o que mais pesa, é a imagem que ainda carrega, a princípio com baixo status a quem possui o veículo. Por isso que digo, dificilmente alguém comprará um produto apenas por uma lista de funcionalidades. Tem elementos emocionais envolvidos que devem ser entendidos. Mas vamos ao vídeo do Passat.

Agora, um outro vídeo, mais antigo, de 1978, onde o mercado de automóveis no Brasil era bem restrito, foi apresentado esta versão da Brasília. Notem que parece que nas ruas só existiam Brasílias (o mercado era restrito mas não para tanto 🙂 ) e que se baseando em uma estrutura de uma poesia, diz que este modelo de carro agrada a todos. Acaba assinando “todos amam”. Uma segmentação ampla, que serviu para uma época sem muita crítica e informação, mas que hoje seria bem mais difícil de alcançar sucesso com ela.

Em 1967, um comercial cômico, porém comportado, obedecendo o contexto sócio-cultural da época, foi apresentada a Kombi. Neste comercial, o atributo valorizado era funcional, ou seja, o grande espaço interno.

Trinta anos após aquele comercial, novamente a Kombi é apresentada. Só que em 1997 o comercial já trata do sonho de consumo, cita o espaço interno, mas agora está contemplado em um estilo de vida. Não apenas aquela funcionalidade pura de “ter espaço para carregar coisas ou pessoas”. Vejam e notem a evolução.

Avançando mais 23 anos na nossa linha de tempo, chegamos ao ano de 2010, onde a Kombi reforça em sua comunicação o estilo de vida, a musica entra com mais força na comunicação, sem narração e nenhuma palavra ao longo de todo o tempo do comercial. Um produto que todos já conhecem, mas que precisava de um espírito de marca. Este comercial tenta colocar isso.

Veja como isso também definiu as marcas de moda, pegando como exemplo as de Jeans. A marca US TOP nos anos 80 (muitos de nós devemos ter assistido a este comercial) colocou “Fernandinho” na boca do povo, virando até gíria nos dias de hoje.  Vejam que ele assina “O mundo trata melhor quem veste US TOP”. O vídeo deixa entendido que usar esta marca faz você crescer na carreira, ser reconhecido. Mas já não apresenta benefícios. Moda é moda. Imagem é tudo (ou quase absolutamente tudo). Você gosta e sente que esta peça é para você ou você não compra. Lembrem-se de como é desagradável chegar no Natal, por exemplo, e ganhar aquela camisa (ou “blusinha”) que a nossa tia / madrinha comprou para nós e que não tem nenhuma relação com o nosso gosto e com nosso estilo de vida.

Da mesma série, vemos os Jeans US TOP trazendo a sensualidade brasileira, moldando as curvas da mulher brasileira e mostrando o seu gingado, tudo em um ritmo “tropical”, inserido num dia a dia bem brasileiro (estereótipo: samba, praia, mulher bonita)

Outra concorrente, a Levi’s 501, lança em 1989 um comercial que defende também um estilo de vida bem rústico e a propaganda mostra que quem usa Jeans Levi’s 501 se dava bem com as mulheres, além de sutilmente mostrar que a calça é extremamente resistente (um benefício sempre associado ao jeans e por todos esperado).

Alguns anos antes, em 1981, a Levi’s apresentava Brad Pitt e mostrava novamente que Levi’s é a calça para quem quer se dar bem com o sexo oposto, com um estilo de vida rústico (estereótipo de macho-alfa, conquistador). Parece que poeira, deserto, mulher bonita, faziam parte da identidade de marca da Levi’s, nesta época.

Já os famosos Jeans Diesel, lançam esta comunicação. Mesmo não sendo na mesma época, tem muitas coisas que se assemelham com os itens de valorização da marca Levi’s 501. Vocês conseguem perceber?

Camila Pitanga, uma personalidade conhecida, lança a moda de calçados Grendha. “Aonde você vai a moda vai também”. Neste caso a técnica de posicionamento desta marca é o uso de personalidades / celebridades, que através de sua imagem pessoal transmitem muito a marca. Consumidoras que gostam do produto e principalmente da celebridade, compram e se sentem bem.

Outra marca famosa de calçados no Brasil, a Ramarim, em um de seus comerciais, lança num clima de passarela / desfile de moda sua coleção, destacando duas palavras: fashion e conforto. Vejam:

Já a Piccadilly, no qual fizemos pesquisas para entender suas relações de consumo e imagem mercadológica, lança uma campanha em busca de um reposicionamento no mercado (notem que assinam ao final como “Piccadilly, uma nova mulher”). No comercial, uma música francesa dá um toque mais sofisticado do que um dancing de passarela, mostra uma mulher de 25 anos que trabalha, mora bem, valoriza o conforto mas quer se sentir atraente e estar na moda. Vejam o vídeo e comprovem:

Por fim, outra marca de muito sucesso e volume de vendas no Brasil, a Via Marte. Esta propaganda é recente e da mesma forma que muitas outras marcas tenta fazer com que a mulher que use o calçado seja destacada, chame mais atenção, atraia mais o sexo oposto. Nem por isso, estamos livres de comentários e interpretações nas redes sociais. Abaixo coloco um comentário de uma pessoa que manterei em sigilo, apesar de ele ter se exposto nas redes sociais com o comentário. Segue o que ele escreveu após ver o comercial.

“A Via Marte conseguiu mostrar o estereótipo perfeito de uma mulher vagabunda. Se usassem a antiga garota propaganda deles, Deborah Secco, neste comercial, poderia ser aproveitado como trailler do filme da Bruna Surfistinha. Aliás, o slogan deles, “GAROTAS DO BRASIL”, pode mudar para “GAROTAS DE PROGRAMA”.”

Eis o polêmico vídeo:

Por fim, ficamos com as seguintes definições de posicionamento e imagem mercadológica. Estes dois conceitos formam a base para aprendermos algumas técnicas para posicionarmos as marcas no mercado de moda brasileiro. Vamos a eles:

Posicionamento mercadológico: é uma proposta da empresa para o mercado. É a determinação de uma posição relativa que ocuparão as suas marcas, produtos e serviços nas mentes dos seus respectivos consumidores.

Imagem mercadológica: é justamente como a sua proposta, o seu posicionamento mercadológico, é percebido pelos clientes. Esta percepção é mais verdadeira para o cliente do que a própria realidade

Abaixo, em uma imagem auto-explicativa, vemos 3 situações de posicionamento X imagem. Notem que a melhor situação é quando a imagem mercadológica que se tem coincide com o posicionamento pretendido (ou pelo menos o máximo possível).

Recentemente, a Arezzo lançou sua nova campanha com a Gloria Pires, a “Pelemania”. Esta ação não saiu conforme o planejado pois houve uma forte reação de consumidoras sobre o uso de peles exóticas nos produtos. Evidentemente que esta ação isolada não irá abalar seriamente as estruturas da organização, mas mostra que atualmente o mercado possui uma força soberana na formação da imagem mercadológica de uma empresa. Se isso acontecesse com uma marca com menos tradição e história de mercado poderia ser fatal. Veja mais em http://www.facebook.com/arezzo.oficial .

Finalizando, imagem mercadológica é a consequência de todos os nossos esforços em posicionar a marca no mercado. Tendo como exemplo o depoimento sobre o comercial da Via Marte ou até mesmo o evento da Arezzo citado e imaginando que em uma pesquisa de imagem mercadológica comentários negativos como este surjam em grande número, sabemos que estamos desconstruindo a imagem de marca que há anos está sendo construído. Desta forma dizemos que imagem mercadológica é algo incontrolável. O mercado recebe nossas informações, as interpreta e com o uso e com os comentários dos demais consumidores, começa a formar sua imagem mercadológica. A dica é: sabendo de nossa imagem mercadológica atual, devemos investir e levar muito a sério o desenvolvimento de uma proposta de posicionamento claro ao mercado e o constante monitoramento da consequente imagem, de forma a se conseguir realizar ações corretivas.

No próximo  artigo, irei continuar com este tema, aprofundando mais os conceitos aqui apresentados, bem como compartilhando algumas técnicas que utilizamos na FOCAL Pesquisas.

Espero que tenha sido uma leitura útil  e agradável 🙂 .
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Gustavo Campos

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Técnicas de posicionamento para marcas de moda no mercado brasileiro – Parte 1