Em nosso segmento calçadista, já vivemos uma época em que a carência era a chave. Como pouco de tudo existia, atender a carência estando presente com uma oferta mínima de produto e serviço já era suficiente. Na minha época de representante comercial de calçados e bolsas, isso já estava acabando. De lá para cá, estamos atravessando a longa ponte da mudança. Pequenos ajustes, feitos aos milhares, vão transformando o jogo a ponto de hoje a autora Rita Gunther McGrath escrever no seu livro “O fim da vantagem competitiva” que temos que aproveitar as oportunidades transitórias, fazê-las crescer rapidamente e, depois, trocar, antes que todos já as tenham imitado. Basicamente, Rita e outros pensadores da gestão estão acabando com alicerces que foram criados na época da carência e propondo algo novo, que aproveita o poder das conexões atuais. A meu ver, entender bem este outro lado da ponte, as conexões, é a chave que falta para alinhar a performance de marca.
Antigamente, conexão era a pessoa que sabia das coisas antes das outras, desde as melhores festas sociais até os melhores fornecedores para o seu negócio. Hoje, conexão significa que o conectado valoriza e deseja manter esta conexão com você, pois acredita na sua jornada e no valor que você carrega. A sua história, em algum ponto, o cativou e ele decidiu se manter conectado a você. Mas neste estado permanente de transitoriedade, parece que a mudança veio e não vai mais embora, e nisso, conexões mudam a todo o instante. O que vejo são fábricas, marcas, lojas, representantes e consumidores perdidos neste mar agitado. Quando um lojista resolve criar a sua marca e não usar as existentes, ele esta dizendo que as conexões atuais não resolvem o seu problema. Quando um lojista deseja comprar direto da fábrica, sem contato com um representante, mostra que esta conexão não agrega mais nada. Ou o representante se ressignifica, ou vira peça de museu. Quando um fabricante renasce com uma marca do passado, ele tem o sonho de reconectar as antigas conexões. Só que elas não existem mais.
Michael Porter e demais pensadores criaram a teoria da vantagem competitiva mais de 30 anos atrás. É um bocado de tempo. Talvez esperar que o mundo se reconfigure novamente para as condições daquela época seja, hoje, considerado uma obra de ficção científica. Talvez com perguntas novas possamos perceber que os plugs de conexões mudaram. Nosso velho conceito de negócio tem de ser um pouco limado, pois o plug não entra mais nas tomadas atuais. Eu ando pelo Brasil e vejo marcas fazendo negócios, lojas vendendo e consumidores comprando. E também vejo o contrário. Em toda a história dos negócios até o momento, tem pessoas que morrem e outras que prosperam na dificuldade. É tudo por causa de conexões. Talvez para os que prosperam não foi dito quais os plugs que deveriam ser conectados. “Por não saber que para muitos era impossível, ele foi lá e fez”. Conectou a sua marca e seu negócio no mundo transitório atual, fazendo o que era necessário. E enquanto este código for o correto, seu negócio prosperará rapidamente. Entender estes códigos, identificar os plugs e fazer as conexões certas é o desafio. Lançar marcas no mercado, com representantes e lojistas com tomadas antigas, para novos consumidores que anseiam por novas histórias, não vai dar certo. Talvez ainda demore um pouco mais para que alguns entendam que fazer conexão é muito mais do que manter o Facebook atualizado com dois posts diários.
Bons negócios, saúde e prosperidade
Gustavo Campos
Coach comercial
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Este texto foi originalmente publicado na coluna Mercado do Jornal Exclusivo de 20 a 26 de Outubro de 2014.






