A publicidade, aquele velho hóspede não convidado

Possivelmente marketing deva ser uma das palavras com usos mais elásticos no mundo da administração. Muito parecida com qualidade, estratégia, planejamento e gestão. Servem em diversos contextos, combinações e geralmente para passar um verniz de importância e sabedoria de quem as usa. Papel prático, muito pouco em grande parte dos casos.

Marketing e sua conta orçamentária para muitas corporações significa comunicação. Ou mais diretamente publicidade. Se faço boa publicidade, o marketing está ajudando à marca. Um reducionismo gigantesco. Mesmo assim, muitas marcas depositam parte considerável de seu esforço em desenvolver e ter garantida a tal publicidade eficaz. Mas o que é eficaz? Qual o papel deste “hóspede não convidado”?

Assim Roy Spence Jr chama a publicidade. Aquela coisa que invade nossa casa, nossa vida, nosso notebook sem ter sido convidada. E somente passamos a prestar atenção quando ela quebra essa barreira do intruso chato que veio atrapalhar o que estávamos fazendo. Três palavras são importantes para vencer esse obstáculo: Entreter, Intrigar, Persuadir. Laurence Vincent coloca que a as marcas enviam mensagem por três motivos: atrair atenção para si, educar ou convencer. E as boas mensagens são focadas em apenas um dos 3 motivos.

O primeiro objetivo, atrair atenção, pode ser bem exemplificado pela campanhas das marcas Virgin e Benetton. Polemizar, chocar, utilizar de duplo sentido, são alguns dos artifícios para que a mensagem não passe em branco na frente das pessoas.  Fazendo um paralelo, essas mensagens funcionam como um cartaz de um filme de cinema. Dão pistas sobre a história, mas não são a história. Querem gerar conhecimento de marca. Recentemente a Volvo utilizou de peças que trabalham esse conceito, como o hit abaixo, com uma sequência interminável de paródias de Van Damme.

No segundo objetivo, educar, partem para a construção de familiaridade e preferência. Essas mensagens dramatizam a relevância da marca em determinado contexto e como ela pode ter um papel de grande utilidade para as pessoas. Serviços públicos se encaixam nessa categoria, assim como marcas que desejam seu papel no mundo. Um exemplo bem interessante dessa abordagem pode ser visto no vídeo abaixo da campanha de lançamento do Windows 8 da Microsoft.

O terceiro objetivo, convencer, parte daquela máxima de David Ogilvy: “Se não vender, não é criativo.” Campanhas promocionais que precisam gerar resultados comerciais concretos. Esse tipo de mensagem também reforça os conceitos de familiaridade e preferência de marca. Redes de varejo são extremamente direcionadas para esse modelo de publicidade, grande parte porque seu modelo de negócio está quase que viciado em promoções constantes. Um bom exemplo são os comerciais da Magazine Luiza, destacando produto, funcionalidade e o preço promocional.

A desconfiança sobre as marcas apresenta uma forte tendência de incremento. As pessoas sentem-se vivendo em um mundo dominado pelas corporações e infestado de truques de marketing para que a roda do consumo não pare jamais. Duvidam mais e veem menos. Os impactos de marca crescem junto com sua invisibilidade. O hóspede está esquecido em um canto da casa. Os gestores de marca precisam acordar para que sua história volte a intrigar, entreter e persuadir. Ou será esquecida definitivamente.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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A publicidade, aquele velho hóspede não convidado

A privatização do espaço

Dos mais de seis bilhões de pessoas no mundo, quantos gostariam de dar uma voltinha fora do planeta? E quantos teriam condições de pagar por isso? Seja qual for a resposta o turismo espacial parece ser um mercado bastante promissor porque é disputado por pouquíssimos players, tem elevadas barreiras de entrada e alta rentabilidade.

Os pioneiros

A última vez que o homem pisou na Lua foi há quase 40 anos, em dezembro de 1972. Com o fim da guerra fria não havia mais justificativa para gastos tão elevados com programas espaciais dos governos da Rússia e dos Estados Unidos.

Esta retração dos investimentos públicos aliada à evolução tecnológica dos aviões suborbitais que ocorreu a partir dos anos 2000 converteu-se em oportunidades para a iniciativa privada investir no setor, especialmente para financiar missões tripuladas que possuem maior apelo e capacidade de retorno financeiro.


Avião de lançamento Virgin Mothership EVE carregando a nave Spaceship Two

Um dos grandes investidores deste novo mercado é o bilionário britânico Richard Branson, fundador do Grupo Virgin com negócios que envolvem música, aviação, vestuário e biocombustíveis. A sua empresa, a Virgin Galactic oferecerá a partir deste ano vôos comerciais para o espaço por 200 mil dólares, soma bem mais em conta do que os 20 milhões de dólares pagos aos russos pelo americano Dennis Tito para ir ao espaço em 2001.

Se os valores ainda não são exatamente populares, o processo está bem acessível: para fazer uma reserva basta se inscrever no site da empresa – http://www.virgingalactic.com/booking/ ou ir a uma agência de viagens e realizar um depósito de 20 mil dólares. No Brasil, as empresas credenciadas são: GSP Travel – http://www.gsptravel.com.br e a Teresa Perez Tour – http://www.teresaperez.com.br

Além de Branson, outros visionários perceberam a grande oportunidade deste negócio, tais como Jeffrey Bezos (fundador da Amazon.com) e Paul Allen (um dos fundadores da Microsoft) cuja empresa Stratolaunch System está desenvolvendo uma aeronave gigante que operará a partir de 2016, como pode ser visto no vídeo abaixo:

Demanda reprimida

As previsões são de que até 2017 o preço de um vôo para espaço, descontados os custos de preparação, se equipare ao de um bilhete da primeira classe de um vôo transoceânico.

O potencial deste mercado é ilustrado pelo volume de reservas feitas até o final de 2011 das três principais companhias americanas de turismo espacial:

Virgin Galactic – mais de 500 reservas a 200 mil dólares cada
XCOR Aerospace – mais de 100 reservas a 95 mil dólares cada
Space Adventure Ltd. – mais de 200 reservas a 110 mil dólares cada


Protótipo da nave XCOR

Uma nova corrida espacial

Embora alguns críticos achem que se trata de mais uma extravagância de milionários, o turismo atualmente é uma das únicas formas de tornar as atividades espaciais lucrativas, impulsionando o seu desenvolvimento científico e tecnológico.
E a tendência é de que a sua intensificação movimente outros negócios como saúde, alimentação, construção de veículos, seguros, decoração de interiores, marketing, etc.

E é claro que surgirão novos desafios, pois como em qualquer mercado, haverá bons e maus players e se na aviação comercial qualquer incidente já provoca uma grande repercussão, os vôos orbitais acarretam riscos substancialmente maiores.

Mas será interessante observar quais serão os próximos passos desta nova corrida espacial, agora aditivada pela força do capital privado. Quem sabe a sua empresa possa fazer uma promoção para mandar o primeiro civil brasileiro para o espaço?

“…And the stars look very different today.”

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
http://www.businesspress.com.br

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A privatização do espaço