Sua felicidade atropelada por um Bugatti

Mobilidade social é um tema bem fascinante. Grande parte das pessoas quer subir degraus nesta vida. Até porque coisas interessantes geralmente acontecem nas alturas. Filmes terminam no alto de prédios ou montanhas. Moisés não recebeu os 10 Mandamentos na cozinha de casa, mas no alto de uma montanha. Mas quantificar o quanto é suficiente para ser feliz é uma escada na qual os degraus talvez não sejam apenas para subir.

A mobilidade é importante, entre outros motivos, pois se não existisse, as moças interesseiras teriam de mudar de ramo, porque não valeria mais a pena cavar um casamento para continuar na mesma classe social. Mas quanto é preciso ter para ser rico? Pesquisas mostraram que invariavelmente achamos que é no mínimo o dobro que temos. A PNC Advisors descobriu que os ricos para se sentirem seguros respondem que é necessária uma quantia duas vezes a que têm. Quem tem patrimônio de 1 milhão diz que precisaria de 2,4 milhões, quem tem 1,5 milhão respondeu 3 milhões. A subjetividade implícita aos padrões de comparação entre nós e os outros.

No entanto, segurança não significa felicidade. Uma outra pesquisa realizada mostrou que menos da metade dos ricos norte-americanos concordava que a riqueza tinham os deixado mais felizes. Um percentual em torno de 10% considerou que o efeito foi o contrário, mais problemas vieram com o extrato bancário com diversos dígitos. Escolhas em demasia para canalizar o dinheiro, o receio de perder tudo, uma competição comparativa mais furiosa e brigas familiares. Os ricos tradicionais não faziam questão que seus filhos trabalhassem tanto, poderiam, por exemplo, colecionar mapas antigos. Os novos ricos pensam o contrário. E novos problemas aparecem nessas relações.

A competição e a comparação direta com aqueles que estão na subida da escada é uma das fontes da infelicidade. O efeito riqueza no mundo dos milionários influencia inclusive as classes dos andares de baixo. Tentando imitar certos padrões, o consumo excessivo ganha espaço junto com o tamanho do endividamento. Itens prosaicos, como uma churrasqueira portátil de 1000 dólares, parecem frugais, pois existe uma que custa 5000 dólares. Robert H. Frank concluiu que as coisas que sentimos que precisamos e aquelas disponíveis para comprarmos dependem das coisas que os outros decidem comprar.

A subida tem limites e isso nos frustra, pois sempre olhamos mais para cima aonde outros já chegaram. O sujeito compra um apartamento de R$ 2 milhões e se sente um perdedor quando entra no elevador com o vizinho, pois seu andar é o quinto enquanto o outro aperta o botão da cobertura. Pior se sua vaga de garagem for ao lado da dele. O seu Volvo não é nada perto do Bugatti que ele comprou. Vitórias parciais terminam como derrotas definitivas. Temos dinheiro em troca do tempo, mas o saldo de felicidade fica estagnado. Hora de rever seus conceitos.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Sua felicidade atropelada por um Bugatti

Estudo sobre a prosperidade – parte I

Este post não é um contraponto ao texto do pensador Leandro, publicado hoje no nosso blog, mas pode ser o outro lado da mesma moeda. Um complemento. O lado da prosperidade, que para muitos ainda não chegou a ser grandes riquezas, mas aquela sensação de estar constantemente melhorando. Mas aqui me basearei nos que alcançaram o sucesso financeiro de seus negócios. Recentemente, a revista VEJA dedicou duas capas ao tema da prosperidade e empreendedorismo. Dia 30 de novembro de 2011, a capa era “Pequenas empresas – As lições das vencedoras” e no dia 18 de Janeiro de 2012, a capa era Eike Xiaoping – Enriquecer é glorioso”. Diversas outras revistas de atualidades estão explorando o tema. Livros na última década já apresentam dados de pesquisas e de observação (“O Milionário mora ao lado”, por exemplo). Enriquecer está na moda. Parece que muitos no Brasil agora aceitam que existam pessoas que venceram e que podem consumir e ostentar muito, mas muito mais do que necessitam. Não vou entrar no mérito antropológico da questão, mas o Brasil está saindo da escuridão de centenas de anos de uma visão colonial e dando valor a quem empreende, faz fortuna, distribui emprego e renda e tem sucesso. E isso é bom. O ícone de muitos desta “Geração S”, de Sucesso e de Self Made Man, não poderia ser outro: Eike Batista e seus 30 bilhões de dólares de fortuna, sendo o oitavo homem mais rico do mundo e de acordo com ele, ser o homem mais rico do mundo não é mais uma meta. Com as empresas que já tem, em pleno vapor, já conseguirá alcançar isso. Para mim, um ato de orgulho, pois é brasileiro, pelo que tudo indica um bom cidadão e empresário e até o momento nenhuma falcatrua envolvida (pelo menos comprovada, pois quem alcança sucesso fica na vitrine). Começou pequeno e cresceu (Aconselho o seu livro, “O X da questão”). Apesar de o número de milionários no Brasil estar crescendo, ainda são poucos. Apenas 145 000 pessoas (2 x o estádio do Morumbi). Mas de acordo com o banco europeu Haliwell Bank, que fez o estudo, para ser considerado milionário a pessoa tem que ter: 1 milhão de dólares (1.8 milhão de reais, sempre pelo câmbio corrente) em bens e ativos com liquidez. Excluem-se da conta o imóvel que a pessoa mora, dois de seus carros e os seus rendimentos fixos mensais. Mesmo assim, a cada dia, 19 novos milionários no Brasil.

Mas o que notei lendo estas matérias:

– Quase todos tiveram sucesso nos últimos 5 anos

– Geralmente empreenderam segmentos que tiveram um boom de demanda, aproveitando os movimentos sociais de ascensão que tivemos no país

– Muitos fracassaram ou viveram muito tempo apertados, muito próximos de fecharem as portas

– Eram de certa forma especializados no segmento de atuação, muitos já tendo experiências anteriores em projetos não tão bem sucedidos

– Assumiram riscos calculados, mas grandes

– Depois de ganhar o primeiro milhão, não se acomodaram, foram para o próximo. Em média já possuem 2,1 milhões de dólares.

 

Mas não é fácil. Apesar de as estatísticas de mortalidade das empresas estarem melhorando, ainda são altas. Considerando que a cada semana são abertas no Brasil 10.000 empresas (2.000 empresas por dia útil), sabemos que: 27% morreram no primeiro ano e 46% não resistiram 3 anos, conforme o Sebrae.

A reportagem de Veja apurou 10 dicas, extraída das histórias dos empreendedores entrevistados, para que a sua pequena empresa tenha sucesso. A interpretação das dicas é livre e de minha autoria. São elas:

Não tenha medo de assumir riscos: Fácil escrever, difícil de se fazer. Só quem já empreendeu sabe o gosto amargo na boca que dá em algumas decisões que temos que tomar. Mas faz parte e é necessário.

– Não tente fazer tudo sozinho: O empreendedor autônomo será pequeno. Empreender para crescer e ter uma empresa de maior porte e sustentabilidade, tem que se compartilhar. Ter sócios, bons funcionários, líderes e parceiros. Sozinho não iremos longe.

– Inovação, sem gestão, não garante o sucesso:  A regra da inovação é clara. Pesquisas que analisam desempenho de empresas em bolsa, comparando as mais inovadoras com as menos inovadoras, se nota ao longo do tempo crescimentos de dois dígitos de diferença para o grupo das mais inovadoras. Mas, não adianta inovar e não ter capacidade de comunicar e comercializar o produto / serviço. Gestão é fundamental.

– Pesquise a fundo a concorrência: Sim, já era importante e agora é mais. Mas também não fique obcecado pela concorrência. Monitore, aprenda, acompanhe e em alguns casos imite ou faça melhor. Mas encontre os seus espaços únicos.

– Fique atento às novidades de mercado: Novidades podem vir de qualquer segmento, não necessariamente do seu. Portanto, olhar segmentos mais inovadores e diferenciados podem lhe trazer insights que podem ser adaptados a realidade de sua empresa.

– Não se prenda a uma única idéia: Uma coisa é persistência, outra é burrice. Também não quer dizer espalhar todo o seu esforço em dezenas de frentes e depois você não conseguir dar conta do recado devido ao fracionamento da energia e de recursos. Mas, a prudência também foi importante para muitos empreendedores, que acionavam o plano A e o plano B ao mesmo tempo.

– Planeje para voar mais alto: O planejamento é essencial, isso todos já sabem, mas ainda vemos pouco tempo e energia dedicado a isso nos projetos que iniciam. Planejar para atuar melhor, mais focado, irá lhe trazer resultados multiplicadores, que irão acelerar em muito na fase de execução do projeto. Dedique o tempo necessário ao planejamento.

– Trace metas e seja competitivo: Nada nos negócios funciona sem metas. Podem até ser informais num primeiro momento, até mesmo estarem somente na sua cabeça quando você ainda for sozinho. Mas quando começar a dar uma estruturação a empresa, as metas formais e comunicadas e a cultura competitiva devem prevalecer.

– Descubra uma necessidade – e saiba preenchê-la: Muitos negócios até identificam uma necessidade, uma carência, mas não sabem como preenchê-la com seus produtos e serviços. Desta forma, este ponto tem duas fases: (1) Identifique uma necessidade e (2) aprenda qual a melhor maneira de satisfazê-la. Muitas vezes você descobre isso observando ou perguntando diretamente para o usuário final.

– Fazer direito vale a pena: Se realmente decidir fazer algo, que seja bem feito. No longo prazo, o efeito cumulativo de inúmeros clientes bem atendidos será enorme e a chave do seu sucesso.

 

Enfim, são anotações, pensamentos e interpretações minhas, sobre as duas matérias citadas acima da revista Veja. Como não são nada conclusivas, coloquei parte I para este post. Um dia escrevo a parte II e vou aprofundando, camada por camada. Se quiserem indicar alguma matéria, coloquem no espaço de comentários, logo abaixo. Obrigado.

 

TEXTOS COMPLEMENTARES:

Era uma vez um empreendedor que tinha muitos sonhos…

Alimente a fogueira

 

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Gustavo Campos

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

 

Estudo sobre a prosperidade – parte I