Há poucos dias tive um choque de realidade ao assistir o documentário “Lixo Extraordinário”. Para quem não viu, trata-se do registro da execução de obras de arte com resíduos coletados no maior aterro sanitário do mundo: o Jardim Gamacho no Rio de Janeiro. Um projeto no qual o artista plástico brasileiro Vik Muniz conviveu por dois anos neste ambiente dramático.
Minha expectativa era de ver um contraponto estético permeado por alguma surrada crítica à sociedade consumista, mas encontrei muito mais do que isso.
O que se destaca na tela é o convívio do artista com pessoas verdadeiras, que são expostas a uma nova realidade na qual pela primeira vez são vistas como seres humanos e se surpreendem consigo mesmas ao serem instigadas a se imaginarem fora daquele ambiente.
O documentário se passa em um cenário surreal, onde o desespero convive com a dignidade e a ausência de auto-estima convive com o orgulho de se fazer um trabalho honesto. São pessoas que sabem da importância do que fazem, mas também são conscientes da falta de perspectiva de ingressar em uma sociedade da qual elas só convivem com os restos.
Minha perplexidade foi constatar que no meio do lixo existem pessoas como Tião, que criou a associação dos catadores inspirado por um livro de Maquiavel que ele leu depois de secar o seu chorume atrás de uma geladeira.
Poderia citar outros exemplos entre os sete catadores participantes do projeto, poderia também falar da emoção de compartilhar o processo de transformação de suas visões de mundo acompanhadas pelas lágrimas mais sinceras que já vi, mas acho que eu não teria a habilidade necessária para reproduzir em palavras o que as imagens transmitem.
Não vou cair na tentação de fazer comparações com os “heróis do Bial” e as ricaças deslumbradas que povoam os reality shows da nossa televisão, mas não posso deixar de expressar minha tristeza ao constatar que se dá tanto destaque para futilidades e celebridades efêmeras enquanto muitos valores verdadeiros se perdem em aterros sanitários.
Parabéns a Vik Muniz, um artista brasileiro internacionalmente reconhecido, pela iniciativa social (o lucro das obras foi integralmente revertido para a Associação dos Catadores) e principalmente pelo resgate da dignidade destas pessoas – nossos irmãos e irmãs que na maioria das vezes são tratados como lixo.
Trailer do filme:
Chamada do programa Mulheres Ricas:
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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