"A pressa passa, mas a m… fica"

Em algum lugar já disseram que as coisas urgentes tomam lugar das importantes. A sensação de tempo curto demais para tudo, apenas acelera o erro. Pior para aqueles que não sabem sequer o que é importante ou urgente. Em reunião crítica, o gerentão grita: “Olha, como ficou o gesso da loja?”. Estava mentalmente em outro lugar. Não na reunião que deveria estar. Já vi imersão de planejamento em que o dono do negócio ficava no telefone negociando carros. Surreal, mas muito real. Esses equívocos, às vezes naturais e não percebidos, são graves. Tão graves quanto mandar e-mails para mim pensando em vender as “utilíssimas” pulseiras Power Balance.

Um livro em que esbarrei alguns anos atrás com um título curioso, algo como 100 Empregos Idiotas, abordava diversas profissões, de meretrizes a consultores. Nesta segunda, destacava que era uma profissão na qual seu filho dificilmente consegue explicar para os coleguinhas de classe o que papai faz de verdade. Para que serve um consultor? Ouve algumas das pérolas diárias da gestão empresarial. E como um consigliere, tenta fazer com que o cinto da Prada seja um pouco menos importante do que a decisão que aquele diretor deve tomar.

Prioridades certas podem ter consequências desastrosas. Imagine as erradas. Junte um pouco mais de ingredientes e então destrua negócio e marca. Siga essa lista ao pé da letra com pressa e vai conseguir chegar lá bem rápido:

– Corte investimentos, concentre a tesoura em marketing e no desenvolvimento das pessoas

– Ouça muito a opinião dos vendedores, sobretudo quando aconselham a baixar o preço

– Delegue a gestão da marca para a agência, eles fazem comunicação então saberão como cuidá-la

– Pesquisas de mercado são inúteis, você conhece o mercado

– Não gaste nada com inovação (copie dos outros viajando 4 vezes por ano para Europa)

– Economize em design, isso é bobagem de moderninhos da hora

Para finalizar, foque tudo em preço e qualidade. Eles são sua tábua de salvação. O elixir para a supremacia do negócio. Lembre-se sempre que Deus está nos detalhes. O diabo está nos detalhes. E o branding está nos detalhes. A decisão está com você. Mas lembre-se a pressa passa, mas a outra fica.

Felipe Schmitt Fleischer

@fsf11

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"A pressa passa, mas a m… fica"

A internet mais cara do mundo

Frequento seguidamente os dois lados de uma sala de aula. Em ambos percebo que uma parte significativa dos alunos está em algum lugar qualquer. Menos ali. Como colega de classe pouco me atrapalha. Como professor a situação é um pouco mais desagradável. No entanto, não interfiro, as escolhas são individuais. Cada um gasta o seu dinheiro (ou o do pai e da empresa) como achar melhor. O tempo passa rápido demais. Os momentos únicos do ambiente universitário não vão durar para sempre. E quando a conta chegar será tarde talvez.

Poucos podem perceber isso agora. Inclusive tenho a convicção que fazem essa escolha baseados em que é a coisa certa a fazer. A aula em si não se encaixa na sua realidade, pois ela ainda não existe. O mundo de faz de conta de ‘estudar, viajar e sair’ não precisa de novos conceitos ou ideias provocativas. Basta um clique no curtir do Facebook e um tweet inexpressivo. Nos rápidos minutos que escrevi esse texto, em diversas salas das universidades, mais alguns aproveitaram a internet mais cara do mundo. E acharam isto uma escolha inteligente.

Felipe Schmitt Fleischer

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A internet mais cara do mundo

Super Brand Me

Que tal levar a vida envolvido em atividades difíceis e perigosas? Nada animador? E se tudo isso tiver um propósito: levar diversão às pessoas de forma que possam refletir sobre assuntos sérios. Essa é a vida de Morgan Spurlock. Conhecido mundialmente com seu Super Size Me, uma crítica aberta e crua ao modelo alimentar norte-americano baseado em lanches rápidos e calorias pesadas. Transformou a marca McDonald’s em uma inimiga da saúde, mostrando que o palhaço estava do outro lado do balcão.

Morgan não desiste. Em um estilo ligeiro e desafiador, lembrando os bons tempos de Michael Moore e seu TV Nation, encara as Continue reading “Super Brand Me”

Super Brand Me

Os Otimistas são os primeiros a morrer

O conceito comum e o politicamente correto sempre nos levam a crer que o otimismo é uma chave mestra para diversas situações. Se o pessimista é um derrotado antes de começar a lutar, o otimista é aquele que já vence metade da batalha antes dela começar. Será que isso é verdade? Em um dos seus livros, Jim Collins reapresentou a incrível história do almirante James Stockdale. Esse oficial norte-americano foi o prisioneiro de mais alta patente durante a Guerra do Vietnã. Sofreu durante 8 anos as agruras do cativeiro e de sessões de tortura terríveis nas mãos do inimigo. No entanto, sobreviveu e se tornou um dos militares mais condecorados de todos os tempos. A partir do seu relato e dos eventos que superou passou a ser utilizado o conceito do Paradoxo de Stockdale.

Esse paradoxo desconstrói a tese usualmente utilizada a respeito do otimismo. No campo de prisioneiros vietnamita, os otimistas sempre vislumbravam que a solução estava ali na frente. O resgate viria ou a guerra terminaria e logo seriam Continue reading “Os Otimistas são os primeiros a morrer”

Os Otimistas são os primeiros a morrer

O Império das Meias-Verdades

De tempos em tempos somos atingidos por declarações que parecem doutrinas da verdade absoluta. Em administração é particularmente curioso, pois a verdade de ontem é a mentira de hoje. E com chances de ressuscitar como verdade amanhã. Assim já vimos as mais diversas “ondas” de mantras para orientar os rebanhos de gestores ao redor do globo. Quem já não ouviu frases feitas como “globalize ou morra”, “o caixa é o mais importante”, “corte custos ou feche”, entre tantos. Na esteira de cada fase, livros e autores da vez são cultuados como os deuses do momento. O império das meias-verdades é o império das meias-mentiras.

A orientação das grandes corporações, sobretudo norte-americanas, durante os dinâmicos anos 80 era o resultado rápido, potencializando alavancagem de capital através de bolsa de valores. O caixa era a bola da vez. E para isso você pode realizar inúmeras Continue reading “O Império das Meias-Verdades”

O Império das Meias-Verdades

Por que os caminhões de bombeiros estão sempre limpos?

Apagar incêndios é uma expressão corporativa bastante comum em todas as esferas. Desde a alta direção até as atividades mais operacionais. Todo mundo algum dia, já correu para eliminar algum foco de fogo no negócio. Mas o pior ocorre quando grande parte do tempo passa a ser despendido nessa correria. As atividades urgentes consomem toda a energia e nada sobra para as atividades importantes. É o começo do fim da estratégia e de qualquer possibilidade daquela empresa tornar-se superior. O trivial vira crítico e o negócio acaba em mais um no mercado. E as empresas que não tem incêndios? Existem dois caminhos prováveis.

O primeiro é o do comprometimento estratégico. Da mesma forma que os problemas geram ação, a estratégia e sua execução devem gerá-la. Constantemente existe o desafio de colocá-la em Continue reading “Por que os caminhões de bombeiros estão sempre limpos?”

Por que os caminhões de bombeiros estão sempre limpos?

Que tudo pareça Verdadeiro como um Waffle Belga

Em uma esquina nada qualquer da península, uma bandeira da Bélgica indica o local para comprar legítimos waffles belgas. O vendedor que surge atrás da tímida banca, vestindo blusão verde escuro e bermuda, ajuda a comprovar a veracidade da proposta. Falando um espanhol com sotaque, cara de belga, jeito de belga, só pode ser belga mesmo. Não há como duvidar que você está diante de uma experiência real, a famosa receita dos waffles belgas está mais que preservada. Muito além dos ingredientes especiais e da diversidade de sabores está o produto ampliado que confere garantia de origem, qualidade e história.

Como toda proposta de produto ou serviço, é preciso que haja uma entrega de valor ao cliente. Este valor deve sobretudo ser percebido e corretamente precificado por Continue reading “Que tudo pareça Verdadeiro como um Waffle Belga”

Que tudo pareça Verdadeiro como um Waffle Belga

O Mundo é Seu

“O mundo é seu” é um bom slogan para o perfil de liderança que emergiu através da conquista de poder sem limites e que pensa e age como se fosse um super-herói. Isso se olharmos por um viés amigável, pois poderíamos fazer uma outra analogia, com a máfia. A organização criminosa sempre foi um prato cheio para o cinema, consagrou alguns atores e diretores e promoveu diversos filmes que empilharam tanto dinheiro na bilheteria quanto os chefões em seus cofres. O modelo de negócio mafioso desperta tanto fascínio que na sequência foram lançados games retratando personagens e situações vividas pelos (anti) heróis. Isso sem falar nos diversos souvenirs e itens de colecionador inspirados nestes clássicos e vendidos de Camdem Town às grandes redes de varejo pelo mundo.

Os anos 70 foram marcados pelo Poderoso Chefão (The Godfather) de Coppola. Uma máfia com cara e fala mansa, mas que por trás fazia valer a lei da bala e do dinheiro. Já nos anos 80, o nível de agressividade era substancialmente maior, seja no crime ou no mercado. Era das aquisições hostis, de mercados derivativos e do capital que podia ser multiplicado em poucas horas, às vezes por métodos nem tanto louváveis. Money rules. Uma clássica passagem de Scarface, o filme que marcou essa geração, mostra de maneira resumida a regra desse jogo.

Três décadas depois muita coisa mudou? Parece que os anos 80 ainda fazem muita sombra sobre o mundo de hoje. Se olharmos a crise econômica, ainda não resolvida, tem muito a ver com os dogmas oitentistas. Desregulamentação, mercados abertos, ganância como algo saudável. Não diferente disso, os líderes das organizações são apenas um espelho no andar de cima desse mesmo comportamento. A maximização do resultado o mais rápido possível, os bônus agressivos, os cortes violentos de custos e pessoas. Aquele brilho nos olhos procurado pelas grandes empresas em jovens vindos das classes mais baixas, talvez seja muito parecido com o que Tony Montana exibia no início de carreira. Agressividade pode ser positiva em determinado nível, mas desmedida geralmente termina de maneira trágica, para as pessoas e para as empresas.

Felipe Schmitt Fleischer

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O Mundo é Seu

Escolhas Ousadas

Poucos anos atrás o autor John Izzo publicou o livro Five Secrets You Should Know Before You Die (traduzido no Brasil como Os cinco segredos de uma vida plena). Costumo iniciar algumas palestras com essas histórias, todas verdadeiras, extraídas de pessoas reais que chegaram à plenitude da vida (ou mais próximas da morte). As conclusões são reveladoras e provocativas, especialmente para quem está começando profissionalmente. A primeira conclusão que Izzo apresenta é que as pessoas não se arrependem de seus fracassos. A grande maioria lamenta não ter arriscado mais. Muitos seguem suas carreiras com medo do fracasso, mas o autor conclui que tentar e falhar é algo com o qual conseguimos lidar. As pessoas mais felizes sentiram que tentaram concretizar seus sonhos e cresceram, tanto na vida pessoal quanto profissional. Logo, o livro e suas histórias indicam que nos arrependemos mais por não ter tentado realizar um sonho do que falhando ao fazer isso.

O interessante é que amostra utilizada por Izzo procurou vasculhar uma série de etnias, origens, profissões diversas, montando um mosaico que pudesse fornecer uma riqueza de enfoques para seu estudo. E independente dessas características que as tornavam tão diferentes, as visões olhando para trás tinham diversos pontos em comum. Do barbeiro ao CEO havia um uníssono tom na reflexão. As escolhas envolvem renúncias sempre, no entanto devemos estar muito mais preocupados com aquilo que podemos alcançar do que com aquilo que talvez percamos pelo caminho. Interessante observar que a mais recente campanha do whiskey Jim Beam intitulada Bold Choice criada pela StrawberryFrog NYC trabalha exatamente esse conceito das escolhas que entrelaçam nossas vidas e nos tornam únicos, próximos ou distantes daquilo que desejaríamos ter sido, através de competente atuação de Willem DaFoe.

Entre tantas descobertas de Izzo, uma última lição aprendida das pessoas entrevistadas: status e poder não são aquilo do qual irão se lembrar quando olharem para trás. Em vez disso, muitas pessoas disseram que são as coisas para as quais se doaram e as pessoas cujo crescimento tiveram sua contribuição, que darão a elas a sensação de satisfação. No final o comentário do barbeiro sentenciou: “A definição de sucesso não é representado pelo dinheiro na sua carteira e sim pelo número de almas que você tocou.”  E você, já fez suas, ousadas ou tímidas, escolhas?

Felipe Schmitt Fleischer

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Escolhas Ousadas

Mercado Prostituído

Competição é a força motora do mundo. Por mais que a igreja tentava pôr uma ordem superior à sociedade, Darwin desconstruía com a Origem das Espécies. E no cerne da sua idéia, a competição como dinâmica para a evolução. O território empresarial é apenas outra arena dessa luta interminável, aonde os competidores disputam espaços, sobrevivência e superioridade. Repetem uma coreografia já encenada inúmeras vezes. Mesmo estando presente na nossa genética, a competição é em alguns momentos desculpa ou crítica de alguns gestores, geralmente aqueles que estão em desvantagem na disputa. “O mercado está prostituído” é sua frase favorita.

 

Em poucos segmentos existe monotonia ou espaço para calmaria. Nos demais, cada % de participação, cliente, contrato, negociação são Continue reading “Mercado Prostituído”

Mercado Prostituído