Percepção e foco formam a “dupla dinâmica” do marketing e também da vida. É algo como sol e verão, voz e violão, música e refrão. Se completam, assim com a notoriedade e relevância, que responde não somente por “fazer perceber”… de aparecer, mas sim de significar, de dar sentido.
Vivemos um momento intenso no que diz respeito à indústria do entretenimento. Falando de grandes shows, a América Latina como um todo, em razão da crise de alguns países europeus e também dos Estados Unidos, passa a ser definitivamente parada obrigatória no circuito dos grandes artistas internacionais em atividade.
No meio disso tudo, o país da Copa do Mundo de 2014, da Copa América de 2015, das Olimpíadas de 2016, credor de uma dívida de mais de 200 bilhões de dólares dos EUA e um dos principais parceiros da China, economia de maior emergência nos últimos anos, é o palco central de tanta atividade.
Palco este de tantos holofotes, de tanta plateia, acaba por comportar uma curiosa diversidade de shows e não somente no campo do entretenimento.
No que diz respeito ao mundo dos negócios, percebo que o “show” da busca pela notoriedade, nem sempre esta afinada com a relevância. Abordam-se temas importantes e de impacto global, parecendo apenas para chamar a atenção e não ficar “por fora da batida” do momento. É bem verdade que temos organizações e pessoas de credibilidade que realmente estão preocupados em provocar um resultado efetivo em seus projetos. Isso pode ou não estar associado a temas impactantes. Porém, infelizmente nem todos possuem essa postura.
“Melhor reprojetar o motor, do que reinventar a natureza” dizia o anúncio da Mercedez. Abordagens como essa, nos saltam aos olhos diariamente.
Outro dia, assisti um vídeo sobre uma palestra de design, cujo ministrante era Phillipe Starck, reconhecido designer francês. Seu discurso, de forma despojada, porém clara e consistente, classificava três diferentes tipos de design.
- O design cínico: aquele que através de suas linhas arrojadas e sedutoras, se alia à publicidade com o único e exclusivo objetivo: vender por vender.
- O design narcisista: aquele que só vende o portfólio do próprio designer.
- O design de resultado: aquele que vai além. Gera consciência e por tal razão, vende.
Este, de fato dá show. Pode estar associado a temas, a produtos menos impactantes, mas não menos importantes. Falando ainda sobre preservação (neste caso dos dentes), quando aplicado a uma simples escova, não se preocupará apenas com o objeto, mas sim com o seu utilizador. A questão não é escova e sim a boca. A quem ela pertence, onde vive, o que come, quem beija…esse entendimento nos trará elementos que nos levará a um outro nível de poder de convencimento e relevância no que iremos propor.
Acredito que esta classificação se faça valer também no campo da comunicação. Vejo dia a dia propagandas que se encaixariam perfeito em pelo menos dois desses perfis, os quais são os menos indicáveis quando o assunto é sustentabilidade.
Penso que uma empresa que queira realmente levantar essa bandeira, deve de fato estar preocupada em “elevar o nível de consciência de seus colaboradores”, de todos os níveis. É uma postura que vai desde a separação do lixo, até mesmo o tratamento dos recursos utilizados em seu processo.
Não se resume a um anúncio de página dupla em revista, muito menos a 30 segundos de comercial na TV.
Juliano Colares
Pensador Mercadológico
@juliano_colares
