Mais do mesmo: a internet e o “novo” jornalismo.

Não há como negar a comodidade de começar o dia podendo acessar jornais de qualquer lugar do mundo, além de portais online para ter acesso às informações que nos interessam.

E sem as amarras do limite físico do número de páginas de um jornal impresso ou do tempo restrito do rádio e da televisão, o volume de informações pode ser ampliado consideravelmente, sem falar na agilidade de atualização, já que a disseminação do conteúdo não precisa passar por nenhum processo industrial.

E para encerrar a lista de vantagens ainda podemos citar a revolução da forma como o próprio jornalismo pode ser feito, uma vez que a reprodução e a distribuição de informações tiveram uma redução significativa de custos, tornando possível que praticamente qualquer pessoa participe do processo.

Tudo muito bem, mas…

Da “gilete press” para o “copy paste”.

Com todas estas novas possibilidades de produzir e divulgar informações, no campo do jornalismo, a maior parte deste conteúdo ainda tem como origem as grandes empresas de comunicação e atende os interesses (econômicos e políticos) de quem o produziu.

Todos sabem que qualquer órgão de imprensa é um filtro que escolhe entre tudo o que está acontecendo o que merece ser divulgado. Dentre os fatos contemplados com a exposição, cabe ao veículo jornalístico definir qual enfoque será dado, que elementos serão evidenciados e quais serão omitidos. Ainda tem a questão da contextualização, que é negligenciada em favor de uma pretensa objetividade – afinal, ninguém tem tempo para se aprofundar em nada hoje em dia certo?

Finalmente, apesar de uma ato-proclamada isenção é emitido um juízo de valor que, quando não é implícito, é assumido na forma de editoriais.
Com isto é formada uma percepção da realidade que está de acordo com o que querem que seja percebido como realidade.
Segundo o teórico cultural Stuart Hall “(…) os meios reproduzem a estrutura de dominação e subordinação que caracteriza o sistema social como um todo” (HALL apud FINNEGAN, 1975).

Muito do que se vê na rede é uma reedição do antigo “gilete press” – termo utilizado em emissoras de rádio que antigamente recortavam notícias dos jornais impressos para ler no ar. Hoje o que prevalece é o “copy paste” onde se copia e se republica o que uma (pequena) parcela da sociedade gostaria que fosse divulgado.

Para quem se interessa pelo que anda consumindo como verdade, vale assistir esta entrevista realizada ano passado com o jornalista Luís Nassif. São 15 minutos extremamente esclarecedores.

Nunca tantos tiveram tanta informação com tão pouca relevância.

As novas mídias aproximaram o jornalismo do entretenimento, com uma massiva oferta de elementos que proporcionam recompensas imediatas em detrimento da análise e reflexão. Desta forma os conteúdos que são mais acessados e divulgados referem-se a grandes tragédias, fofocas de celebridades e fatos bizarros e/ou engraçados que frequentemente são “viralizados” ocupando nosso tempo – aquele mesmo tempo que ninguém mais tem para se aprofundar em nada.

Você acredita em tudo que vê?

Como qualquer ferramenta, a eficácia das novas tecnologias depende de quem as utiliza. Se o jornalismo que está disponível na internet traz consigo os anacronismos da imprensa tradicional, não haverá software ou hardware que aprimore o seu conteúdo.

A imprensa há muito abriu mão do seu papel na construção de uma sociedade melhor, mas ao migrar para as novas plataformas, assumiu uma postura ainda mais próxima do entretenimento e da manipulação a serviço de antigos interesses.

Cabe a nós utilizarmos melhor estas novas ferramentas e dedicarmos um pouco do nosso tempo para que não deixemos que outros construam a nossa visão de mundo.

Do you believe in what you see?

Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
http://www.businesspress.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.
Gostou do que leu? Espalhe as boas ideias, conhecimento se compartilha!

http://www.pensadormercadologico.com
http://www.facebook.com/pensadormercadologico
http://www.twitter.com/blogdopensador

Mais do mesmo: a internet e o “novo” jornalismo.

Quem não se comunica… se perde na carreira

Tenho visto com curiosidade ao longo dos anos o efeito das comunicações no ambiente empresarial. Tão poderoso instrumento é muitas vezes negligenciado na estratégia de desenvolvimento das organizações e os resultados, muitas vezes, levam ao buraco.

Parece óbvio a todos que o ciclo da comunicação deva ser claro, objetivo e compreensível para que quem receba a mensagem consiga compreender exatamente aquilo que o transmissor desejou transmitir. Simples em teoria, na prática muitas vezes isso não acontece. E por diversos motivos: timidez, vergonha, prolixidade, falta de objetividade, inconsistência no discurso e vários outros que vocês lembrem. A comunicação clara é como uma caminhada: se andarmos centenas de metros e voltarmos ao ponto de origem sem nenhum incidente, não houve nada de errado, o básico foi feito. Do contrário, se tropicarmos e cairmos, algo saiu errado.

Comunicação deveria ser básica, todas as mensagens transmitidas deveriam ser levadas de forma clara ao interlocutor porém os tropicões são muito mais comuns na vida real. Percebo que a maneira como nos comunicamos parece ser a ideal para a gente, mas quantos de nós se põe no lugar da outra parte quando vai transmitir uma mensagem? Uma coisa é passar uma mensagem a um grupo de vendedores. Outra diferente é transmitir algo a um grupo de médicos. E o mesmo vale para interlocutores de diversos níveis educacionais. É necessário um esforço de entender o ponto de vista da outra parte e adequar o discurso para que este seja compreensível. Talvez determinado tipo de palavras caia bem a um grupo e não sirva para outro. O próprio tom de voz e o gestual também prestam grande influência na entrega do conteúdo. Existe, ainda, um outro aspecto que prejudica a comunicação: subjetividade, ou seja, passamos uma mensagem de maneira incompleta usando pressupostos de que a outra parte entendeu o que queríamos dizer, mas não deixamos claro o que deve ser entregue. Dou um exemplo real que aconteceu comigo certa vez. Um chefe em viagem pediu que eu completasse os dados de uma planilha que ele estava trabalhando. Recebi a seguinte mensagem e esta foi toda a informação que obtive: “preencha as células amarelas”. Abri o arquivo e vi três células pintadas de amarelo. Eram títulos de colunas de dados. Além destas, achei no arquivo diversas outras células amarelas que também poderiam ser a informação solicitada. Como agir em uma situação destas me parecia óbvio: ligar e esclarecer, mas o chefe estava no exterior e com o fuso horário avançado esta não era uma possibilidade conveniente. O que de fato fiz, e ai entrou a minha subjetividade baseada em experiências anteriores e convívio com este chefe, foi tentar imaginar qual daquelas células amarelas deveriam ser preenchidas e preenchi as colunas (que estavam em branco) abaixo das células amarelas. Ignorei as demais células desta cor ao longo do arquivo. Aparentemente funcionou porque o chefe não contestou o meu trabalho nem sequer mandou um e-mail dizendo se estava certo ou errado, se deveria ter feito diferente (mas isso é para um post sobre chefes incompetente que tive ao longo da vida) mas fica óbvio que a comunicação foi falha do início (entrega da mensagem) ao fim (entrega do resultado). Um pouco mais de informações deixaria tudo mais simples.

O que é importante termos claro é o poder de uma comunicação bem feita onde B entenda o que A quis dizer. E que não se perca tempo precioso buscando traduzir uma informação mal dada ou incompleta, pois isto afeta a produtividade, causa retrabalhos e, lá no final das contas, rouba o resultado do seu empreendimento.

Seja claro, seja breve, entenda o seu público e não trabalhe com interpretações, porque eu sou diferente de você, que é diferente de outros e o que cada um faz com uma informação pode resultar em resultados diferentes, muitos deles longe daquilo que é o resultado final esperado.

Altair Moraes

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

****************************************

Quem não se comunica… se perde na carreira