Existem empresas vaga-lumes, onde nesta época do ano despertam magicamente para a estratégia. Resolvem reunir os seus principais executivos, consultores, agencia de comunicação e outras pessoas importantes para uma pauta extensa de planejamento estratégico durante dois ou três dias em um hotel. Daí se discutem os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades, ameaças, metas, desempenho, ações e por ai vai. Depois desta imersão voltam todos exaustos por mais um final de semana perdido na vida. E a semana começa e tudo volta ao normal. Talvez alguns mais motivados mostrem mais serviço, mas os mais calejados já sabem que o que vale mesmo destas imersões é você comer bem nas refeições e se mostrar interessado para a diretoria, pois o resto é um bla-bla-bla sem fim e sem muito sentido para os dias de hoje. Talvez seja melhor não fazer nada e deixar as coisas indo como estão. Pelo menos não se perde o final de semana e diversas horas de trabalho anteriores preparando relatórios e apresentações que depois não serão lembrados.
Mas qual a solução? Pelo menos algumas práticas podem solucionar o problema, aproximando a ferramenta das necessidades atuais e do contexto em que os negócios hoje estão inseridos.

Primeiramente conceitual.
– O planejamento é uma ferramenta da administração, muito antiga, pensada em uma época muito previsível e controlável. Este mundo não existe mais em mercados que vale a pena competir. Temos que ajustar as técnicas, ferramentas e modelos de debate, modernizando o processo.
– O planejamento não é um evento de 2 ou 3 dias e sim um processo continuado. Até podem fazer um evento para dar o start do processo, mas o problema é achar que isso é suficiente e o resto do ano vamos executar o que planejamos. Na realidade, em muitas imersões de planejamento, na prática apenas se cataloga o que está hoje acontecendo e que comprova o caminho que já está sendo tomado, deixando a todos na empresa um pouco mais tranquilos na sua zona de conforto. Você pode ter meetings ao longo do ano de debate estratégico, ampliando o tempo que este tema ocupa na pauta e fazendo com que o caminho escolhido para ser percorrido seja sempre questionado.
Em segundo lugar, técnico.
– Fazer do planejamento um intenso jogo, onde durante o ano todo tenhamos o nosso plano de metas sendo discutidos em função do planejamento iniciado e as mudanças de cenário que estão acontecendo. Este jogo pode até ser no formato de uma grande gincana, com tarefas, pontos e comemorações. Até mesmo prêmios e bonificações por méritos parciais. Mas para isso uma boa equipe deve ser responsabilizada por gerenciar este processo.
– Continuando com a ideia acima, envolver o tema planejamento em um programa de endomarketing, onde seja amplamente comunicado a todos os pontos discutidos, de forma a envolver e comprometer o pessoal com o assunto. No mínimo mante-los bem informados.
– Parar de achar que você é o centro de tudo e que tem a verdade do mercado na sua cabeça. Você pode ser uma grande empresa, ter um bom resultado, mas mesmo assim, não estar sendo muito eficiente. Recursos podem estar vazando e isso pode significar muito no futuro próximo. Faça pesquisas de mercado para todos os segmentos de público que você atua e considere estes dados como o centro de seu planejamento. Com dados que alimentem a todos os temas que serão debatidos, você tornará o seu planejamento uma ferramenta científica, poderosa e que irá diminuir o risco de todas as decisões.
– Um complemento com o ponto de cima, parem de tomar decisões sobre opiniões e suposições. Usem fatos para sustentar diagnósticos e planos de ação. Uma opinião bem sustentada, por alguém de credibilidade, como um gerente comercial ou diretor, pode levar toda a organização para um caminho errado.
– Não respeitem hierarquia, ou melhor, criem um ambiente onde todos podem falar o que julgarem importante e todos os temas que seja necessário votar para entender o direcionamento que deve ser dado tenha o peso dado de forma igual a todos os participantes, sendo diretores, gerentes, assistentes ou terceiros. Se foram convidados para a reunião é que são importantes, então, o cargo fica para depois. Neste momento são todos estrategistas e devem apresentar fatos e dados que poderão indicar caminhos alternativos e de melhores resultados.
– Façam protótipos e experimentos. De uma reunião de planejamento, por melhor que se tenham dados e fatos disponíveis, é aconselhável que os programas que sejam pensados passem por um período de protótipos e experimentos em mercados-teste. Praças menores, observáveis e que possam nos dar mais informações para melhor orientar uma implementação em maior escala. Mas tudo isso feito com metodologia mas de forma rápida, pois corremos o risco de sermos copiados.
Enfim, são dicas simples, para transformar uma importante ferramenta administrativa, o planejamento estratégico, em algo mais útil e mais integrado ao mercado competitivo e dinâmico dos dias de hoje. Muitas outras ideias podem ser adicionadas, mas a intenção do post é apenas provocar o pensamento para a mudança.
OBS. 1: Este é o segundo texto da série “Parem de fazer…”. O primeiro eu abordei o tema Convenções de vendas e pode ser visto no seguinte link: Pare de fazer convenções de vendas!
OBS. 2: Este assunto faz parte do treinamento de melhoria da performance “52 práticas, em 52 semanas e uma nova e melhor empresa no final“, desenvolvido por Gustavo Campos.
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Gustavo Campos
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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.
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Principais fontes consultadas para este artigo:
– Minhas experiências pessoais e profissionais
– Um olhar atento de consultor e analista de mercado
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