"Eu estou pagando!"

Tenho o sentimento que a expressão “eu estou pagando” substitui hoje em dia a antiga expressão “tu sabes com quem estás falando?”. Antigamente, bastava você ter um sobrenome de poder ou ser bem relacionado e dar um “carteiraço”. Hoje em dia, parece que até isso tem o seu valor (em moeda), e o seu poder de compra é que manda na situação. Vemos nas escolas, professores e diretores reféns de sistemas de ensino baseados em metas de conquista de alunos, faturamento e outros índices que fazem com que o sistema tenha que passar os alunos independente do mérito. Se algum aluno ficar para trás, três coisas podem ocorrer: (1) ele irá trancar uma vaga de um aluno novo = menos faturamento; (2) ele poderá deixar a escola por não gostar de ter sido reprovado = menos faturamento e (3) a imagem da escola poderá ser manchada, pois lá “os professores não ensinam os alunos” (e não que alguns alunos não querem se esforçar para passar) = menos faturamento. Vemos também o comportamento “eu estou pagando” no comércio, em restaurantes, em shows, etc, basta ficar atento e observar. Definitivamente, em todos os lugares existem, pessoas que acham que se estão pagando não precisam seguir regras e podem fazer o que quiser. Também vemos este comportamento, em algumas empresas (talvez em grande parte das empresas). São famosas as histórias de pessoas que são muito sociáveis, dóceis até, e que quando vestem o papel corporativo, se transformam em uma  Miranda Priestly, do fantástico filme “O Diabo Veste Prada”. Por estarem pagando salários para seus empregados ou faturas para seus fornecedores, acham que podem “cagar na cabeça” e sapatear, fazendo o que quiserem e quando quiserem. Estão pagando! Comportamentos assim mostram duas coisas: (1) a empresa tem sérios problemas, pois contrata e sustenta pessoas assim, que deformam valores históricos de civilidade nos negócios e nas relações e (2) estas pessoas, tipo “Miranda”, escondem enormes fraquezas e inseguranças, e tem que se sustentar no cargo pela demonstração agressiva de seu poder. E o pior de tudo que os fornecedores compram este jogo e aceitam, pois o “cliente está pagando”. Exemplo disso são agências de comunicação, que salvo algumas raras exceções, quase todas se rendem ao faturamento do cliente e são patrolados todo o dia por ditadores corporativos (“faça de novo”;  “não está bom”; “tu sabes o que estás fazendo?”; “se não fizer direito eu vou te tirar”; “eu te pago quando eu quiser”, etc).

Talvez eu ainda não esteja bem preparado emocionalmente para aceitar estes comportamentos, mas eu não consigo e não aceito jogar isso. Mesmo que no curto prazo possa significar perda de faturamento para a minha empresa. Se a relação começa a se deteriorar para esta direção de poder unilateral e aceitação submissa de outro lado, eu abandono o barco. Geralmente a relação é rompida por uma briga feia, pois também não saio desta situação sem falar algumas verdades para o coitado do cliente. Eu chuto o pau da barraca e boto fogo. Acredito que não será por um ou outro cliente que não entende regras simples de um bom relacionamento comercial que irá me impedir de vencer e crescer na vida. Hoje me orgulho de relações profissionais que tenho de mais de 10 anos de trabalhos contínuos. Mas também sou conhecido por rompimentos de conta, pelos motivos acima expostos (muitas vezes teatrais / coisas de cinema). Mas o ponto é: Você pode estar pagando, mas precisa de um relacionamento fantasiado (pois a pessoa não tem este comportamento fora da empresa, apenas quando está assinando seu sobrenome corporativo) de poder e submissão para que você realize suas metas? Será que um sistema transparente, com responsabilidades bem definidas, com entendimento mútuo das necessidades de ambas as partes, não seja mais favorável a negócios duradouros e até mesmo a uma vida mais saudável? Por um momento, seria possível este cenário? O que se perderia nele? O que se ganharia? Creio que os ganhos sejam maiores do que as perdas. As perdas são elementos que devem desaparecer, tais como: submissão irrestrita, controle total e uma empresa-parceira (imagine uma agencia de comunicação) menos criativa, que somente entrega a tarefa do jeito que o cliente quer, mas não a melhor tarefa cumprida (o que a agência pode fazer, no seu máximo). Por outro lado, Kurt Vonnegut já dizia: “Cuidado com aquilo que finges ser, porque tu és aquilo que finges ser”. E este aviso serve para os dois lados. Se você finge ser cruel e controlador, do lado do cliente, você é assim. Se você é submisso e não impõem nenhuma idéia, pelo lado do fornecedor, você é assim.

Por fim, um pedido meu para você pensar. Quem sabe, neste próximo ano, você e sua empresa decidam tomar uma postura um pouco melhor e deixem de aceitar qualquer atitude de seus clientes. Devemos sim nos comportar bem e cada vez melhor com nossos fornecedores, com respeito, selecionando os que melhor entenderem esta nova postura e fazer deles seus melhores parceiros de negócios. Um exemplo a ser seguido e multiplicado. Por outro lado, sua equipe de atendimento e equipe comercial deve saber se impor mais em campo, honrando o seu histórico profissional, os valores de sua empresa, sua marca e a ética profissional. Se notar que estás sendo abusado em uma relação profissional, tente acertar novamente os ponteiros. Se ainda assim não conseguir resultado, eu recomendo duas atitudes: (1) saia como um gentlemen (mais aconselhável) ou (2) saia chutando tudo (dependendo da situação, este é o recomendado). Mas, de uma ou outra forma não atue como menino medroso e aceite as condições. Seus clientes irão tratá-lo conforme você se apresenta e age. Cuide bem de sua imagem, cuidando da sua postura e entrega.

Espero que tenha sido uma leitura útil e agradável.

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Gustavo Campos

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

 

 

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