Pergunta de final de semana: Você é de reclamar ou ficar quieto?

Eu deveria ter reclamado. Um dos indicadores levados em conta para a ANATEL cancelar as vendas das operadoras de telefonia celular foi o número de reclamações no PROCON. No RS não foi suspenso, e eu continuo com a TIM falhando, me enviando torpedos de ligações perdidas onde nem tocou o telefone, com sinal EDGE na maior parte do tempo, pois o 3G não funciona e em alguns lugares, saindo da capital uns 10 KM, já tem sombras que fazem com que a ligação caia. O “você sem fronteiras” é algo que limita você a ficar embaixo de uma antena deles, caso contrário você já cruzou a fronteira.

Viajo muito pelo Brasil, principalmente pelo interior, e pude ver a cobertura 3G da VIVO funcionando na mão dos meus parceiros de viagem (a única que não teve serviços cortados, das grandes operadoras) enquanto eu fiquei com EDGE a maior parte do tempo, pelo interior de SC, SP e MG. Pois é, eu não reclamei. Fiquei quieto. Não exerci o meu direito e paguei por algo que não recebi. Espero que isso sirva de lição para mim e a suspensão de vendas de lição para todas as operadoras melhorarem os seus serviços e entregarem o que divulgam em suas campanhas. Neste momento, seu eu fosse o Wagner Moura, eu estaria arrependido de ir para a TV e fazer aqueles comerciais. E eu? Ainda com a TIM, mas pensando em mudar.

Mas, será que isso irá dar certo ou irá virar uma batalha judicial de mandatos de segurança para lá e para cá? Vamos acompanhar como será os próximos capítulos na sequência dos dias.

Então, a pergunta do final de semana é: Você é de reclamar ou ficar quieto?

Pense nisso! Da próxima vez que ficar em dúvida se deve reclamar ou não, faça. Deixe a sua opinião. A força do consumidor está cada vez maior e o que acontece em um segmento começa a servir de exemplo para os outros.

Bom final de semana e vivam pelos seus direitos

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

Pergunta de final de semana: Você é de reclamar ou ficar quieto?

Posicionamento Sustentável e Branding

“Amigos, amigos, negócios à parte.” Jargão bastante utilizado e que conta com a concordância da maioria das pessoas. Agora troque a palavra Negócios por Marcas. Que acha? Transforma-se em verdadeira antítese do Branding. Vimos no post Branding e Posicionamento de Marcas Esportivas -parte 3 que uma gestão de marca deve ter entregas muito honestas. Afora isso torna-se um discurso vazio de conteúdo. Deve-se buscar o que chamamos de Posicionamento Sustentável, marca e negócio alinhados no mesmo sentido. Scott Galloway afirma que “a marca é o semblante de uma estratégia de negócio”. Nada mais verdadeiro. Quando as setas de marca e negócio apontam caminhos diversos o resultado é geralmente trágico. Unibanco e Toyota que o digam. O primeiro apontou a seta da marca (ser um anti-banco) e esperou que o negócio viesse junto. Não veio, o Itaú agradeceu. A segunda, para alcançar a obsessão em ser a montadora número 1 do mundo (seta do negócio), esqueceu seu principal ativo, a credibilidade da marca.

Em entrevista recente, a diretora de criação da Wolff Olins (atende a conta da Adidas) afirmou Continue reading “Posicionamento Sustentável e Branding”

Posicionamento Sustentável e Branding

Marcas, promessas, fracassos e rankings

Belos comerciais na televisão destacando uma identidade de marca, às vezes brincalhona, amiga ou ao lado das pessoas em todos os momentos. Ou vinculação com causas ou artistas inovadores, empolgantes discursos nos quais são construídas aquilo que se convencionou chamar de promessa de marca. Uma rápida visita a lista dos maiores anunciantes do Brasil, divulgada pelo Meio & Mensagem, mostra que os segmentos de telefonia e bancário encontram-se nos primeiros lugares do ranking. Ou seja, dinheiro em volume é despejado nas mídias para garantir que todos ouçam, com frequência e repetição, suas promessas e o porquê nós consumidores deveríamos escolhê-los ante seus concorrentes. Todas caracterizando estratégias de marca planejadas e com alto poder de impacto.

Grandes promessas geram grandes expectativas. E o que acontece quando testamos os serviços prestados por esses segmentos, essenciais tratando-se de comunicação, dinheiro e transporte? As promessas de marca desmoronam na primeira ligação para o call center das empresas. Não existe nenhum vínculo entre o discurso e a prática. Lembrando que o call center é somente acionado pelo cliente, quando geralmente já houve algum tipo de problema ou frustração com a marca. O contato com o “outro lado” é o cemitério de qualquer estratégia de marca. E por que isso ocorre? As estratégias de marca estão completamente desalinhadas com as estratégias de negócio. São setas que apontam caminhos diversos, um promete o paraíso, o outro te leva ao inferno. E quando isso acontece, as palavras ficam vazias de sentido e os milhões de reais em planejamento e anúncios são desperdiçados. No mesmo dia em que uma companhia aérea nacional lançava a possibilidade de compra pelo YouTube, em um ousado movimento multicanal, seus vôos tiveram diversos cancelamentos por todos país devido a problemas operacionais, abandonando seus clientes nos pouco simpáticos saguões dos aeroportos.

A posição de cliente em situações de contato direto com as empresas é quase que kafkiana, perdido nos labirintos e no gigantismo das estruturas dessas mega-corporações, pouco consegue fazer para resolver os problemas. Lembra a colocação de Zygmunt Bauman em seu clássico Modernidade Líquida, aonde o indivíduo antes estava acostumado a uma situação na qual sabia quem era o capitão e nele podia confiar (nem sempre sabiamente) e agora descobre que a cabine do comandante está vazia e que não há maneiras de extrair informações do piloto automático sobre para onde o avião vai. Não há mais responsáveis facilmente localizáveis, as soluções passam por diversas pessoas e setores que invariavelmente nada podem fazer. Sem sair da metáfora proposta, a situação encontra paralelo nos aeroportos brasileiros e nos checks in das companhias aéreas.

Toda vez que empresas optam, deliberadamente ou não, por confrontar estratégias de marca e negócio, os frutos colhidos não são saborosos. Recentemente a marca Toyota amargou essa situação. Possuindo como um dos seus pilares centrais, a de ser uma marca confiável (um dos selos de garantia de qualidade colados na grande parte das empresas com made in Japan), a empresa foi em busca de sua outra grande obsessão: ser a montadora número 1 no mundo. E para avançar nessa estratégia de negócio, teve que afrouxar alguns controles e ampliar a produção acima dos limites nos quais poderia garantir os níveis de confiabilidade tradicionais. Justamente o eixo central da marca foi enfraquecido para que a meta fosse alcançada. As setas estratégicas se chocaram. O resto da história a imprensa ampliou com devido destaque, sobretudo pelo recall recorde de veículos no mercado norte-americano.

Os erros das empresas são cometidos a medida que se esquece o que a marca é e promete ser para seus clientes e como de fato ela age diante deles. Então antes da promessa de marca é preciso identificar o que podemos entregar, o que está presente na genética do negócio, a fim de que haja sentido no discurso. Recentemente o Procon divulgou o seu ranking das marcas mais demandadas, ou seja, aquelas em que o cliente sofreu séria frustração e teve que recorrer ao órgão de proteção do consumidor. No topo da lista muitas marcas que figuram na lista dos 30 maiores anunciantes do país em 2009 (fonte M&M) e, alguns, também em outro ranking famoso, aquele das 25 marcas brasileiras mais valiosas (fonte Interbrand). Resta saber se os cálculos financeiros de valoração de marcas vão conseguir algum dia captar a erosão causadas àquelas que constantemente confrontam estratégias de negócio e marca de forma esquizofrênica, pois no sentimento de seus clientes o valor (perdido) é diariamente contabilizado.

Felipe Schmitt Fleischer

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

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