O Maoísmo foi uma corrente do comunismo baseada nos ensinamentos do líder chinês Mao Tse Tung que realizou um expurgo dos intelectuais na China nos anos 60.
Segundo Jaron Lanier, um dos maiores conhecedores de realidade virtual no mundo, a disseminação gratuita de conteúdos pela internet pode estar contribuindo para o surgimento de um “maoísmo digital” já que compromete a remuneração do trabalho intelectual de músicos, jornalistas, fotógrafos, ilustradores e outros intelectuais.
Não existe almoço grátis
Reconheço que o assunto é extremamente polêmico e entendo que a solução não passa nem perto da famigerada SOPA (Stop Online Piracy Act), que pretende criminalizar a disseminação de conteúdos.
Mas não há como negar que a internet no seu modelo atual é um grande negócio para os sites de busca e de relacionamento, que usufruem gratuitamente destes mesmos conteúdos enquanto lucram com a publicidade alimentada pelos dados que nós usuários lhes fornecemos também sem cobrar nada.
Já quando o assunto é a produção, o buraco é mais embaixo. Para ficar no exemplo da música, os (poucos) intérpretes que tiveram suas carreiras alavancadas pela internet estão obtendo retorno financeiro principalmente com apresentações ao vivo. Uma alternativa que não é viável para os compositores que sobrevivem exclusivamente de direitos autorais sobre CDs vendidos.
Ok, isso não é problema seu e enquanto você puder baixar músicas de graça (qualquer semelhança com almoço grátis não é mera coincidência), tudo bem.
Porém quando este modelo começar a atingir outras parcelas da sociedade além de artistas e músicos haverá perda de poder e empobrecimento destas categorias e a riqueza irá se concentrar cada vez mais nos detentores do poder da estrutura atual da internet.
Desta forma o compartilhamento gratuito é comparado à troca de produtos entre camponeses medievais, que nunca sairão da sua condição de pobreza e estarão sujeitos ao poder cada vez mais concentrado do castelo do feudo.
Mas quanto você quer pagar mesmo?
Jaron Lanier defende que a internet seja aberta, mas não totalmente de graça, dentro de um parâmetro que tem suas origens nos primórdios do conceito de internet nos anos 60. A ideia inicial era o de que os usuários pudessem trocar os seus bits entre si com valores acessíveis, o que permitiria a remuneração e o consequente estímulo ao trabalho intelectual.
Na prática, cada gerador de conteúdo precificaria seu trabalho. Se ele tivesse um pequeno público fiel de alto poder aquisitivo, poderia cobrar mais caro. Se a sua base fosse maior, poderia cobrar menos ganhando em escala. E nada impediria que ele disponibilizasse gratuitamente sua criação se acreditasse ser uma estratégia de divulgação válida.
Trata-se de um sistema de micropagamentos que remuneraria não só quem gera conteúdos profissionalmente, mas todos que tivessem suas postagens acessadas. Assim você receberia uma quantia cada vez que alguém lesse seu post ou assistisse seu vídeo.
Não tem conclusão, só reflexão
Trata-se de uma questão controversa e cabe lembrar que não foram abordadas aqui as oportunidades que estão se abrindo, mas é um tema relevante levantado por uma fonte altamente qualificada. Lanier ajudou a construir este novo mundo e, segundo suas próprias palavras, é um sistema que não dará certo.
Quem produz conteúdo precisa ser pago, não só para sobreviver, mas para garantir a qualidade da sua produção. Afinal, os melhores talentos não se conformarão em passar fome em troca de reconhecimento.
Da minha parte o que posso dizer é que atuo há muitos anos com produção intelectual, que é difícil de tangibilizar, e aprendi que substituir dinheiro por divulgação não funciona.
E você, o que pensa a respeito?
Críticas, contestações e pontos de vista diferenciados são sempre bem-vindos.
Entrevista de Jaron Lanier onde ele fundamenta suas restrições ao modelo atual da internet.
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
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Sobre Jaron Lanier:
É um dos maiores conhecedores de realidade virtual da atualidade, por ser um dos primeiros a estudar o tema e construir produtos nesta área desde o início dos anos 80. Por suas ideias sobre a internet a revista Time o elegeu uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Lanier também foi um dos pioneiros do Vale do Silício e um dos fundadores da Wired, a mais importante revista sobre o universo digital dos Estados Unidos. O termo “Maoísmo Digital” é de sua autoria.

