Um efeito inegável das redes sociais é a polarização dos discursos. No caso específico do fenômeno Michel Teló, uma corrente esgota todo seu estoque de adjetivos depreciadores para desqualificar o cantor, sua música e seu público enquanto o contra-ataque vem dos que qualificam os críticos como elitistas e invejosos.
Da minha parte não tenho nada contra o rapaz e para mim a sua música tem o valor de um pacote de salgadinhos industrializados, que tem momentos para serem consumidos, mas não são recomendados como uma dieta padrão.
O negócio é levar alegria para o povo
O que eu acredito é que este fenômeno é mais um exemplo de uma produção cultural voltada para um mercado ávido por entretenimento de fácil assimilação, pela recompensa imediata. Então se cria um círculo vicioso: cada vez mais novos consumidores são forjados dentro deste perfil, aumentando uma fatia de mercado que recebe cada vez mais investimentos.
E aí é que está o problema: a dieta cultural da grande maioria da população é composta predominantemente por sal, gordura e açúcar, (novelas, programas de auditório e fofocas de celebridades).
Gosto não se dicute. Será?
Uma criança que viva em uma casa onde só há TV aberta vai aprender a gostar das atrações que se apresentam no “Domingão do Faustão” e similares, formando um gosto que depois será proclamado como uma autêntica manifestação de uma cultura popular.
Concordo que há momentos que devem ser ocupados pela futilidade descompromissada, mas me preocupo quando vejo cada vez menos espaço para a disseminação da sutileza, da reflexão e do refinamento.
Considero Michel Teló apenas mais uma onda de um tsunami cultural que vem assolando a grande mídia. Um produto fácil de assimilar, fácil de vender e fácil de substituir. E quando ele deixar de proporcionar tanto retorno financeiro, surgirá mais um sucesso de apelo “popular” com uma nova dancinha que todos irão aprender.
100 milhões de fãs não podem estar errados
– O single “Ai se eu te pego” chegou ao primeiro lugar em Portugal, Espanha e Itália, ultrapassando gente como Adele e Lady Gaga;
– 100 Milhões de acessos – Vídeo mais visto na história do Youtube no Brasil;
– 240 Shows no ano de 2011;
– 10º Pessoa mais acessada no Google Brasil;
– Está entre os 10 vídeos músicas mais vistos no mundo pelo Youtube.
Claro que esta é uma receita que algumas vezes dá mais certo do que em outras e no caso de Michel Teló superou todas as expectativas. Tanto que foi citado pela Revista Forbes como um fenômeno mundial comparável a Ronaldo Nazário, Gisele Bündchen, Ronaldinho Gaúcho e Carmen Miranda.
E todo este sucesso deve estar sendo amplamente avaliado para tornar possível a sua continuidade e/ou repetição. Em resumo: as coisas mais simples (para não dizer outra coisa) recebem cada vez mais investimento e divulgação, formando cada vez mais gente que gosta de coisas mais simples, aumentando cada vez mais o mercado de coisas mais simples…
Que Deus nos proteja do que está por vir.
Pra relaxar, segue outro estilo de música brasileira que é sucesso internacional:
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
http://www.businesspress.com.br
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