Uma questão de perspectiva

Entre tantas tiradas geniais, Woody Allen disse certa vez que era muito difícil fazer previsões, sobretudo a respeito do futuro. Tem em grande parte razão, se considerarmos em perspectiva os erros colossais que já foram cometidos por organizações dos mais diversos segmentos em atividades de planejamento. Existe uma complexidade em antecipar os acontecimentos seguintes, mesmo aqueles diretamente correlacionados com ambiente competitivo conhecido. Porém os erros não podem servir de desculpas para a falta de planejamento, ou de colocações já presentes na linguagem natural da empresas, do tipo “o papel aceita tudo”. Talvez não apenas o papel aceite tudo, mas as pessoas se omitam de responsabilidades também.

 

Em um clássico filme dos anos 50, dois recém conhecidos se esbarram em um táxi de uma grande cidade e dialogam:

“Você tem um problema”, afirma o homem.

“Por que?” retruca o outro.

“Porque não parece tê-los!” finaliza o observador.

Pensar que sabemos tudo e que dominamos grande parte das variáveis do nosso negócio é perigoso e pode ser o indício principal que estamos com um grande problema. Esse comportamento em muito pode ser explicado por um mecanismo de autodefesa: não queremos e não gostamos de transparecer fragilidade. Imagine alguém descobrir que tenho dúvidas sobre meu negócio? Ou se alguém disser que sabe mais do que eu sobre minha própria empresa? Nada demais. Suponha que você esteja em uma esquina qualquer de sua cidade. Acontece um acidente a 2 quarteirões dali. Você não fica sabendo de nada, porém o sujeito pendurado em um andaime no vigésimo andar do prédio ao seu lado vê tudo e sabe em detalhes o que aconteceu. Isso o torna superior? Não. Isso não significa que esse sujeito é mais inteligente ou esperto que você. Apenas estava em outra perspectiva, nesse caso, mais privilegiada.

O detalhamento de cenários dentro do planejamento tem a utilidade de explorar as alternativas existentes, positivas e negativas, que podem impactar seus negócios em um horizonte de tempo. Quanto mais informação conseguir elencar mais riqueza de possibilidades estará disposta. Da mesma forma, opiniões e visões externas, sejam de pesquisas, relatórios de tendências, consultores especializados diversificam as perspectivas e as chances de enxergar melhor o que acontece (e pode acontecer) a sua volta. Em 2006 ficou célebre o bilhete recebido pelo goleiro Lehmann durante a cobrança de pênaltis contra Argentina na Copa do Mundo. Tão famoso que acabou sendo leiloado por uma pequena fortuna posteriormente. Em palavras escritas a lápis, estava descrito como os principais jogadores argentinos batiam penalidades e qual era o canto favorito de cada um. A “cola” e a segurança proporcionada por ela ao goleiro, ajudaram a Alemanha naquela emocionante decisão.

 

Para avançarmos nesse tema é preciso desmitificarmos conceitos. Prever futuro não pertence à ciência da Administração, mas à cartomancia e assemelhados. Dentro do planejamento não utilizamos fórmulas mágicas que nos permitem visualizar com detalhes o que nos espera na próxima estação. Mas cercamos um conjunto de informações relacionados diretamente ao tema e que podem dentro de um grau de probabilidade impactar o desempenho, os consumidores, as vendas e os competidores. Ao ajustar as velas do nosso barco precisamos saber de onde o vento está soprando, para termos melhor aproveitamento e conseqüente velocidade. Imagine que mesmo com o sensacional reposicionamento realizado pela São Alpargatas para sua marca Havaianas se a tendência de comportamento casual não tivesse prosperado em paralelo, os resultados seriam muito diferentes dos obtidos.

 

O ambiente de elaboração da estratégia deve estar recheado de inputs mercadológicos de fontes diversas, devidamente organizados, de forma que funcionem como balizadores do alinhamento da organização, auxiliando no ajuste dos objetivos que serão buscados. Dificilmente teremos as respostas para todas as questões, pois o ambiente de competição é permeado pelo risco e espreitado pela incerteza. Cabe aos estrategistas, reduzir ao máximo o espaço do incerto que é alimentado pelo desconhecido, tornando mais amplo o terreno propicio para a execução estratégica. Amplie a perspectiva de visão!E bons negócios!

Felipe Schmitt Fleischer

Uma questão de perspectiva

Dica de gestão 47 de 300

– VENDA PARA SEUS CLIENTES, CONTINUAMENTE –

Tenho uma vocação para continuar a vender para os meus clientes, projetos de resultado, interessantes, de forma continuada. Com isso, tenho clientes em carteira há 7 ou 8 anos. Esta dica parece ser bem óbvio para mim, mas vejo que para muitos, é um segredo, algo valioso, a ser conquistado. Tenho amigos empresários que são muito bons, mas muito bons mesmo, em conquistar clientes, cada vez maiores, cada vez melhores. Só que não conseguem manter a conta por mais do que um projeto, digamos 3 ou 4 meses. O projeto inicia, é implementado e finalizado com qualidade. Mas não conseguem vender um segundo projeto na sequência. Não conseguem, durante o projeto, abrir a mente para os projetos-continuidade, como chamo. O melhor momento de “cavar” outros projetos, é justamente quando se está executando um projeto.

Durante um projeto, temos acesso franco a informações, a deficiências do cliente, aos seus problemas e podemos alinhar a nossa prestação de serviço a tudo aquilo que o cliente valoriza. Portanto, informações muito privilegiadas para um processo de nova venda de projetos. Aproveite para conversar com outras pessoas de dentro da empresa. Pessoas que no projeto original podem não ter interesse ou contato com o seu serviço, mas que possuem níveis de influências distintos, necessidades únicas e muitas outras demandas.

Por fim, lembre-se que você tem sempre em mãos, para cada projeto, uma balança de confiança, que pode pender para qualquer dos lados. Faça tudo para colocar peso para o seu lado, para que seu nível de confiança esteja sempre no alto.

Até a próxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

http://www.focal.com.br

Dica de gestão 47 de 300

Dica de gestão 21 de 300

– COMO VENDER UM PROJETO PARA UM INVESTIDOR? –

Creio com fé que existem pelo menos três fatores importantes para se ter sucesso na venda de projetos, sendo eles: (1) adequação do projeto com o investidor. Tem que estar dentro do seu rol de interesses. (2) Você, como responsável pelo projeto, deve estar completamente envolvido no benefício entregue ao investidor, apresentando com muita motivação e entusiasmo. São aspectos comportamentais que podem definir o negócio. (3) Critérios e informações técnicas apresentadas de forma profunda, mas sintética. Eis um dos piores paradoxos de se resolver. Mas é o desafio.

Em pouco menos de 20 slides, acabei de montar um projeto que trará de benefício algumas centenas de milhões para os cofres do investidor, se for aprovado e implementado. Tenho muita certeza nisso. A estrutura que segui, de forma bem sintética, mas profunda, é a seguinte:

  • —Objetivo
  • —Cenário da oportunidade
  • —Definição de negócio
  • —Posicionamento do novo negócio
  • —Sinergia das marcas do Grupo
  • —Estratégia
  • —Oportunidades
  • —Riscos e ameaças
  • —Canais de vendas
  • —Mercado: Fatores Críticos de Sucesso
  • —Mercado: Concorrentes
  • —Mercado: Marcas
  • —Proposta de valor
  • —Plano de expansão
  • —Plano de vendas 2010
  • —Projeção financeira

Tudo isso ricamente ilustrado e embasado com dados e pesquisas.

Então a dica é: estruture corretamente projetos de que gosta e encontre potenciais investidores para as suas idéias. Tem que ser colocado no papel. Assuma este risco e transforme seus sonhos em realidade. Seja sintético mas profundo na apresentação de dados que confirmem suas colocações.

Até a proxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

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Dicas de gestão 13 de 300

– COEFICIENTE DE SEGURANÇA –

Chamo de coeficiente de segurança a margem de recursos (sejam eles financeiros, humanos ou recursos materiais), necessários para uma boa gestão de um projeto. Realizamos muitos projetos ao longo de um ano, e por mais que tenhamos planejado os detalhes, o futuro não se consegue prever com tanta assertividade. Mas é isso que é o bacana. Planejar, se preparar e treinar para as mais diversas situações. A partir deste ponto, “entrar em campo” e estar preparado para o inesperado, o impensável ou composições destes dois fatores ao mesmo tempo.

É quando as exceções começam a surgir, que se faz necessário o coeficiente de segurança. Eventualmente, teremos que recuperar um atraso. Isso exigirá mais recursos, de qualquer natureza. Refazer algo que não saiu conforme o esperado. Reagir a variações não previstas ou impactos de variáveis não-controláveis. Obviamente, que isso exigirá energia, recursos e ação de liderança imediata. Ao mesmo tempo, não podemos onerar as propostas e nem inchar nossa organização com recursos sobressalentes. Além dissto, temos que entregar o projeto na mais alta qualidade possível. Isso que é a grande arte de se trabalhar com projetos com a preocupação de ser o melhor no que se faz. Por fim, aconselho sempre a imaginar os imprevistos e se preparar para eles, mantendo o bom humor, pois eles certamente irão acontecer.

Até a proxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

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Dica de gestão 04 de 300

– PROJETOS –

Palavra que conheci com o sentido mais interessante através da leitura de Tom Peters. Projeto é algo que vai lhe acompanhar durante toda a vida profissional, mas dificilmente você aprenderá a lidar com isso. A menos que treine. Projeto é algo com inicio, meio e fim. É algo que precisa de liderança motivante e aglutinadora. É algo com um sentido tão único, lógico e necessário que as pessoas brigam por participar. É algo que precisa de metas e indicadores para acompanhar a sua evolução. É algo que após finalizado você olha para a sua obra (projeto acabado) e sente orgulho.

Como dica, aconselho a não envolverem as mesmas pessoas em muitos projetos. Uma pessoa deve se identificar com o projeto que este deve fazer parte de seu curriculo, após a sua finalização. Organize uma agenda de reuniões periódicas para acompanhamento do projeto. Agora, duas dicas que valem o post: (1) Se algo der errado no projeto, reúna a equipe imediatamente e discutam o problema. Façam encontros seguidos, rápidos, pois isso alivia a pressão e motiva o grupo, mesmo na adversidade. Oriente e deixe ser orientado. (2) Comemore a cada pequena vitória, não apenas no final.

Até a proxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

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