Parece “ontem” que meus pais discutiam sobre me colocar ou não em uma aula de datilografia, pois acabava de completar 10 anos. Sim, minha história começou pelo idos dos anos 70 (quase 80), no maior clima paz e amor. Diria que um pouco mais de amor. Tanto que acabei chegando por aqui. Foram anos dourados os da infância, onde perguntar “quer ser meu amigo?” já bastava para sair brincando e desenvolvendo ali uma série de relações. Tão diferente de hoje.
Bem, saudosismos à parte, mas o assunto em discussão de meus pais, hoje já não faz o maior sentido. Inevitavelmente, nosso mundo moderno afetou de modo muito significativo a maneira como nossos “pimpolhos” se comportam.A efervescência tecnológica e o acesso á informação por diversos meios, faz com que se comportem, dadas circunstâncias, como verdadeiros “mini-adultos”. São espertas, rápidas de raciocínio, espontâneas e com respostas na ponta da língua.
Estudos mostram que o QI (quociente de inteligência) tem se elevado em aproximadamente 20 pontos de uma geração para outra. Conhecido como “efeito de Flynn”, em homenagem ao cientista político James Flynn –o primeiro a relacionar essa elevação à mudança de geração–, o fator tem sido atribuído à melhor nutrição e à maior escolaridade. Mas a principal responsável por isso, segundo especialistas, é a aproximação da tecnologia _brinquedos eletrônicos e computadores_ à vida dos pequenos.Trocar as brincadeiras de rua e o contato com os amigos por horas na frente do computador também têm seus aspectos negativos. Segundo o neuropediatra Mauro Muszkat, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), atividades pouco lúdicas interferem na capacidade de contextualização. Esse abandono de atividades tradicionais está deixando as crianças de 10 anos fisicamente mais fracas do que as de uma década atrás. Elas se cansam rápido, são menos capazes de se pendurar em uma parede ou barra, e têm geralmente menos massa muscular.
“As crianças entendem as informações mais rapidamente porque são ‘treinadas’ com jogos de videogame. Em compensação, o grande número de informações reduz a capacidade de armazenamento”, afirma. Em outras palavras: a capacidade de comparação e de análise dessa avalanche de informações fica reduzida. A criança absorve e compreende tudo o que é transmitido, mas, na hora de colocar essa quantidade de informações em prática, fica sem saber o que fazer”, diz Cláudia. Outro aspecto negativo pode ser a redução da criatividade. “Se o brinquedo já ‘brinca sozinho’, exige menos da criança”, avalia ela.
O aumento no QI não significa, necessariamente, que as crianças de hoje sejam mais inteligentes. “Ainda não dá para avaliar como isso pode se refletir na personalidade delas quando se tornarem adultas”, acredita Muszkat. Por via das dúvidas, uma das maiores formas de estimular a criatividade não chega a ser um segredo: deixar a criança brincar à vontade.
Por hora, vale resgatar até mesmo o script da campanha do Citybank, veiculada aqui em SP no ano apassado:
• “Crie filhos em vez de herdeiros.”
• “Dinheiro só chama dinheiro, não chama para um cineminha, nem para tomar um sorvete.”
• “Não deixe que o trabalho sobre sua mesa tampe a vista da janela.”
• “Não é justo fazer declarações anuais ao Fisco e nenhuma para quem você ama.” …
• “Para cada almoço de negócios, faça um jantar à luz de velas.”
• “Por que as semanas demoram tanto e os anos passam tão rapidinho?”
• “Quantas reuniões foram mesmo esta semana? Reúna os amigos.”
• “Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Mas não se esqueça, vírgulas significam pausas…”
• “…e quem sabe assim você seja promovido a melhor ( amigo / pai / mãe / filho / filha / namorada / namorado / marido / esposa / irmão / irmã.. etc.) do mundo!”
• “Você pode dar uma festa sem dinheiro. Mas não sem amigos.”
E para terminar: “Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço.”
Juliano Colares
Pensador Mercadológico
@juliano_colares
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