Quando todos param

Quando inventaram o telefone, muitos acreditaram que seria o fim das correspondências. Quando inventaram o cinema, muitos pensaram que seria o fim do teatro. Desde quando inventaram a internet, ainda existem muitos que acreditam que será o fim dos jornais e das revistas. Quando inventaram o celular, muitos pensaram: quem vai querer carregar isso se tem telefone no escritório? Em mais de 20 anos de trabalho no setor calçadista, posso dizer que muita coisa mudou. E por mais de uma vez eu ouvi que “agora é o fim do calçado no Brasil”.

Eu gosto muito de inovação e de mudanças. Mas vejo muita resistência quanto a isso. Historicamente, algumas empresas cresceram muito mais do que as outras, e com medo de perder o que conquistaram com tanto suor, iniciam processos de padronizações, que tendem a rejeitar jeitos novos de fazer o que deve ser feito. Desde a produção até o atendimento ao cliente, passando pela venda e pelo marketing, se busca ser melhor em executar o que já fizemos no semestre passado. Neste contexto, melhor pode significar mais rápido e mais barato, ou seja, mais eficiente. Mas no segmento de moda, indústria e varejo estão ligados por uma corda e quando um dos dois inova mais, acaba puxando o outro para cima.

Hoje esta corda está bem curtinha, fazendo com que toda a semana tenham tensões nesta relação, pois uma inovação gera uma mudança na maneira como eram feitos os processos e a dinâmica dos negócios sofre um impacto. Algumas vezes é a indústria que puxa a corda, mas na última década foi o varejo o responsável por estar esticando a corda para cima e forçando as marcas a trabalharem mais. Eu não acredito que nada vai acabar, mas estes ciclos de renovação fazem com que muitos players do mercado se atrasem e a sua corda arrebenta. Sem nenhuma união entre indústria e varejo, estes players não fazem mais negócios e somem.

Em especial em épocas como esta que estamos vivendo, marcas no passado nasceram e se sobressaíram quando os ventos se tornaram novamente favoráveis. Acredito que é quando todos param que devemos acelerar. Pelo menos para aqueles que são bem administrados e possuem uma reserva de recursos, energia e inteligência para ir conquistando o mercado que antes era difícil. Quando todos os concorrentes preferem retirar suas ações da mesa chamada mercado, é hora de você apostar todas as fichas e pagar para ver. Quando todos param, é hora de você acelerar.

Bons negócios, saúde e prosperidade

 

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

 

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Quando todos param