Como apreciador da literatura sobre gestão, liderança e negócios já recebi várias dicas de como, ao final das contas, aumentar o resultado do meu trabalho, departamento e empresa. Muitas foram úteis. Suas dicas fizeram sentido quando aplicadas. Outras foram absolutamente ineficazes, totalmente desconexas com a realidade empresarial. Surreais, ousaria dizer de algumas delas.
Um dos temas que gosto de estudar é a administração do tempo. Considero isto um fator crítico de sucesso para praticamente tudo o que se faça, e não apenas nos negócios. Uma simples ida ao cinema já demanda um exercício de cálculo do tempo que levaremos para trocar a roupa, o deslocamento até a sala, as filas da bilheteria e da pipoca. Em uma atividade profissional, onde a complexidade de situações é maior que uma singela atividade de lazer, o correto gerenciamento do tempo pode fazer a diferença.
Acredito que tolerância e paciência são qualidades nobres e importantes na vida. Na atividade profissional, podem ser uma armadilha, porque você deve estabelecer seus limites. Suponha que você marcou uma reunião com outros colegas de trabalho e nenhum deles apareceu na hora combinada. Quanto tempo você estaria disposto a esperá-los? Cinco minutos? Meia hora? Três horas? Não penso que a maioria das pessoas aceite esperar por três horas, mas talvez cinco minutos de atraso seja algo razoável. Será?
O gerenciamento eficaz do tempo consiste em reduzir suposições. Deixe claro que se as pessoas não aparecerem em até X minutos (sua tolerância e paciência definem este período) a reunião estará cancelada e mostre quais serão as possíveis conseqüências desta postergação. Isso nada tem a ver com ser desagradável. Apenas deixa claro quais são as suas expectativas e dá a noção de compreensão dos limites.
Lembro de quando passei algumas semanas estudando na Inglaterra, alguns anos atrás. Estava morando em uma casa de família e a dona da casa era alemã. Em uma de nossas conversas ela reclamava dos atrasos dos trens na Inglaterra e como os ingleses conseguiam tolerar que um trem chegasse dois minutos atrasado na estação. Disse-me que, se isto ocorresse na Alemanha, ao completar o primeiro minuto de atraso já haveria várias pessoas protestando e cobrando pontualidade da empresa que prestava o serviço ferroviário.
Confesso que nunca prestei atenção se os trens ingleses atrasavam dois minutos porque eu estava admirado em ver uma programação de horários indicando que o trem chegaria, digamos, às 14:02 horas na estação. Talvez em alguma das vezes que utilizei o serviço o trem tenha chegado minutos depois do horário divulgado, mas eu não dei importância. Para mim aquilo já era muito melhor em termos de cumprimento de prazos do que eu estava habituado a receber no local onde moro. O que isto mostrou, na verdade, é que minha tolerância ao atraso é maior que a média do povo alemão. Ou, ao menos, maior que a daquela senhora alemã que me hospedou. Meu limite de tolerância é mais amplo.
Somos ensinados a ser tolerantes; entretanto a intolerância é igualmente importante quando podemos usá-la para proteger nossa vida contra os ladrões do tempo.
Defina seus limites, deixe os outros sabê-los e seja um pouco mais dono de seu tempo.
Altair Soares de Moraes
Pensador Mercadológico
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