O que mudaria se você desaparecesse amanhã?

Muito já se falou de propósito. O sentido das coisas, dos negócios e das ações. Mais do que produtos e serviços, as marcas que desejam estabelecer uma posição forte precisam de propósito. Algo verdadeiro e profundo que vincule seus ideiais com aqueles que as pessoas acreditam e perseguem. Mas como encontra-lo?

Recentemente se tornou popular um diagrama que compara o processo de aprendizado ao desafio de sair de San Francisco e chegar em Londres. O método de aprendizado mais lento é o de “aprender pela leitura”. Seria como tentar chegar a capital inglesa caminhando,  mais de 1800 horas de viagem.  Na sequência vinha “aprender indo a escola” (usar uma bicicleta e chegar depois de 366 horas), “aprender de um mentor” (usar um carro e viajar 85 horas), “aprender fazendo” (tomar uma avião e depois de 11 horas aterrissar em Londres).

No entanto, o método mais rápido sugerido pelo Fundersand Founders foi “aprender através de assumir grandes riscos”.  Seria como pegar um foguete e chegar de San Francisco a Londres em apenas 33 minutos. Enquanto os 3 primeiros métodos tem chances pequenas ou medianas de alcançar o destino, este último tem altas probabilidades que você chegue lá. Aviso, com riscos. Algo como pular na água. Ou você afunda e morre ou nada e se salva. Se nadar, levará menos de 1 minuto para aprender.

Uma das perguntas mais perturbadoras postas a um empreendedor é o que aconteceria se sua marca desaparecesse no dia seguinte. Quem se importaria? F. Scott Fitzgerald falava: “Não escreva porque você quer dizer algo. Escreva porque você precisa dizer algo.” O que você precisa dizer? O que sua marca traz de novo, diferente e valioso para as pessoas?  Uma das boas analogias do branding é comparar a competição a um jogo de memória, semelhante aqueles baralhos de cartas nos quais temos que encontrar aonde estão os pares. Eu tenho um problema e preciso encontrar a carta (a marca) que pode resolve-lo.

E como vencer o jogo da memória? O que você entrega para as pessoas que ninguém mais está entregando? E de fato, você acredita que o que faz traz alguma diferença para você, sua vida e a vida das pessoas que fazem negócio com sua marca? Aqui temos o ponto de união entre o propósito e sua capacidade de aprender e dar certo em seu empreendimento. O método mais rápido e com maior chance de sucesso é o da tomada de riscos. Você é capaz de se desfazer de todas as economias para cair de cabeça em um novo negócio? Claro, você só fará isso se o novo negócio tiver um mínimo vínculo com seu propósito e com as coisas em que acredita. Como ensina o livro Rework da 37signals, o melhor jeito de dar certo é “coçando a própria coceira” e colocando você na sua marca. Então as chances de dar certo e não ser facilmente clonado são muito grandes. Disposto a entrar no foguete? Ou sua marca pode morrer amanhã sem ninguém saber?

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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O que mudaria se você desaparecesse amanhã?

O quanto você é livre para tomar decisões?

Com base em muitas pesquisas que faço, percebo que a maior parte dos consumidores não gosta de assumir (e talvez nem de pensar nisso) que são influenciados no que costumam consumir. Todos preferem imaginar que tomam as suas decisões, sem nenhuma influência. Mas o julgamento que fazemos no momento da compra usa de muitas influências e paralelos com situações já conhecidas. Imagine a seguinte situação:

“Você chega em uma cidade que nunca tinha ido, de férias, e decide ir almoçar. Vai na rua principal da cidade e existem dois restaurantes. Um deles o dono está na frente entregando o cardápio para os que passam, tentando convencer as pessoas a entrarem em seu estabelecimento. Entretanto, está vazio. No restaurante da frente o dono está na frente, controlando algumas senhas de umas 10 a 15 pessoas que esperam mesas para sentar. Está cheio. Você pode até ir no restaurante vazio, mas provavelmente irá ser influenciado pelo movimento do outro restaurante. “Se está tão cheio assim deve ser o melhor da cidade e este vazio não deve ser nada bom” é uma mensagem que automaticamente sua mente fala para você. O mesmo acontece quanto a bares e boates. “Se está vazio não deve ser bom”, nossa mente nos diz.”

Hoje vivemos muito sob a sombra da aprovação social. O marketing estuda as forças sociais e culturais para entender e até prever um pouco dos comportamentos humanos. Sem teorizar muito, boates fazem questão de deixar uma fila na rua pois se tem fila é bom. É um sinal. Mas ao mesmo tempo, existe toda a busca em ser diferente, exclusivo, ter e parecer ser único na multidão (se tem fila é bom, mas eu quero ser VIP e furar a fila). O mundo perfeito, pelo menos para muitos, seria o que todos aprovariam determinada roupa antecipadamente, mas só existisse uma única peça a ser vendida e quem comprar tem automaticamente uma “garantia” de aprovação social e ao mesmo tempo é algo diferenciado.

As influências estão por toda a parte, através de plataformas multissegmentadas de comunicação e da observação da sociedade. Se este princípio não fosse tão forte pesquisa de mercado não definiria grande parte de eleições políticas, as blogueiras de moda e de qualidade de vida não estariam faturando alto e não se investiria tanto em celebridades em campanhas de comunicação. Enfim, os ciclos de consumo são muito interessantes. Queremos ser livres (e de certa forma somos, mas psicologicamente muitas vezes nem tanto) para tomar nossas decisões, mas não queremos assumir riscos elevados em comprar produtos sem que exista esta aprovação social. Ao mesmo tempo, queremos ser únicos e em grande parte somos. Cabe ao marketing, suas marcas e estrategistas estudarem e equalizarem este jogo, que não é fácil mas é possível.

Outros textos que abordam perspectivas deste tema:

Quais os riscos envolvidos no que fazemos ou consumimos?

Ninguém vai mais lá. Está muito cheio!

O medo nosso de cada dia

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1197684

O quanto você é livre para tomar decisões?

Melhor morrer correndo riscos do que entediado

As pessoas sempre querem alcançar tudo que desejam. Ou pelo menos deveria ser assim. Convivemos com os dilemas das escolhas, entre arriscar para conseguir algo e ao mesmo tempo poder perder outro que possuímos. As grandes estórias dependem disso para serem grandes. Se a falha de um protagonista custar apenas sua vida voltar ao normal, essa estória não é interessante para ser contada. Seja no cinema, seja na vida.

Quando encontramos marcas pequenas ou médias, invariavelmente seus sonhos e metas miram o céu. Atingir milhões, bilhões de vendas. Somente nos Estados Unidos há 27 milhões de empresas registradas, mas apenas em torno de 2.000 delas alcançaram US$ 1 bilhão de vendas ao ano. Um percentual inexpressivo perto do universo de empreendedores. De cada 100 novos negócios no Brasil, apenas 5 sobrevivem ao teste dos 5 anos de atividade. E os outros? Será que todos fracassaram?

Seres humanos falham sobre pressão. Corredores caem, jogadores tremem e gestores cometem erros. Tentamos nos cercar do máximo de informação e detalhismo para conquistar a (falsa) sensação de tudo estar sob nosso controle. Desenhamos mapas e estratégias pensando que os mesmos são traduções perfeitas da realidade. Riscos não são facilmente controláveis. Muito menos em sistemas complexos, como o mundo dos negócios, com milhares de interações, algumas sequer conhecidas. Segundo o sociólogo de Yale, Charles Perrow, podemos chamar de “acidentes normais” aqueles que esperamos do funcionamento típico de uma operação tecnologicamente complexa. Como os negócios, as empresas e as marcas que conhecemos.

O psicólogo canadense Gerald Wilde registrou que em certas circunstâncias, mudanças que parecem tornar mais segura uma organização, na verdade, não a torna. Porque nós tendemos a contrabalançar redução de riscos em uma área com o aumento em outra. Freios ABS nos fizeram acelerar mais, faixas de pedestres têm mais acidentes que esquinas que não as têm. Arriscamos-nos mais com a impressão de corrermos menos riscos. Aeronaves mais seguras não reduziram tanto as taxas de acidentes, pois queremos mais passagens baratas e voos pontuais, independente do clima e do estresse das tripulações.

Após riscos que resultaram em fracassos, como bons e preocupados seres humanos, tratamos de investigar as causas e achar os culpados. Um pouco de hipocrisia, já que nosso comportamento natural tende a eliminar segurança por novos riscos, como vimos acima. O certo é que isso faz parte da essência da vida, onde cada passo nosso está em rota de colisão com algo: bom, ruim ou indiferente. Chamamos de sorte, azar, destino ou qualquer outro termo. Certeza apenas é que, entre todas as mortes, a pior delas é a de tédio.  
 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Melhor morrer correndo riscos do que entediado

Se Steven Seagal for o cozinheiro do navio

O interessante canal History traz na série chamada Universo as mais recentes descobertas da física teórica. Para quem não é iniciado no tema, a física teórica busca através de sofisticados modelos matemáticos e conceitos prever de modo racional fenômenos físicos. Alguns desses fenômenos jamais foram observados, ou seja, existem apenas em teoria. Entre essas situações está a existência de universos paralelos convivendo simultaneamente. Nesse modelo os universos seriam como bolhas de sabão flutuando no espaço. Dentro da teoria, poderíamos em algum desses universos ainda assistir Elvis fazendo shows em Vegas, ou até mesmo você estaria descansando naquela piscina durante suas férias. Mas como chegar lá? Há também outra teoria: buracos de minhoca. Seria uma espécie de atalho pelo qual você viajaria no espaço e chegaria mais rapidamente a estes lugares. Incrível você pode estar pensando (outros pensaram em férias eternas).

Tudo isso é fisicamente (e matematicamente) possível. Em suma, racionalmente existe. Em um dos capítulos dessa série foram apresentadas 10 maneiras de aniquilar a Terra. Uma mais fantástica do que a outra. No nível mais bizarro, bastaria trazer poucos gramas de algo chamado matéria estranha e todas as coisas do planeta, prédios, carros, muros e pessoas tornar-se-iam estranhas, perdendo sua forma original, virando uma espécie de imenso mingau. Essa matéria estranha é formada de quarks (partículas subatômicas) e teve sua existência provada também. Falamos de eventos que geram incredulidade aos mais esclarecidos, mas fazem parte da vanguarda de uma ciência exata. O que poderíamos dizer da administração, cuja carga de exatidão é extremamente discutível? Há matemática, porém há pessoas. Há razão, no entanto muito sentimento.

Dos absurdos, espanta a quantidade de “métodos” e “certezas” apresentados na gestão, seja na busca por respostas importantes ou na necessidade de encaixotar modelos. Centenas de livros e publicações, palestras e eventos, consultorias e experts, todos tentando trazer as respostas certas para as perguntas certas. Mas será que elas existem? Assim definitivas? Desconfie de todos que afirmam ter encontrado algo absoluto. Você não é o centro do universo. Imagine que enquanto escuta uma música em alguma estação de rádio, centenas de outras emissoras continuam executando outras canções sem quem as ouça. Assim como questiona a poesia, o que o espelho exibe quando não estamos na frente dele? Até mesmo a lei das probabilidades joga a favor (e contra). No livro As aventuras de um roteirista de Hollywood, William Goldman cita o executivo de estúdios David Picker que disse: “se eu tivesse dito sim a todos os projetos que recusei e não a todos os que aceitei, a coisa teria funcionado mais ou menos da mesma maneira.”

A agradável imagem rica e complexa de um ambiente empresarial resumido a uma fórmula parece tentador, mas pouco provável (veja mais em Sucessos Êfemeros). Mais crível é quem proponha isso estar com uma quantidade considerável de matéria estranha em mãos para aniquilar sua empresa, destruindo marcas, pessoas, processos e relacionamentos. Como naquele navio que tem Steven Seagal como cozinheiro, você fique certo que pouca coisa estará inteira no final. Assim pode-se sentir quando algum gestor der sinais que sabe tudo e tem todas as respostas definitivas. Mas para arrefecer a preocupação, as palavras de Carlos Pena Filho podem ajudar:

“Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e transitório

E de que ainda tens uma saída

Entrar no acaso e amar o provisório”

Felipe Schmitt Fleischer

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Se Steven Seagal for o cozinheiro do navio

Encontre Seu Mapa

Conta uma antiga história do final do século XIX que certa tropa do exército húngaro fazia manobras militares nos Alpes. Certa manhã um destacamento de homens foi enviado para exercícios nas montanhas, no entanto imediatamente após sua saída do acampamento, as condições climáticas começaram a se deteriorar rapidamente. O tempo fechou, com forte nevasca combinada com uma queda brusca de temperatura. O comandante que havia ficado já demonstrava sinais de preocupação. Quando os soldados não voltaram no tempo combinado, o pior passava pela sua cabeça, havia enviado seus homens para a morte. E esse sentimento de desespero e desesperança acompanhou os dois dias seguintes, quando no final da tarde foram avistados os soldados retornando. Uma festa aconteceu no acampamento, já que muitas davam certo que teriam que resgatar os corpos de seus companheiros.

Mas o que tinha salvo esses homens? O comandante após longos abraços questiona o que tinha acontecido afinal. Um dos soldados conta que após a nevasca eles se deram contam que estavam perdidos. A noite se aproximava e não sabiam direito o que fazer, além do desespero tomar conta da tropa. Foi então que um outro soldado vasculhando os bolsos de sua farda encontrou um mapa. Alívio retomado. Então resolveram montar acampamento ali mesmo e esperar o tempo melhorar. Quando isso aconteceu, olharam o mapa de novo, tentaram entender mais ou menos onde estava e partiram para o caminho de retorno à base. E assim chegaram cansados, mas salvos. Nisso o comandante pede para olhar o tal mapa salvador. Quando lhe é mostrado, uma surpresa toma conta. O mapa não era dos Alpes, região em que estavam, mas dos Pirineus, uma outra cadeia de montanhas européia.

Certa vez Martin Buber disse: “All journeys have a hidden purpose that is unbeknown to the traveller.”

No ambiente empresarial, equipes muitas vezes tem visões distantes de quais objetivos a sua corporação persegue. Tal qual aquela soma de vetores da física, quando setas puxam para diversas direções diferentes, a resultante será muito fraca. Em outras palavras, a empresa não vai para a frente, para onde deveria ir, no sentido que seu planejamento inicialmente propunha. Henry Mintzberg, estudioso e cético sobre planejamentos estratégicos, coloca que a própria expressão “Planejamento Estratégico”é contraditória, já que um é análise e outro síntese. Passando por cima das dificuldades naturais desse processo (e os gestores conhecem bem isso, especialmente nessa época de final de ano), tendo a estratégia definida, ela precisa ser “traduzida” de forma clara e compreensível para os executores da mesma, não apenas diretores e gerentes, mas sobretudo a linha de frente. Não adianta, por exemplo, termos uma bela estratégia de diferenciação com base em serviços para um varejista, se ao entrar na loja os atendentes tratam os clientes como números. É o tipíco caso em que o planejamento estratégico foi parar no cofre da empresa. Não serve para nada.

Conforme já abordamos, o Balanced Scorecard, metodologia desenvolvida pelos professores Kaplan e Norton, propõe a transformação da estratégia em um mapa, de objetivos e indicadores. Todos eles conectados com a proposta de valor da empresa. Assim, não basta juntar uma série de indicadores operacionais (e muitos negócios são pródigos em ter controles) e pensar que por ali será possível quantificar estrategicamente os acertos. Mapa estratégico não é painel de indicadores. Está além disso, pois busca capturar a essência da estratégia, por que somos escolhidos pelos clientes e como sustentamos essa proposta. Se for algo diferente disso, as chances de haver apenas uma enganação entre planejadores e equipe são muito altas.

Um bom mapa estratégico deve ser único. Mesmo quem nunca trabalhou na empresa ao olhar para ele, deve entender claramente qual a estratégia daquele negócio. Se o mapa servir para qualquer empresa do segmento, ou até mesmo de outro, jogue-o fora e comece de novo. Por outro lado, nunca esqueça que um mapa é sempre uma tentativa de representação da realidade. Ele não é a realidade. Assim, imperfeições acontecem e devem com o tempo ser ajustadas. Imagine o poder que aquele mapa, mesmo errado e teoricamente inútil, teve sobre os soldados húngaros. Agora pense o que um mapa muito próximo da realidade pode fazer por sua equipe e por consequência por sua empresa.

Felipe Schmitt Fleischer

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Encontre Seu Mapa

A Invisível Linha entre o Sucesso e o Fracasso

Quantas vezes o gestor de produto foi acusado de falhar porque a coleção ficou distante daquelas dos concorrentes? Ou o marketing foi culpado por uma campanha que passou do ponto em ousadia e se voltou contra a marca? Ninguém erra de forma proposital. Os ambientes de decisão estão sempre permeados por boas intenções (inclusive dizem que o inferno está cheio delas). Mas algo deu errado e o resultado final, aquele que deveria levar a consagração do negócio e das pessoas, acaba por ir na direção contrária. E o clima interno passa a ser o da desconfiança ou da surpresa de como chegou-se naquele ponto. Como sucesso e fracasso, opostos, podem às vezes caminhar tão próximos assim?

Gosto muito de uma frase utilizada por algumas empresas, na qual o fracasso é identificado como uma grande nuvem que circunda o sucesso. Ou seja, com fronteiras próximas e, em alguns momentos, de posição indefinida. Quanto mais sua estratégia de negócio for orientada para a inovação e para liderança de produto, maiores os riscos de você cair no lado errado da fronteira. Por isso, empresas com essa orientação devem saber conviver e premiar o insucesso como parte do processo natural. Tal qual os pioneiros que desbravaram fronteiras jamais visitadas, essas empresas buscam os limites do seu segmento (e às vezes inventam novos). E como os desbravadores, cujo índice de mortalidade era alta (imagine, relevo totalmente desconhecido, animais, doenças e toda a espécie de infortúnios a espreitar), essas empresas experimentam algo inteiramente novo e pouco controlável. O lendário Soichiro Honda dizia que “O sucesso é construído de 99% de fracasso.”

Como discurso parece adequado esse convívio aceitável, no entanto a prática diária é muito mais árdua. Como aceitar resultados insatisfatórios? Como reagir a um movimento de mercado que não atingiu seu objetivo? Invariavelmente a ação fica em linha com os princípios da empresa cristã, descrito na seção de Humor Corporativo do blog. Encontre o culpado e coloque-o na cruz. Quando tal atitude é tomada, o recado é rapidamente entendido por todos os demais. Não ouse. Não arrisque. Caminhe dentro do limite do conhecido. Como resultado fique apenas na média. Mas pode ter certeza que será cobrado pelo máximo. E como me comporto nesse ambiente, aceito metas que sei de antemão que não cumprirei, evito comentários que exponham o que penso, entre outras atitudes defensivas. E o modelo de negócio que dependia da inovação tem como única certeza que não funcionará como deveria.

O indicador de insucessos deve ser tão festejado quanto dos sucessos. Como afirma Roger von Oech “A maioria das pessoas pensa no sucesso e no fracasso como opostos, mas eles são ambos produtos do mesmo processo.” Assim, se o nível de insucessos for alto, é sinal que estamos no caminho certo da inovação e da liderança tecnológica. Tempo para encorajar a equipe na incessante busca do objetivo que por analogia está muito próximo, talvez um passo a frente (ou atrás) de onde estamos. Aos que se sentem desconfortáveis nessa posição de constante risco, lembro que o mercado se divide entre os que fazem poeira e os que a comem. Escolha seu lugar e prepare-se para as consequências.

Felipe Schmitt Fleischer

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Escolhas Ousadas

Poucos anos atrás o autor John Izzo publicou o livro Five Secrets You Should Know Before You Die (traduzido no Brasil como Os cinco segredos de uma vida plena). Costumo iniciar algumas palestras com essas histórias, todas verdadeiras, extraídas de pessoas reais que chegaram à plenitude da vida (ou mais próximas da morte). As conclusões são reveladoras e provocativas, especialmente para quem está começando profissionalmente. A primeira conclusão que Izzo apresenta é que as pessoas não se arrependem de seus fracassos. A grande maioria lamenta não ter arriscado mais. Muitos seguem suas carreiras com medo do fracasso, mas o autor conclui que tentar e falhar é algo com o qual conseguimos lidar. As pessoas mais felizes sentiram que tentaram concretizar seus sonhos e cresceram, tanto na vida pessoal quanto profissional. Logo, o livro e suas histórias indicam que nos arrependemos mais por não ter tentado realizar um sonho do que falhando ao fazer isso.

O interessante é que amostra utilizada por Izzo procurou vasculhar uma série de etnias, origens, profissões diversas, montando um mosaico que pudesse fornecer uma riqueza de enfoques para seu estudo. E independente dessas características que as tornavam tão diferentes, as visões olhando para trás tinham diversos pontos em comum. Do barbeiro ao CEO havia um uníssono tom na reflexão. As escolhas envolvem renúncias sempre, no entanto devemos estar muito mais preocupados com aquilo que podemos alcançar do que com aquilo que talvez percamos pelo caminho. Interessante observar que a mais recente campanha do whiskey Jim Beam intitulada Bold Choice criada pela StrawberryFrog NYC trabalha exatamente esse conceito das escolhas que entrelaçam nossas vidas e nos tornam únicos, próximos ou distantes daquilo que desejaríamos ter sido, através de competente atuação de Willem DaFoe.

Entre tantas descobertas de Izzo, uma última lição aprendida das pessoas entrevistadas: status e poder não são aquilo do qual irão se lembrar quando olharem para trás. Em vez disso, muitas pessoas disseram que são as coisas para as quais se doaram e as pessoas cujo crescimento tiveram sua contribuição, que darão a elas a sensação de satisfação. No final o comentário do barbeiro sentenciou: “A definição de sucesso não é representado pelo dinheiro na sua carteira e sim pelo número de almas que você tocou.”  E você, já fez suas, ousadas ou tímidas, escolhas?

Felipe Schmitt Fleischer

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Aprenda a não tratar como Prioridade, aqueles que te tratam como Opção

Os últimos artigos do Pensador Mercadológico trouxeram uma onda de provocações no sentido de encontrarmos quais limites podemos alcançar. Limites profissionais, mas muito além disso, o que queremos fazer com nossas vidas. Pode ser a época de final de ano, propícia para reavaliações, decisões e sonhos. Ou a mudança de estação. Shakespeare já escrevia que talvez somente as noites de verão fossem de sonhos. No entanto o que interessava mesmo não eram as noites, mas os sonhos que sonhamos sempre, dormindo ou acordado. E assim vou contar três histórias verdadeiras, de pessoas que se conhecem há quase 20 anos e que em 2010 tiveram experiências que fizeram refletir sobre qual caminho seguir. Também usaram um pouco a teoria da maratonista Paula Radcliffe sobre as cinco bolas. Todos nós fazemos diariamente malabarismo com elas: saúde, família, amigos, integridade e carreira. No entanto, apenas a bola da carreira é de borracha, as demais são frágeis. Assim, podemos arriscar muito mais com ela, jogar alto e também deixá-la cair, ao contrário das outras que podem ser danificadas para sempre.  Vamos às histórias:

 

História 1

Trabalhando alguns anos em uma Continue reading “Aprenda a não tratar como Prioridade, aqueles que te tratam como Opção”

Aprenda a não tratar como Prioridade, aqueles que te tratam como Opção

O Plano B

O recente resgate dos mineiros do Chile mostrou a capacidade de superação do ser humano em momentos de adversidade extrema. O final feliz, transmitido ao vivo para o mundo inteiro, coroou um trabalho de equipe, difícil e repleto de incertezas.

Ao longo dos próximos dias e anos, pois sairão livros, documentários e filmes sobre o assunto, saberemos mais detalhes de toda operação. Mas um ponto já ficou explícito, o vencedor e mais bem sucedido foi o Plano B. A coordenação do resgate havia cogitado diversas formas de alcançar o local aonde estavam os mineiros, porém apenas 3 planos foram colocados em prática: A, B e C. Cada qual balizado por riscos e tempos necessários para atingir o objetivo final.

Isso mostra que devemos estar sempre preparados com alternativas, muitas vezes executadas simultaneamente. Colocar toda energia em somente uma solução, mesmo que seja a com a maior probabilidade de sucesso, pode ser justamente a semente para o fracasso.

Felipe Schmitt Fleischer

Pensador Mercadológico

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O Plano B

Dica de gestão 80 de 300: Quais os riscos envolvidos no que fazemos ou consumimos?

– DICA DE GESTÃO 80 DE 300:  Quais os riscos envolvidos no que fazemos ou consumimos?

Na prática, existem 05 riscos envolvidos em decisões, sejam ou não de consumo. São elas:

Risco monetário: Existe possibilidade de eu perder meu dinheiro.

Risco funcional: Talvez não funcione ou não faça o que deveria fazer.

Risco físico: Parece perigoso, posso me machucar.

Risco social: O que meus amigos pensarão se eu comprar / fazer isso?
Risco psicológico: Talvez eu me sinta culpado ou irresponsável se eu fizer essa compra e/ou fizer alguma coisa.

Na turma de Psicologia do Consumo, explorei estes conceitos com os meus alunos. Todos concordaram que já passaram por todos estes riscos. Interessante em pesquisas relacionadas ao consumo é que, geralmente, mais de um risco está associado a um processo de consumo. Os 3 primeiros riscos, são bem racionais. Geralmente são ditos em pesquisas mais tradicionais. Os dois últimos riscos, o social e o psicológico, necessitam de abordagens de pesquisas mais avançadas, pois normalmente não são ditas. Mas arrisco a dizer que, hoje em dia, são estes dois últimos riscos que comandam o show. Já é bem divulgado artigos (ou talvez nem tanto) sobre o marketing do medo. Na verdade, o medo é uma plataforma comercial muito forte para o consumo. Pense um pouco agora, quantas coisas nós compramos para nos livrar do medo ou dos riscos a ele associados. Compramos um seguro de vida, um plano de saúde, resolvemos parar de fumar ou de comer gorduras, resolvemos ir para a academia, resolvemos fazer um exame do coração e por ai vai. No marketing competitivo de empresas, medo, incerteza e dúvida, significado da abreviação FUD (do inglês Fear, Uncertainty and Doubt) é uma prática que consiste em desacreditar o concorrente espalhando desinformação sobre o produto rival. Em uma relação ou em um processo de consumo, a dúvida é a pior coisa que pode acontecer para a efetivação de qualquer produto, do mais simples e barato ao mais caro e complexo. Basta um boato e as vendas caem, os consumidores não compram e o nosso negócio corre o risco de fechar as portas.

Em uma recente pesquisa publicada pelas Pequenas Empresas e Grandes Negócios, foi questionado os leitores qual era (ou foi) o seu maior medo ao abrir uma empresa? Eis os resultados:

10% Não conseguir ganhar dinheiro o suficiente para viver

40% Perder todo o investimento feito, de tempo e dinheiro

35% Não alcançar meus objetivos como empresário

15% Ter muitos problemas com funcionários

0% Não tenho – e nunca tive – medo de montar um negócio.

A primeira coisa interessante a comentar é que 0% afirmou nunca ter medo, mas sabemos por outras fontes que cada vez mais brasileiros empreendem seus negócios próprios. Desta forma, enfrentam os seus temores em busca dos seus sonhos (ou em muitos casos, de suas necessidades). A maior parte dos riscos associados (visto que foram dadas estas opções de resposta) são ligadas ao risco monetário. O risco de “não alcançar meus objetivos como empresário” podemos dizer, que em parte, pode ter um risco social e psicológico envolvido, pois quase sempre o empresário sonha com reconhecimento social e grandezas visíveis aos demais círculos da sociedade.

Então, sabemos que existem muitas pessoas / empresas pensando em como nos vender algo utilizando o marketing do medo, associando os 5 riscos de forma muito bem calculadas e sabemos que nós (e nossas empresas) também podemos utilizar desta plataforma de conhecimento para melhorar os nossos resultados comerciais. Aproveitem e bons negócios! Uma última dica: espalhem esta informação com moderação! O que os seus amigos irão pensar de você ao espalhar este texto? Cuidado heim!  🙂

Até a próxima dica

Gustavo Campos

Pensador Mercadológico

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Dica de gestão 80 de 300: Quais os riscos envolvidos no que fazemos ou consumimos?