Se fizermos esta pergunta a muitos empresários hoje, ouviríamos certamente diversos tipos de resposta. Eu já testei isto em aula e apesar de não haver nenhum consenso, as manifestações mais próximas identificam este serviço, praticado por jornalistas e relações públicas, como uma ferramenta de divulgação de produtos e serviços.
Alguns revelam diretamente que a assessoria de imprensa serve para conquistar espaços gratuitos na imprensa. Outros, indiretamente, a contratam porque não possuem verba para publicidade e acham que a assessoria resolverá seu problema de marketing de forma mais barata.
É raro ouvir que assessoria de imprensa é um serviço estratégico no planejamento da construção de uma imagem, até porque o próprio mercado limitou as assessorias a um serviço exclusivamente de divulgação.
Será que assessoria de imprensa limita-se somente a isso?
Quem inventou a assessoria de imprensa foi um jornalista americano chamado Ive Lee, que em 1906 executou um bem sucedido projeto profissional de relações com a imprensa para John D. Rockefeller, na época o homem mais impopular dos Estados Unidos. E ele conseguiu que o velho barão do capitalismo selvagem passasse de odiado a venerado pela opinião pública americana.
Para vocês terem uma idéia de quem foi Rockefeller, detentor de aproximadamente 90% de toda a produção petrolífera americana, ele monopolizou o mercado de seu País e durante anos foi o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 330 bilhões, dez vezes mais que a de Bill Gates.
E Ive Lee foi muito simples para mudar a imagem do rapaz perante a opinião pública. Como assessor de Rockefeller, ao invés de ocultar-se perante as pressões da sociedade sobre assuntos polêmicos publicados na imprensa, que envolviam as empresas do magnata, ele deu a cara para bater, colocando-se a disposição para resolver prontamente qualquer rumor e prestar qualquer tipo de esclarecimento à imprensa e sociedade, colocando-se a disposição delas.
Um fato interessante e que ilustra nossa questão foi quando o congresso americano daquela época resolveu investigar a greve em que o dono da Colorado Fuel and Iron Co, “mandara atirar sobre os grevistas”. O odiado John Rockefeller apareceu livremente cooperando com a investigação condenando o ato, o que melhorou a situação.
Estas histórias do pai das Relacões Públicas demonstra já bem no início o papel estratégico desta atividade na construção de uma imagem. Acredito eu que o jornalismo e suas características técnicas como forma do conhecimento social agregaram valores essenciais a este serviço. O jornalismo representa como a sociedade se vê e ele pode desempenhar este papel na assessoria das empresas fazendo ela se ver para construção de sua imagem verdadeira e de forma transparente para a credibilidade.
Quem quiser aprofundar-se no tema recomendo o livro Assessoria de imprensa e Relacionamento com a Mídia, Teoria e Técnica do autor Jorge Duarte, editora Atlas. Agora quem quiser aprofundar-se sobre o jornalismo na sua essência e entender o papel que ele deve exercer numa assessoria contribuindo com seus valores e sua história, não pode deixar de ler Opinião Pública, do Walter Lippman, um livro do início do século passado mas que entende bem como movimenta a opinião das massas. Quando o li só existia em inglês. Agora a editora Vozes lançou em português.
Você sabe para que serve uma assessoria de imprensa? É bom estudar sobre o tema, vale a pena.
Jornalista/MBA em Marketing
sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing
Pensador Mercadológico