Pergunta de final de semana: Privacidade ou Segurança?

Interessante ver os argumentos das pessoas no vídeo que coloco no link bem abaixo, de um novo produto que começa a ser comercialmente vendido no Brasil com a finalidade específica de rastrear pessoas. Para alguns, a principal necessidade a ser alcançada com o produto é a segurança, para outros pode até ser o controle (apesar de socialmente ficar difícil de revelar isso) e para outros tantos o aparelho não traz um benefício positivo e sim uma característica de invasão, de quebra de privacidade. Na matéria apresentada na Band, o repórter cita até a constituição para falar do aparelho. Características distintas para públicos diferentes. Assim é tudo hoje em dia. O livro Cauda Longa, de Chris Anderson (veja o conceito que consta no Wikipedia), já abordava esta multiplicação “infinita” de nichos de produtos atendendo a micro necessidades (variações muito sutis da necessidades macro)  / desejos dos consumidores.

E assim são quase todos os produtos vendidos e por nós consumidos. Evidente que alguns produtos são mais polêmicos do que outros, como é o caso, mas alguém duvida que algum dia desses esta funcionalidade já não vai estar presente em quase todos os gadgets que você carrega? Pessoas que dão check in no Foursquare a todo o instante voluntariamente estão dizendo a sua localização. E se voluntariamente as pessoas comprarem o localizador pessoal e autorizar um grupo seleto de pessoas a saberem onde estão é correto ou ainda assim fere a constituição que garante o direito da privacidade? Produtos polêmicos hoje serão normalmente aceitos no futuro. Muitas polêmicas do passado hoje são socialmente aceitas. Veja o caso simples do biquini de duas peças como roupa de praia. Já teve uma época que isso dava quase cadeia.

Então, a pergunta de final de semana é: sem considerar o preço do produto e do serviço, você usaria um localizador / rastreador pessoal? Se usaria, para qual finalidade? Se não usaria, por qual motivo?

Pense nisso! Da próxima vez que você refletir onde está, pense se isso poderia ser público, de conhecimento de todos.

Bom final de semana e cuidado por onde andam. Você pode estar sendo rastreado. :))))

 

Gustavo Campos

Publisher do Pensador Mercadológico

 

Fontes:

Imagem: http://www.sxc.hu/browse.phtml?f=download&id=1327908

Notícia completa / vídeo: http://terratv.terra.com.br/Noticias/Brasil/4194-452114/Rastreador-de-pessoas-comeca-a-ser-vendido-no-Brasil.htm

Pergunta de final de semana: Privacidade ou Segurança?

Melhor morrer correndo riscos do que entediado

As pessoas sempre querem alcançar tudo que desejam. Ou pelo menos deveria ser assim. Convivemos com os dilemas das escolhas, entre arriscar para conseguir algo e ao mesmo tempo poder perder outro que possuímos. As grandes estórias dependem disso para serem grandes. Se a falha de um protagonista custar apenas sua vida voltar ao normal, essa estória não é interessante para ser contada. Seja no cinema, seja na vida.

Quando encontramos marcas pequenas ou médias, invariavelmente seus sonhos e metas miram o céu. Atingir milhões, bilhões de vendas. Somente nos Estados Unidos há 27 milhões de empresas registradas, mas apenas em torno de 2.000 delas alcançaram US$ 1 bilhão de vendas ao ano. Um percentual inexpressivo perto do universo de empreendedores. De cada 100 novos negócios no Brasil, apenas 5 sobrevivem ao teste dos 5 anos de atividade. E os outros? Será que todos fracassaram?

Seres humanos falham sobre pressão. Corredores caem, jogadores tremem e gestores cometem erros. Tentamos nos cercar do máximo de informação e detalhismo para conquistar a (falsa) sensação de tudo estar sob nosso controle. Desenhamos mapas e estratégias pensando que os mesmos são traduções perfeitas da realidade. Riscos não são facilmente controláveis. Muito menos em sistemas complexos, como o mundo dos negócios, com milhares de interações, algumas sequer conhecidas. Segundo o sociólogo de Yale, Charles Perrow, podemos chamar de “acidentes normais” aqueles que esperamos do funcionamento típico de uma operação tecnologicamente complexa. Como os negócios, as empresas e as marcas que conhecemos.

O psicólogo canadense Gerald Wilde registrou que em certas circunstâncias, mudanças que parecem tornar mais segura uma organização, na verdade, não a torna. Porque nós tendemos a contrabalançar redução de riscos em uma área com o aumento em outra. Freios ABS nos fizeram acelerar mais, faixas de pedestres têm mais acidentes que esquinas que não as têm. Arriscamos-nos mais com a impressão de corrermos menos riscos. Aeronaves mais seguras não reduziram tanto as taxas de acidentes, pois queremos mais passagens baratas e voos pontuais, independente do clima e do estresse das tripulações.

Após riscos que resultaram em fracassos, como bons e preocupados seres humanos, tratamos de investigar as causas e achar os culpados. Um pouco de hipocrisia, já que nosso comportamento natural tende a eliminar segurança por novos riscos, como vimos acima. O certo é que isso faz parte da essência da vida, onde cada passo nosso está em rota de colisão com algo: bom, ruim ou indiferente. Chamamos de sorte, azar, destino ou qualquer outro termo. Certeza apenas é que, entre todas as mortes, a pior delas é a de tédio.  
 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Melhor morrer correndo riscos do que entediado