A indústria de shopping centers no Brasil vem apresentando um desempenho notável embalada pela estabilidade econômica, pelo aumento de poder aquisitivo da população e o conseqüente desafogo de anos de demanda reprimida. Já os shoppings do primeiro mundo enfrentam uma realidade mais dura devido aos efeitos da crise de 2008 que ainda se fazem sentir e pelo fato de seus mercados já estarem maduros. Por isso, quando falamos no futuro dos shoppings centers, podemos avaliar que as mudanças nestes mercados são mais urgentes, enquanto no Brasil ainda há “gordura para queimar”. Porém, mesmo guardando as suas peculiaridades, o segmento de shoppings no Brasil acaba sendo um reflexo da sua matriz original (leia-se Estados Unidos) e o que acontece por lá tem uma boa chance de vir a acontecer por aqui. Dentre os possíveis cenários, separei alguns que já estão em prática em outros países e/ou que tem mais relação com a realidade brasileira.
Em Minority Report, uma visão tecnológica do shopping do futuro.
Assumindo o papel de rede social offline para enfrentar o e-commerce.
O e-commerce no Brasil cresceu mais de 40% no ano passado, atingindo hoje 3% das vendas do varejo. Para enfrentar este desafio os shoppings precisam potencializar as razões pelas quais as pessoas os frequentam além da compra em si. Falo de entretenimento, de ver pessoas, da experiência comunal de estar com a família e amigos ou simplesmente esvaziar a cabeça. E neste contexto o shopping pode assumir o seu papel de rede social offline, humanizando suas instalações e proporcionando uma conexão emocional que criará um vínculo com o frequentador. Para isso é necessário estudar o consumidor, saber o que ele pensa e o que ele espera do shopping. As redes sociais são excelentes ferramentas para este fim, uma vez que elas permitem um diálogo direto com o público, além de possibilitar que o empreendimento seja um catalizador de interesses destes grupos, estimulando o encontro dos seus membros nas suas dependências.
O entretenimento consolida o seu status de âncora.
Nos países mais fortemente atingidos pela recessão os shoppings estão mirando no entretenimento para atrair consumidores. Espaços como boliches, parques de diversões, aquários, áreas infantis, espaços para eventos esportivos e para exibições de alta qualidade estão se tornando as novas âncoras para os shoppings americanos, já que apenas salas de cinema não estão mais sendo suficientes. Alguns empreendedores estão desenvolvendo e operando seus próprios espaços de entretenimento para enfrentar a carência de opções disponíveis nesta área. Um exemplo é o shopping Mall of America, de Minneapolis, que opera sua principal atração: o parque temático indoor Nickelodeon Universe. Em 2009 30% dos visitantes vieram específicamente para visitar o parque. Neste período, a atração gerou um rescimento de 3,5% no tráfego e de 1,5% nas vendas em plena recessão americana.
Shopping Center: o lugar ideal para trabalhar e morar.
Além da concorrência de outros shoppings, lojas de rua e canais de venda online, o caos da mobilidade urbana está se tornando mais um limitador de fluxo para os shoppings. Dentre as estratégias possíveis para enfrentar estes desafios, está a transformação dos empreendimentos em centros de convivência com a incorporação de apartamentos e escritórios às suas estruturas físicas. O fluxo natural de pessoas que habitam, trabalham ou buscam serviços nestas unidades é um gerador de tráfego constante que compensa a eventual redução de visitas dos freqüentadores mais distantes.
Window-shopping – “estou só olhando”
Uma das tendências mundiais é a complementação do universo online com o mundo real. No varejo de países do primeiro mundo, uma prática que vem ganhando adeptos é o de freqüentar lojas físicas para avaliar preços e tamanhos para depois comprar os produtos desejados nos shoppings online. Desta forma o consumidor usufrui de outros atributos do shopping físico (lazer, gastronomia), mas efetiva sua compra em casa.
Segundo alguns especialistas a saída é o lojista reduzir suas lojas, transformando-as em showrooms que mostram mercadorias que são disponibilizadas online. Abaixo, uma das tecnologias que auxiliará neste processo.
Como eu disse inicialmente, a indústria de shoppings no Brasil está vivendo um momento extremamente promissor e por enquanto não há sinais de nuvens negras no horizonte. Porém o mundo é dinâmico e, em atvidades cujo combustível é a maciça presença do gênero humano, é importante estar atento às transformações sociais. Afinal se os shoppings são os templos de consumo, eles precisam estar sempre em sintonia com os hábitos dos seus fiéis.
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Presss Inteligência em Comunicação e Marketing
Pensador Mercadológico
Fontes:
Abrasce – www.portaldoshopping.com.br
New Geography – www.newgeography.com/content/00501-the-future-shopping-mall
News Limited – www.news.com.au/business/paradise-for-shopaholics-inside-the-mall-of-the-future/story-e6frfm1i-1226077205619
Randy White – www.whitehutchinson.com/leisure/articles/FutureOfShoppingCenters.shtml