Se vacas voassem, choveria leite

O grande sonho de consumo de profissionais ambiciosos e de negócios revolucionários é ser assim reconhecidos. Como diferentes. Destacados na paisagem de uma série de iguais. Escapar das armadilhas do rebanho. Porque quando tudo é igual, tanto faz o que você escolhe. Não faz diferença alguma. Geralmente quem parte para a escolha, elege o mais barato. A morte das diferenças acaba com a chance de captura de valor.

A competição, a busca por um lugar ideal no mercado, acabando empurrando todos à frente. Essa corrida tem alguns drives que variam conforme o segmento. Mais, melhor, veloz, leve, versátil, etc. As marcas seguindo as lógicas destes direcionadores acabam correndo todas para o mesmo lugar. Chegam em posições parecidas, mas cedo ou mais tarde. E acabam todas muito parecidas de novo. Jogando o mesmo jogo, vão obter resultados parecidos.

Com as vacas todos no mesmo pasto de novo, não existem diferentes. Só acontece diferenciação quando você pára de somente olhar para o que seus concorrentes fazem. Quando você pára de copiar. A diferenciação é gerada na busca do desconhecido, do novo. Em entender o que falta no mercado, algo que talvez sequer tenha sido pensado pelo seu cliente. Quando você começar a pensar assim, o mais do mesmo vai começar a ficar mais distante.

Tal qual um jogo, a sua marca precisa improvisar e quebrar lógicas que parecem obrigatórias para cada movimento. Como o que aconteceu nas finais do campeonato de futebol americano, quando o adversário achar que você irá fazer algo normal, não faça. Nesse momento as vacas decolam e a chuva não é mais apenas água sem graça.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Se vacas voassem, choveria leite

Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Existe uma pergunta feita de tempos em tempos sobre qual a última vez que você fez algo pela primeira vez. Invariavelmente as pessoas ficam desconcertadas, pois não é comum pensar nisso. E também porque elas caem na rotina sem perceber e acabam fazendo as mesmas coisas de sempre de forma repetitiva.

Alguém pode dizer que hoje nunca tivemos tanto acesso à diversidade. Podemos fazer uma escolha diferente a cada dia de nossas vidas e mesmo assim nunca repetiremos nada. Músicas, destinos, restaurantes, livros, tendências, estilos, cursos, ou qualquer uma dentre as alternativas de consumo que temos. A informação, tanto sua produção quanto difusão, o consumo 24 por 7 e o acesso a tudo isso nos deixam confortáveis para estar a um passo, clique ou confirmação de mais uma nova experiência.

Mas quantos de fato fazem isso? Uma das edições desse semestre da revista de bordo da Southwest Airlines tem um artigo provocador de Adam Hunter. Ele cita que a própria tecnologia de certa forma conspira para nos mantermos em ambientes déjà vu. Os algoritmos do Google e a popularidade, o feed do Facebook direcionado e as músicas trend do Spotify. Vivemos circulando por lugares que nos envolvem trazendo hits daqueles que estão próximos ou que se encaixam naquilo que podemos chamar de clube, tribo ou comunidade.

Talvez agora alguém irá lembrar de Chris Anderson e a Cauda Longa. Eu chamaria de Cauda Invisível. O Forgotify traz como modelo de negócio 4 milhões de músicas jamais tocadas no Spotify. Nem ao menos uma vez executadas e convida você a dar uma chance de mudar a história dessas músicas. Adam Hunter desafia novos negócios, o Invisigram, o Neverflix, o Wikineedy, o UnTweeted. Dar chance aos conteúdos perdidos e invisíveis. Além disso, a descoberta é excitante para o ser humano e o aspecto de saber algo que poucos (ou ninguém) sabem tem um valor bem apelativo.

Aproveite o exemplo. Em 2015 e siga por ruas que nunca passou. Saia das mesmas mesas dos restaurantes. Mude os destinos no Tripadvisor. Conheça lugares que nunca foi. Leia livros fora do best-sellers. O conhecimento surge do desafio do desconhecido. E é esse fascínio que acorda a inteligência. Mais de um milhão de alternativas se abrem no novo ano. Algumas portas são somente para você. Vai lá, tome 2015!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Quando desistir é a menos errada das escolhas

Como decidir entre seguir em frente ou desistir? Parece daquelas escolhas complicadas, afinal a desistência pressupõe que gastamos energia para chegar em um parte do caminho para dali não seguir em frente. No entanto, o fato de tentar ir em frente pode ter custos e perdas altos demais para o bônus do destino. Assim, na verdade essa escolha precisa equilibrar tudo isso.

Seth Godin, em um dos seus diversos livros sobre negócios e marketing, compara a situação a um vão. Olhe para a travessia que tem que seguir, a distância do desfiladeiro, a descida, depois a subida do outro lado. Avalie se consegue fazer. Se consegue, siga. Se não. Procure outro lugar para atravessar. Nessa travessia dificilmente você estará sozinho. Então cabe avaliar quem está do seu lado. Ele tem a mesma disposição, energia e habilidades para seguir em frente? Quando você estiver no caminho, ele não vai te deixar na mão, sozinho para enfrentar situações em que deveria estar acompanhado?

Existem travessias difíceis e mais difíceis. As fáceis pode ter certeza que não garantem grandes recompensas e te levarão a lugares comuns onde outros aos milhares já chegaram. Você será mais um imitador comendo poeira de quem está na sua frente. Sendo a travessia no mínimo difícil, para valer a pena, lembre-se que quando estiver escalando os paredões do desfiladeiro, você precisa ter confiança nos ganchos que seu parceiro colocou e que os mesmos não irão arrebentar com o peso. Se você não pode contar em quem deveria estar ao seu lado, você tem problemas a resolver.

Toda reflexão sobre decidir foi motivada por uma escolha entre diversas alternativas não corretas que tive que fazer. Assim, como retratei neste blog de negócios a minha busca e concretização de um sonho de uma década, agora faço esse desenlace prematuro e indesejado. Depois de resgatar uma marca e aplicar diversos conceitos de branding, encerro minha participação a frente do Grão Brasil Café.  Três anos, mais de 20.000 clientes e o posto de bistrô número 1 da cidade pelo Tripadvisor. Reconhecimento e prestígio. E chegou a hora de seguir por outro caminho, não pela escolha certa, mas pela menos errada. Atravessar adiante poderia envolver desgastes e perdas indesejados. Reflita bem toda vez que tiver diante desse desfiladeiro. E decida se vale.

Confira outros 3 posts sobre essa trajetória:

1. Todo fim pode ser um novo começo 

2. Ideias hell yeah! em um restaurante

3. Coçando a própria coceira

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Quando desistir é a menos errada das escolhas

Como vender sonhos com batatas fritas

O contraste da publicidade norte-americana com a brasileira é algo que chama a atenção. Antes que alguém se atire e diga que somos muito bem premiados e reconhecidos, aqui não falamos de talento. Mas de profundidade do que está se comunicando. Na tevê aberta americana você assiste comerciais sobre tratamentos para o câncer ou um novo medicamento para amenizar os sintomas da Doença de Crohn. Um contraste com um cartaz que alerta sobre o sarampo ao passar pela alfândega brasileira.

Estamos em páginas realmente diferentes. Provavelmente capítulos totalmente distintos. Ainda vendemos e comunicamos estágios iniciais das necessidades humanas, o setor farmacêutico ilustra muito bem isso. Nossa grande bandeira são os genéricos, a antítese da vanguarda em saúde. Podemos extrapolar isso de forma ilustrada em anúncios, outdoors e comerciais de diversos mercados, do mundo dos carros compactos as motos de baixa cilindrada, do sonho da máquina de lavar roupas ao acesso a cursos de especialização.

Quanto mais maduros e evoluídos os mercados, a comunicação trata de encontrar raízes mais emocionais e de autoexpressão. Os benefícios funcionais já estão praticamente resolvidos e satisfeitos. As necessidades básicas e intermediárias não incomodam mais. O discurso estimula outros fatores para que crie empatia com a marca e motive o consumo.

Interessante que isso passa a ser extrapolado não apenas para itens de desejo, mas para os mais variados produtos. Alguns dos quais, as entregas emocionais e de autoexpressão são quase que nulas. Como por exemplo, vender hamburgers gordurentos utilizando referencias estéticas da beleza feminina. Até hoje desconhece-se na literatura que alcançou a boa forma comendo coisas assim, mas no mundo da construção de desejos o limite às vezes é não ter limites.

Olhe para sua marca e analise se você já venceu a etapa da entrega dos benefícios reais e tangíveis. Provavelmente sim, mesmo que seu mercado esteja em desenvolvimento, os seus concorrentes já devem estar falando coisas muito parecidas com as quais fala. Chegou a etapa de elevar os benefícios, mas antes de se atirar em um mundo de venda de sonhos com batatas fritas, pense se aquilo não vai soar um pouco ridículo ou totalmente inócuo para seu mercado. Quanto mais comunicar, mais pessoas vão descobrir mais rápido sua mentirinha.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Como vender sonhos com batatas fritas

Qual a marca do seu lugar?

Quais as primeiras coisas que lhe vem à mente quando falam de Las Vegas? Em outras palavras, qual a imagem que tem da cidade do pecado? Jogos, cassinos suntuosos, strippers, festas, pool parties, bebida, sexo, dinheiro, fichas, prazer, boxe ou o programa Trato Feito? Cidades, regiões e países são marcas. Ou tem apenas uma imagem difusa e até mesmo esquecida na mente dos viajantes.

Aos que não tem marca resta venderem meros produtos. No caso de lugares, sem marca sobra pouca coisa para comercializar o destino. E tudo isso em um cenário de competição altíssimo. Mesmo que o turismo cresça a boas taxas anuais, as opções que disputam o bolso dos viajantes são diversas. O Brasil patina no segmento, com um fluxo ridiculamente pequeno para um país continental, com diversidade de atrativos e mais de 8 mil quilômetros de praias. São em torno de 5 milhões de visitantes estrangeiros, sendo que metade vem dos países limítrofes.

Muito desse fracasso brasileiro se refere a falta de marca. Estamos há anos enfraquecidos em cima de estereótipos falsos e outros nem tanto. Voltando a Vegas, a partir dos anos 70 houve uma virada que tornou a cidade em um grande parte temático. Cassinos gigantescos, atrações para toda a família, parques de diversão, shows para todos. A velha tentação de não abrir mão de nenhuma parcela dos clientes potenciais. A cidade do pecado começou a se transformar em uma Disney do deserto.

Mas Vegas não era isso. A conexão emocional da marca com as pessoas é Liberdade. E dividida em 2 níveis: liberdade para fazer coisas, ver coisas, comer coisas, vestir coisas, sentir coisas. Aquela liberdade para ser alguém que não seria em casa. E a outra liberdade para deixar para trás as coisas da rotina diária. A conexão entre Vegas e a liberdade que tanto buscamos e queremos. Culminando com a manchete criada pela R&R Partners em 2003 e retomada ano passado: O que acontece aqui, fica aqui. Distancia da proposta familiar e mostra que a cidade é muito mais que jogatina.

Pense em San Francisco, Nova York, Chicago, Miami, Nova Orleans. Cada qual com sua identidade e posicionamento bem construídos. Especificamente em relação a Nova Orleans, o posicionamento lembra em parte Las Vegas, mas com um tom mais visceral, autêntico e vindo das ruas. Liberdade para viver a vida de forma divertida, com bebida, festa, música da melhor qualidade, santeria, comida cajun e creole.  Poucos limites na pimenta e na atitudes. Isso e mais um pouco faz com que as pessoas escolham suas preferências. Entre tantas alternativas, as mais vivas, intensas e reconhecíveis são as tintas mais frescas. Marca, sim, seu lugar precisa dela!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Qual a marca do seu lugar?

A soma de todas as nossas esperanças (e medos)

Depois de uma temporada assistindo a Fox News tenho a certeza que o mundo pode acabar em 24 horas. Isso se o super-herói norte-americano não agir mostrando sua força seja por drones bombardeando o inimigo ou forças delta realizando missões impossíveis de resgate. Este é o cenário construído no qual nossos governantes são zeladores de nossa segurança à prova de ameaças que mal conhecemos ou podemos entender.


O ser humano entre seus medos, tem a incerteza como um dos mais temidos. Tudo aquilo que não conhecemos nos assusta. Desde a reação daquele mulher no primeiro encontro até a compra de um produto nunca testado. Neste cenário, as primeiras marcas surgiram para dar um selo de “já vi isto antes e funciona” ou “conheço quem fabrica e ele é confável”. Assim o poder das marcas balançou do varejo para o produto, depois para o varejo de novo e agora busca um novo equilíbrio.

Medo e decisões sempre estiverem muito conectadas entre si.  Na política não é muito diferente. Antes defensores de ideais que inspiravam as pessoas, os líderes políticos definharam com a morte de muitos desses ideais ao longo do século 20. Para não se tornarem meros administradores de contas, a questão da segurança, com seu mais recente inimigo na forma do terrorismo internacional, passou a ser o motivo central de sua existência. Nosso guardião contra as piores ameaças que podem atingir nossas vidas. Algumas delas, criadas como fantasmas de fumaça como documentário da BBC The Power of Nighmares desvenda.

Do lado da marcas, quando tudo começou a parecer igual e cinza, os selos de “já vi” e “funciona” viraram comuns, era preciso criar uma nova ligação com as pessoas em troca da morte iminente. Numa escolha semelhante aos políticos, as marcas viraram defensoras de ideais. No entanto, se na política eles praticamente morreram junto com os sonhos, no branding eles brotaram com profusão nos últimos anos.  Martin Luther King foi substituído pelo sabão em pó Tide. 

Por que você existe? O que pode fazer por mim? As perguntas que precisam de respostas imediatas para marcas e políticos sob pena de decretar a morte de ambos. Cada qual encontrou as suas para a ocasião. De um lado, a soma de todos os nossos medos, de outro, a soma de todas as nossas esperanças. Quando estas morrerem, seguramente as marcas irão se deparar com o mesmo dilema dos líderes políticos e, possivelmente, terão que criar seus próprios fantasmas de fumaça para justificar sua existência.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

A soma de todas as nossas esperanças (e medos)

O que fizeram com a minha Evoque?

O mundo das marcas é o mundo dos signos. Sobretudo para aqueles produtos de uso público, como roupas, carros, relógios e aviões. Você é aquilo que usa, dirige, pilota. Os benefícios de autoexpressão excedem em muito os funcionais. Nessa esfera reside o branding das grandes marcas que precisam ter o mesmo papel de uma capa de superhomem ou um Aston Martin de 007 para impor respeito de seus pares e disparar mísseis quando em perigo.

Marcas são signos que dizem em qual andar você mora e quem está acima ou abaixo de você. A sociedade de signos adquire uma profundidade maior quando se trata de uma sociedade de desníveis econômicos significativos. Os signos são os códigos visíveis publicamente para colocar cada um no seu lugar. Isso explica, por exemplo, porque no Brasil marcas intermediárias se tornam high end, o middle class se torna luxo, e o que é caro se torna ultra-caro.

Sendo marcas canais de acesso à percepção de escala e por consequência aceitação social, a busca por elas não fica concentrada a quem já alcançou o topo da montanha. Os andares de baixo miram as marcas para ganharem crachás de inclusão. Seja através da pirataria espalhada pelas vitrines e calçadas, seja através da acessibilidade garantida pelo crédito.  O sucesso passado, por exemplo, do Nike Shox no Brasil é uma ilustração perfeita dessa história.

No entanto, outro lado assusta mais e confunde tanto marcas quanto seus usuários. O que fazer quando pessoas de fora do country club começam a acessar marcas de maneira lícita, pois ganharam dinheiro pelos atalhos da vida? Talvez o primeiro fenômeno tenha sido via jogadores de futebol, alçados a celebridades multimilionárias. Na esteira vieram músicos (ou melhor, quem está no segmento da música) e personalidades de meios de rápida ascensão financeira (e consequentemente social).

O selo de exclusividade e diferenciação já não é tão exclusivo e diferenciado. Consumidores que não se encaixam no estereótipo da marca, agora a exibem com ostentação nas ruas da sua cidade. Vocês são diferentes, mas usam as mesmas roupas, dirigem os mesmos carros e mostram os mesmos relógios. E pior, ele tem um avião e você não. Nessa hora a marca desmorona feito um castelo de areia atrás de uma turbina do novo Citation daquele que sujeito. Nessa hora você entra na sua SUV e pergunta o que fizeram com sua Evoque?

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

O que fizeram com a minha Evoque?

O branding da marca Brazil

Alguns anos atrás um norueguês me fez uma pergunta, no mínimo curiosa. Queria saber de mim, um brasileiro (talvez o único que tenha visto na vida), quantos morriam no país atingidos por cocos que caem de árvores. Achei que fosse brincadeira, mas sua sisudez nórdica indicava que não havia piada na questão. Era sério. E pior do que isso. Ele era funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Noruega.  Ou seja, o Brasil era um ilustre desconhecido, perdido entre estereótipos exóticos. Tal qual pensamos que o Oriente Médio é um lugar de camelos, desertos e homens bomba.

Então surge uma Copa do Mundo no caminho. A chance dourada para mostrar a marca Brazil. Sem abrir a discussão da inadequação da candidatura a sede e das inúmeras prioridades mais importantes para a nação, posta a oportunidade na mesa, aproveite. Foram 7 anos, da escolha ao início do torneio. Muito tempo, porém pequeno para incompetência de gestão do setor público. Assim, várias obras, ideias e necessidades foram ficando pela estrada inacabada. Para preencher os espaços vazios na mente dos estrangeiros era preciso trazer algo novo. Diferente dos cansados estereótipos de praia, samba, bunda e futebol. Algo surpreendente, como a palavra vazia que assina a identidade visual da marca Brazil nas campanhas da Embratur.

Muito se falou que a indústria do entretenimento forma as imagens das marcas nacionais. Crocodilo Dundee impulsionou a imagem positiva da Austrália, assim como O Albergue emprestou uma aura sinistra a Bratislava. O cinema tratou de retratar o Brasil como um lugar diferente e distante da realidade dos países desenvolvidos. Como mostra o documentário Olhar Estrangeiro (trailer abaixo), o Brasil sempre mereceu uma visão limitada de produtores e diretores. Mais de 40 filmes mostram os bandidos fugindo para cá. Talvez porque aqui sejamos permissivos com crimes, vide os bandidos que habitam cargos públicos em todas esferas. O filme Turistas mostrou um Brasil perigoso e traiçoeiro. Quem sabe foi disso que lembrou o ex-zagueiro da seleção norte-americana Alex Lalas ao dizer que estava no Rio e seus órgãos ainda não tinham sido roubados.

Voltando a Copa, todo esforço em trazê-la e minimamente viabiliza-la com apenas uma fração das obras e com um orçamento superfaturado parece em parte perdido pois faltou o conteúdo. Como alguém comentou, compramos a mídia de veiculação global, mas esquecemos de fazer a campanha publicitária. Não temos nada de novo para mostrar, apenas mais do mesmo, talvez reforçando mais ainda os velhos estereótipos de bananas na cabeça e cocos caindo de árvores. A mídia agora está aí durante 30 dias.  E o que vamos mostrar? Um reality show do país, com surpresas e problemas a cada esquina, com improviso típico do pior e do melhor da nação. Muito menos do que precisamos.  Nosso branding continuará no nível do subdesenvolvimento.  Perde a marca Brazil e todas as marcas que a ela estão conectadas.  E mais cocos cairão nas nossas cabeças cheias de bananas.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

O branding da marca Brazil

A publicidade, aquele velho hóspede não convidado

Possivelmente marketing deva ser uma das palavras com usos mais elásticos no mundo da administração. Muito parecida com qualidade, estratégia, planejamento e gestão. Servem em diversos contextos, combinações e geralmente para passar um verniz de importância e sabedoria de quem as usa. Papel prático, muito pouco em grande parte dos casos.

Marketing e sua conta orçamentária para muitas corporações significa comunicação. Ou mais diretamente publicidade. Se faço boa publicidade, o marketing está ajudando à marca. Um reducionismo gigantesco. Mesmo assim, muitas marcas depositam parte considerável de seu esforço em desenvolver e ter garantida a tal publicidade eficaz. Mas o que é eficaz? Qual o papel deste “hóspede não convidado”?

Assim Roy Spence Jr chama a publicidade. Aquela coisa que invade nossa casa, nossa vida, nosso notebook sem ter sido convidada. E somente passamos a prestar atenção quando ela quebra essa barreira do intruso chato que veio atrapalhar o que estávamos fazendo. Três palavras são importantes para vencer esse obstáculo: Entreter, Intrigar, Persuadir. Laurence Vincent coloca que a as marcas enviam mensagem por três motivos: atrair atenção para si, educar ou convencer. E as boas mensagens são focadas em apenas um dos 3 motivos.

O primeiro objetivo, atrair atenção, pode ser bem exemplificado pela campanhas das marcas Virgin e Benetton. Polemizar, chocar, utilizar de duplo sentido, são alguns dos artifícios para que a mensagem não passe em branco na frente das pessoas.  Fazendo um paralelo, essas mensagens funcionam como um cartaz de um filme de cinema. Dão pistas sobre a história, mas não são a história. Querem gerar conhecimento de marca. Recentemente a Volvo utilizou de peças que trabalham esse conceito, como o hit abaixo, com uma sequência interminável de paródias de Van Damme.

No segundo objetivo, educar, partem para a construção de familiaridade e preferência. Essas mensagens dramatizam a relevância da marca em determinado contexto e como ela pode ter um papel de grande utilidade para as pessoas. Serviços públicos se encaixam nessa categoria, assim como marcas que desejam seu papel no mundo. Um exemplo bem interessante dessa abordagem pode ser visto no vídeo abaixo da campanha de lançamento do Windows 8 da Microsoft.

O terceiro objetivo, convencer, parte daquela máxima de David Ogilvy: “Se não vender, não é criativo.” Campanhas promocionais que precisam gerar resultados comerciais concretos. Esse tipo de mensagem também reforça os conceitos de familiaridade e preferência de marca. Redes de varejo são extremamente direcionadas para esse modelo de publicidade, grande parte porque seu modelo de negócio está quase que viciado em promoções constantes. Um bom exemplo são os comerciais da Magazine Luiza, destacando produto, funcionalidade e o preço promocional.

A desconfiança sobre as marcas apresenta uma forte tendência de incremento. As pessoas sentem-se vivendo em um mundo dominado pelas corporações e infestado de truques de marketing para que a roda do consumo não pare jamais. Duvidam mais e veem menos. Os impactos de marca crescem junto com sua invisibilidade. O hóspede está esquecido em um canto da casa. Os gestores de marca precisam acordar para que sua história volte a intrigar, entreter e persuadir. Ou será esquecida definitivamente.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

A publicidade, aquele velho hóspede não convidado

Os sacrifícios que poucos querem fazer

Houve um tempo onde popularidade era o mais importante. Aliás, esse tempo chamamos muitas vezes de presente. Personalidades, marcas, músicos entre tantos perseguem a todo custo o maior número possível de views, clicks, tickets, R$, ou qualquer outra unidade de medida do sucesso. Se popularidade fosse um indicador de qualidade, não teríamos Claudia Leitte, Kaiser, Power Balance, Telex Free ou Paula Fernandes.

Quando olhamos pelo prisma que tentar ser popular não significa ter prestígio, começamos a ver que o que torna uma marca respeitada e admirada. O drive da popularidade envolve geralmente dizer vários sim para quase nenhum não. Tentar ser de tudo um pouco para ser o melhor aos olhos de pessoas com preferências diferentes. Aqui começa a confusão, a perda de sentido ou até mesmo a esquizofrenia das marcas. Uma associação a diversos atributos e características que no final das contas tornam sua imagem difusa e confusa.

A palavra mais difícil de ser dita é o não. O que não fazer, o que não entregar, o que não dizer. Geralmente o não torna-se mais complicado de ser estabelecido quando as marcas não tem propósitos. Elas servem para qualquer coisa ou qualquer um. No entanto, com a situação oposta, um propósito claro e consistente, fica mais simples definir um modelo de integração, no qual todos falam a mesma linguagem. Desde o produto, até as pessoas, passando pela comunicação, pelos serviços . Cada ponto de contato, momento da verdade, entrega para os clientes, é um jeito novo de contar a mesma história.

Há exemplos espalhados de marcas que tiveram a coragem de fazer as escolhas. Exemplos interessantes estão dentro do segmento de gastronomia, um dos mais competitivos, cruéis e de vida curtíssima para alguns players. A rede In-N-Out Burger que serve o mesmo cardápio desde 1948, primando pela qualidade e frescor dos produtos no segmento fast-food. Para isso diz vários não, inclusive o de não crescer tão rápido quanto os concorrentes. O Barclay Prime, a steakhouse que entrega a experiência completa em carne em um cheesesteak de mais de 100 dólares. Ou o Le Grand Burger que não tem entradas e petiscos, não tem cafés, não tele-entrega, mas faz uma combinação única entre hamburguers e culinária francesa.

Afinar o foco não significa vender menos. Pelo contrário, pode ampliar seu público dentro do seu foco. Pessoas comprando mais, por mais tempo a um preço maior. Isso é branding. Isso é prestígio. Você não precisa fazer de tudo um pouco (e geralmente muito mal) para ter mais pessoas cruzando pela sua porta. Menos “sejam todos bem vindos”. Mais “eu sou bom nisso e que legal que você goste também”. Simples assim. Como um não dito na hora certa.

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

http://br.linkedin.com/in/felipeschmittfleischer

http://www.sprbrand.com.br

@fsf11

 

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com.br

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Indicação de links

www.facebook.com/pensadormercadologico

www.twitter.com/blogdopensador

Os sacrifícios que poucos querem fazer