Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

Existe uma pergunta feita de tempos em tempos sobre qual a última vez que você fez algo pela primeira vez. Invariavelmente as pessoas ficam desconcertadas, pois não é comum pensar nisso. E também porque elas caem na rotina sem perceber e acabam fazendo as mesmas coisas de sempre de forma repetitiva.

Alguém pode dizer que hoje nunca tivemos tanto acesso à diversidade. Podemos fazer uma escolha diferente a cada dia de nossas vidas e mesmo assim nunca repetiremos nada. Músicas, destinos, restaurantes, livros, tendências, estilos, cursos, ou qualquer uma dentre as alternativas de consumo que temos. A informação, tanto sua produção quanto difusão, o consumo 24 por 7 e o acesso a tudo isso nos deixam confortáveis para estar a um passo, clique ou confirmação de mais uma nova experiência.

Mas quantos de fato fazem isso? Uma das edições desse semestre da revista de bordo da Southwest Airlines tem um artigo provocador de Adam Hunter. Ele cita que a própria tecnologia de certa forma conspira para nos mantermos em ambientes déjà vu. Os algoritmos do Google e a popularidade, o feed do Facebook direcionado e as músicas trend do Spotify. Vivemos circulando por lugares que nos envolvem trazendo hits daqueles que estão próximos ou que se encaixam naquilo que podemos chamar de clube, tribo ou comunidade.

Talvez agora alguém irá lembrar de Chris Anderson e a Cauda Longa. Eu chamaria de Cauda Invisível. O Forgotify traz como modelo de negócio 4 milhões de músicas jamais tocadas no Spotify. Nem ao menos uma vez executadas e convida você a dar uma chance de mudar a história dessas músicas. Adam Hunter desafia novos negócios, o Invisigram, o Neverflix, o Wikineedy, o UnTweeted. Dar chance aos conteúdos perdidos e invisíveis. Além disso, a descoberta é excitante para o ser humano e o aspecto de saber algo que poucos (ou ninguém) sabem tem um valor bem apelativo.

Aproveite o exemplo. Em 2015 e siga por ruas que nunca passou. Saia das mesmas mesas dos restaurantes. Mude os destinos no Tripadvisor. Conheça lugares que nunca foi. Leia livros fora do best-sellers. O conhecimento surge do desafio do desconhecido. E é esse fascínio que acorda a inteligência. Mais de um milhão de alternativas se abrem no novo ano. Algumas portas são somente para você. Vai lá, tome 2015!

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Mais um ano para sair dos lugares comuns de sempre

O que mudaria se você desaparecesse amanhã?

Muito já se falou de propósito. O sentido das coisas, dos negócios e das ações. Mais do que produtos e serviços, as marcas que desejam estabelecer uma posição forte precisam de propósito. Algo verdadeiro e profundo que vincule seus ideiais com aqueles que as pessoas acreditam e perseguem. Mas como encontra-lo?

Recentemente se tornou popular um diagrama que compara o processo de aprendizado ao desafio de sair de San Francisco e chegar em Londres. O método de aprendizado mais lento é o de “aprender pela leitura”. Seria como tentar chegar a capital inglesa caminhando,  mais de 1800 horas de viagem.  Na sequência vinha “aprender indo a escola” (usar uma bicicleta e chegar depois de 366 horas), “aprender de um mentor” (usar um carro e viajar 85 horas), “aprender fazendo” (tomar uma avião e depois de 11 horas aterrissar em Londres).

No entanto, o método mais rápido sugerido pelo Fundersand Founders foi “aprender através de assumir grandes riscos”.  Seria como pegar um foguete e chegar de San Francisco a Londres em apenas 33 minutos. Enquanto os 3 primeiros métodos tem chances pequenas ou medianas de alcançar o destino, este último tem altas probabilidades que você chegue lá. Aviso, com riscos. Algo como pular na água. Ou você afunda e morre ou nada e se salva. Se nadar, levará menos de 1 minuto para aprender.

Uma das perguntas mais perturbadoras postas a um empreendedor é o que aconteceria se sua marca desaparecesse no dia seguinte. Quem se importaria? F. Scott Fitzgerald falava: “Não escreva porque você quer dizer algo. Escreva porque você precisa dizer algo.” O que você precisa dizer? O que sua marca traz de novo, diferente e valioso para as pessoas?  Uma das boas analogias do branding é comparar a competição a um jogo de memória, semelhante aqueles baralhos de cartas nos quais temos que encontrar aonde estão os pares. Eu tenho um problema e preciso encontrar a carta (a marca) que pode resolve-lo.

E como vencer o jogo da memória? O que você entrega para as pessoas que ninguém mais está entregando? E de fato, você acredita que o que faz traz alguma diferença para você, sua vida e a vida das pessoas que fazem negócio com sua marca? Aqui temos o ponto de união entre o propósito e sua capacidade de aprender e dar certo em seu empreendimento. O método mais rápido e com maior chance de sucesso é o da tomada de riscos. Você é capaz de se desfazer de todas as economias para cair de cabeça em um novo negócio? Claro, você só fará isso se o novo negócio tiver um mínimo vínculo com seu propósito e com as coisas em que acredita. Como ensina o livro Rework da 37signals, o melhor jeito de dar certo é “coçando a própria coceira” e colocando você na sua marca. Então as chances de dar certo e não ser facilmente clonado são muito grandes. Disposto a entrar no foguete? Ou sua marca pode morrer amanhã sem ninguém saber?

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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O que mudaria se você desaparecesse amanhã?

Como você acha que os grandes começaram?

Para marcas que querem crescer recomenda-se o fornecimento de tônicos. Levemente balanceados entre doses de esperança, inspiração e prática. Neste equilíbrio, grandes marcas surgem como fonte importante de exemplo, tanto positivo quanto nem tanto. Mas quando estes ícones do branding são trazidos à discussão estratégica, alguns interlocutores argumentam que quando se é grande fica fácil fazer qualquer coisa. Dinheiro, equipe, público. Tem tudo à mão.

Mas como marcas gigantescas e icônicas começaram? Grandes e imponentes ou pequenas e audaciosas? Nike, HP, Apple, Häagen-Dasz. Quatro marcas, quatro exemplos. Inícios inconstantes, possibilidade de sucesso duvidosa. Histórias que se assemelham a milhares de marcas que querem se lançar ao mercado, mas tem dúvidas sobre os caminhos e a energia que devem despender.

Intimamente ligada ao mito do (super) herói, a Nike carrega uma origem autêntica nas pistas de corrida. Nascida em campos de treinamento. Dois idealizadores, corredor e treinador, apaixonados por encontrar um produto que melhorasse o desempenho de atletas profissionais. E um trabalho de posicionamento perfeitamente executado.

Por outro lado, HP e Apple nasceram em contextos parecidos, separadas por décadas de distância. A primeira no início do boom dos equipamentos eletrônicos, impulsionada pela paixão de dois inventores. A segunda no grande boom dos computadores pessoais, igualmente alicerçada em dois idealistas da contra-cultura. Grandes ideias recheadas de ousadia nos negócios. O primeiro contrato da HP foi feito com Walt Disney para produzir o filme Fantasia, hoje um clássico do desenho animado. Já a Apple, despontou criando um contraponto ao mundo dominante da IBM, líder incontestável da época.

Em outro segmento, para muitos sorvete tem um sinônimo: Häagen-Dasz. Cremoso, sofisticado, premium. Como um bom sorvete nascido no Bronx. Bronx? Sim, poucos sabem, mas o berço deste sorvete ícone não é a Europa, mas um bairro nova iorquino que pouco combina com os atributos hoje reconhecidos da marca. Sabiamente, seu criador procurou conferir um nome que remetesse aos países nórdicos, mesmo não o sendo. Inclusive, o jogo de letras e o nome composto não guardam qualquer significado na língua onde foi inspirado, o dinamarquês. Mas carrega todo sentido na percepção desejada junto ao seu público consumidor.

Assim da próxima vez que ouvir uma história de grande marca, lembre-se que ela começou como você. Pequena e invisível no mercado. No porta-malas de um carro, como a Nike, na garagem como HP e Apple, ou na cozinha de casa em um modesto e violento bairro como Häagen-Dasz. Mas nem por isso, os contextos contrários, os desafios imensos, fizeram marcas e empreendedores desistirem. Eles estavam com grandes ideias nas mãos e na busca das ferramentas certas para fazê-los conquistar o mundo. Pense seriamente nisso quando tentar encontrar desculpas para não ir além.

PS: Esse blog completa 4 anos de história neste início de 2014. Começou pequeno também. Mas com grandes propósitos.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Como você acha que os grandes começaram?

O descanso é um dom e não uma recompensa

Tem muitas empresas que ainda enxergam o descanso dos seus funcionários como algo que mereça ser conquistado, ou seja, uma recompensa. Na verdade o descanso é um dom da humanidade e dos seres vivos. Precisamos de descanso para nossa “reconstrução” e até mesmo saúde mental. Quantas mudanças de humores, mal súbitos, tonturas ou até algo mais grave, até que você entenda a importância do descanso? Mesmo assim, existe a cultura corporativa do primeiro a chegar e último a sair. Quem consegue isso ganha uma medalha invisível e no final do ano ganha…. nada (talvez um infarto, família perdida, um tapinha nas costas ou um falso sentimento de segurança no emprego).

O famoso indicador de produtividade, fazer mais com menos, deve ser medido na jornada de trabalho padrão, algo como 8 horas. Além disso, qualquer ganho deveria ser computado como ineficiência. Funcionários descansados são felizes, tiveram tempo de se recarregar, aprender algo novo seja estudando, lendo ou assistindo a qualquer mídia. Trocaram ideias com outras pessoas. E isso tudo, ao final, gera resultado e satisfação. O descanso não é um subproduto do sucesso. Eu não preciso trabalhar 30 anos feito um camelo no deserto para descansar por 10 anos. Culturas baseadas em relógio solar, onde no primeiro raio de sol já estamos na labuta e paramos somente quando a noite chega foram necessárias em uma outra época, mas agora podem ser novamente questionadas.

Obviamente que existem momentos onde temos que trabalhar demais. Mas estes momentos não podem ser a regra. Momentos não são anos, são alguns dias. Mesmo ao iniciar uma empresa você tem que equilibrar a sua vida um pouco mais. Para mim, em especial, que gosto muito do que faço, é uma dica bem difícil. Talvez eu esteja escrevendo tudo isso para me convencer. Mas tenho certeza que isso é o correto, e mesmo não conseguindo hoje descansar e fazer tudo o que quero de lazer, não deixo de perseguir esta meta.

Que no próximo ano as empresas entendam um pouco mais dos valores da sociedade atual. E que entendam que o descanso é um dom e não uma recompensa.

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Obrigado pela audiência!

Até a próxima dica

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

– Imagem: Acervo do autor

O descanso é um dom e não uma recompensa

Rich People Country Club

Alguns anos atrás entramos em uma revenda multimarcas de carros importados. Fomos olhar um carro específico, mas as portas estavam trancadas. Passados alguns minutos, do fundo da loja apareceu um vendedor a passos lentos e desinteressados. Quando estava a uns 15 metros de distância, nos perguntou: “O que vocês querem?”. Obviamente não estava ligando para estes clientes, quase certamente, na sua leitura estávamos atrapalhando seu negócio. 

Há dias atrás neste blog contou um caso de sucesso em atendimento de varejo. Pela outra ponta, tomamos contato com estratégias totalmente diversas. Não falamos aqui de segmentação de mercado, pois essa em nenhum momento indica que você deva tratar de maneira inadequada seus clientes. Ou questioná-los a respeito do sobrenome, endereço ou veículo que dirige. Recentemente, uma garota somente conseguiu ser atendida no cabeleireiro, após inventar que morava em um condomínio de alto padrão da cidade.

 

Esses negócios confundem exclusivo com excludente. Acham que por ter produtos premium, em alguns casos facilmente encontrados em balaios de lojas norte-americanas, podem eleger quem são seus clientes premium, baseados em alguns critérios particulares furados. Lojas que servem taças de espumante apenas para quem é do círculo, festas da nata, lugares que acabam comuns pela pasteurização do público no estereótipo Rich People Country Club.

Robert Frank conta a história de um bilionário que perdeu tudo na bolha das empresas ponto-com. Tão rápido quanto ganhou dinheiro e acumulou bens, viu desmoronar tudo e ficar com patrimônio negativo. Em uma visita, no que restou de sua propriedade, já com jeito decadente, Frank observou que havia decoração natalina em pleno mês de agosto. O ex-bilionário confessou que nas manhãs sentava em uma cadeira e ligava as luzes da árvore para observar a sua beleza e sentir-se um pouco melhor.

Nos anos 80 um clube pedia de seus candidatos a sócios, a renda e o patrimônio. Hoje tem infiltrações nas paredes, teto mofado e gesso despedaçado de seus adornos. Nem as luzinhas de Natal da história acima permaneceram para deixar o ambiente menos deprimente. Quem se guia por estratégias de excludência burra, geralmente termina de maneira melancólica. Preste atenção, para não se arrepender do que faz hoje e terminar em casa vestindo robe de seda cor de vinho. Alguns anos atrás, a marca alemã Porsche, curiosamente o carro da primeira história deste post, fez um comercial em que mostrava como dar atenção a todos, mesmo aqueles que estão muito distantes das colunas sociais, inclusive porque não acham legal estar lá.

 

 

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Rich People Country Club

Melhor morrer correndo riscos do que entediado

As pessoas sempre querem alcançar tudo que desejam. Ou pelo menos deveria ser assim. Convivemos com os dilemas das escolhas, entre arriscar para conseguir algo e ao mesmo tempo poder perder outro que possuímos. As grandes estórias dependem disso para serem grandes. Se a falha de um protagonista custar apenas sua vida voltar ao normal, essa estória não é interessante para ser contada. Seja no cinema, seja na vida.

Quando encontramos marcas pequenas ou médias, invariavelmente seus sonhos e metas miram o céu. Atingir milhões, bilhões de vendas. Somente nos Estados Unidos há 27 milhões de empresas registradas, mas apenas em torno de 2.000 delas alcançaram US$ 1 bilhão de vendas ao ano. Um percentual inexpressivo perto do universo de empreendedores. De cada 100 novos negócios no Brasil, apenas 5 sobrevivem ao teste dos 5 anos de atividade. E os outros? Será que todos fracassaram?

Seres humanos falham sobre pressão. Corredores caem, jogadores tremem e gestores cometem erros. Tentamos nos cercar do máximo de informação e detalhismo para conquistar a (falsa) sensação de tudo estar sob nosso controle. Desenhamos mapas e estratégias pensando que os mesmos são traduções perfeitas da realidade. Riscos não são facilmente controláveis. Muito menos em sistemas complexos, como o mundo dos negócios, com milhares de interações, algumas sequer conhecidas. Segundo o sociólogo de Yale, Charles Perrow, podemos chamar de “acidentes normais” aqueles que esperamos do funcionamento típico de uma operação tecnologicamente complexa. Como os negócios, as empresas e as marcas que conhecemos.

O psicólogo canadense Gerald Wilde registrou que em certas circunstâncias, mudanças que parecem tornar mais segura uma organização, na verdade, não a torna. Porque nós tendemos a contrabalançar redução de riscos em uma área com o aumento em outra. Freios ABS nos fizeram acelerar mais, faixas de pedestres têm mais acidentes que esquinas que não as têm. Arriscamos-nos mais com a impressão de corrermos menos riscos. Aeronaves mais seguras não reduziram tanto as taxas de acidentes, pois queremos mais passagens baratas e voos pontuais, independente do clima e do estresse das tripulações.

Após riscos que resultaram em fracassos, como bons e preocupados seres humanos, tratamos de investigar as causas e achar os culpados. Um pouco de hipocrisia, já que nosso comportamento natural tende a eliminar segurança por novos riscos, como vimos acima. O certo é que isso faz parte da essência da vida, onde cada passo nosso está em rota de colisão com algo: bom, ruim ou indiferente. Chamamos de sorte, azar, destino ou qualquer outro termo. Certeza apenas é que, entre todas as mortes, a pior delas é a de tédio.  
 

 

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Melhor morrer correndo riscos do que entediado

O chato mundo dos discursos que parecem piadas sem graça

O humorista Steve Martin em uma auto-análise sincera, pouco comum para estrelas de Hollywood, afirmou que em dias ruins olha para sua carreira e vê que não fez grandes filmes. Apenas uma seleção de boas cenas que juntas e mixadas renderiam talvez no máximo um bom videoclipe. Algumas marcas parecem com essa história. Bons momentos, mas que em perspectiva estão perdidos em locais diferentes do passado. Vivem eternos dias ruins, pois foram engraçadas, tal qual a visão pessimista de Martin, apenas em raros momentos.

 

Quando alguns anos atrás começamos a visualizar um novo produto que hoje na SPR Brand chamamos de Trueset, percebíamos que havia empresas que pensavam que suas marcas eram pedaços descolados do resto do negócio. Acreditavam que independente de como estavam construídos os modelos de negócio e os diferenciais que seus produtos e serviços proporcionavam, as marcas tinha liberdade própria para fazerem o que quisessem. Por mais mentiroso e temporário que fossem. Colocavam o batom no porco. Ficava mais bonitinho (ou ridículo), mas continuava essencialmente um porco.

Rob White disse certa vez que quando perguntamos aos executivos que marcas eles admiram, aparecem invariavelmente Apple, Starbucks, Google. Ampliaria para Zara, Ikea, Nike, Arezzo (para citar um exemplo local). O interessante e comum a elas é que suas marcas são mais a incorporação de sua liderança executiva do que produto do departamento de marketing. As coisas começam do lado de dentro. Não no de fora. Não tem a ver com propaganda, nem mesmo com marketing. Não são mulheres nuas, corredores velozes, lojas iluminadas, comerciais espertinhos. John Gerzema e Ed Lebar definem: “…é a construção de uma empresa que faz o que afirma fazer.” Simples e verdadeiro assim. Tão importante que agora a HP tenta resgatar o velho espírito inicial de Hewlett e Packard no seu Make it Matter.

 

Nisto acreditamos. Que devemos ser bons em algo. E em paralelo testar os insights de mercado para comprovar a vantagem de estar nesta posição. Voltando a Steve Martin, agora em um de seus livros. Lá ele afirma: “Love is a promise delivered already broken.” Para as marcas, este caminho é uma rua sem saída: dizer para as pessoas somente o que elas querem ouvir. O bumerangue que você jogou irá voltar rapidamente em direção a sua cabeça mais rápido que imagina. Se não treinou para pegá-lo, terá problemas urgentes. E não serão nada engraçados.

 

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"Branding é uma esperança embrulhada em um desejo dentro de uma fantasia"

Houve um tempo que a dita cultura popular era segregada a um canto da mídia. Hoje está com seu show garantido na arena central, seja do rodeio do mês ou sobre o caminhão para o comício político. A consagração plena de lixos culturais. A popularidade serve como selo de (falsa) qualidade. Então a relevância é amplificada e o último sucesso é ecoado de maneira unidirecional. A elite que antes esnobava a música sertaneja ou o grupo de pagode, corre para comprar ingressos em áreas Vips, ouvindo a mesma porcaria entre uma taça e outra de champagne. Audiência grande e diversificada tende a convencer até os incrédulos que talvez, em algum sentido, pode haver algo interessante ali. Modelos de sucesso tendem a nos convencer que existe uma verdade. Mera ilusão de pensamento.

Durante 1.500 anos sobreviveu uma teoria que defendia que a Terra era o centro de tudo. Ela era considerada uma verdade absoluta por todos. E estava totalmente equivocada. Mas por que esse erro foi cometido? Olhando mais de perto vemos que 3 fatores principais foram responsáveis pela ilusão:

1. Funcionava a maior parte do tempo

2. Ninguém estava interessado em desmenti-la

3. Não havia alternativa viável para substituí-la

Se olharmos para as marcas e sua gestão parece que repetimos o mesmo erro. Jonathan Baskin defende que estamos presos na mesma armadilha. Vendemos como objetivo uma ideia, cujo resultado efetivo para a empresa e seus produtos parece ser difusa. Mas os 3 fatores acima estão presentes. Escapamos das respostas diretas, pois construímos valor ao longo prazo, bem como muitos empregos e toda uma engrenagem dependem que o circo continue funcionando, mesmo que os palhaços não façam mais as pessoas rirem. Grande parte da comunicação é dinheiro jogado fora. Gera uma lembrança de marca, mas será que impacta no comportamento de compra quando da próxima visita à gôndola?

As perguntas perigosas que poucos querem ouvir e muito menos responder. Quanto custa a presença de uma marca naquele stand cinematográfico? E aquela celebridade contratada para gerar recall? Você sabe o que aquela página dupla na Vogue vai representar? Impactos de marca precisam gerar negócios. Senão não há sentido em falarmos de alinhamento de estratégia de marca e negócios. Branding deve gerar comportamento e ação. Mais do que ficar vibrando nas ondas cerebrais, a marca deve impulsionar o cliente a seguir para a próxima etapa de compra, aproximando-o da conclusão do consumo. Como um jogo, não vale nada você ficar parado mesmo que seja em um lugar super interessante, se a meta está do outro lado do campo.

A verdade absoluta do branding sem sentido está caindo. Assim como caiu a tese que a Terra era centro do universo. Para um levou mais de um milênio. Para o outro bastará alguns bilhões de reais jogados fora sem sentido. Até que alguém mostre o absurdo na crença cega que tudo está certo. E os primeiros comecem a abrir os olhos. Tal qual a música de sucesso de hoje, teremos vergonha do que um dia fizemos com as marcas.

 

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"Branding é uma esperança embrulhada em um desejo dentro de uma fantasia"

Depois dos 40 anos, índio não aprende mais a usar calças

Alguns anos atrás levei um casal de amigos para conhecer o limite vertical do Rio Grande do Sul. Ficamos em uma fazenda próxima ao ponto mais alto do estado. Certa noite saímos para jantar na casa principal e no caminho até lá pedimos para que inclinassem suas cabeças e olhassem para o céu. A reação de espanto e admiração foi imediata. Nunca haviam visto tantas estrelas. A pouca luz artificial do local permitiu enxergar um esplêndido conjunto de pontos extremamente brilhantes, formando a Via Láctea. Algo incomum para a visão de um casal urbano. Complementei lembrando, estas estrelas estão todas as noites neste céu, exatamente o mesmo sobre a cidade de vocês.

 

Mas quantos conseguem enxergar as estrelas? No cinza mundo dos negócios, as salas têm luzes demais e ideias de menos. Está tudo lá, mas ninguém vê. Nenhuma surpresa, pois os ambientes são propícios a outras coisas. Manter a organização respirando. E as coisas funcionando. Seja lá até quando for possível fazer isso. O sucesso está muitas vezes baseado na repetição de modelos passados. Ou em outras, na preocupação de algo diferente que o concorrente fez e que precisamos imitar o quanto antes. Antes que o nosso cliente perceba. Nos achamos diferentes, mas quando perguntados sobre o que seria esse tal motivo mágico pelo qual devíamos ser preferidos, a sala soluça e alguns olham para o chão procurando algo que caiu lá mas ninguém sabe o que é.

Se para a frente está complicado, então propomos olhar para trás. O que trouxe a empresa até ali? O que foi o estopim inicial da motivação e da felicidade em estar construindo algo naquele segmento. E por que estar ali e não em qualquer lugar fazendo outra coisa? Constrangedor como a falta de respostas, está a citação que o motivo central é o dinheiro. Certa vez Henry Miller escreveu:

“Se alguém bater em minha porta para vender alguma coisa, eu convidarei a entrar e direi: Por que você está fazendo isso?

Se ele disser que é porque precisa ganhar a vida, eu lhe oferecerei o dinheiro que tiver e pedirei mais uma vez que pense no que está fazendo.

Quero impedir tantos homens quanto possível de fingir que têm que fazer isso ou aquilo para ganhar a vida. Não é verdade.

Pode se morrer de fome. É muito melhor. Todo homem que voluntariamente morre de fome estraga mais um dente no processo automático.”

Algumas situações são irreversíveis. Tal o índio do título, décadas usando tanga impedem qualquer tentativa de vestir algo diferente. Em outras há esperança. Cabe ter a chave certa para reabrir a caixa de Pandora e libertá-la. Deixar ela solta para que as pessoas olhem nas mais diversas direções. Para trás buscando seus motivos e motivações. Para frente apontando caminhos e reinvenções. E para cima buscando as estrelas que insistem em brilhar, mesmo que a poluição do dia-a-dia corporativo ofusque sua luz. Fortuna aos que tem coragem para isto.

 

 Felipe Schmitt-Fleischer

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Enquanto a água bate no joelho, ninguém aprende a nadar

Você já deve ter visto várias histórias assim. Eu já escutei diversas. Em analogia lembram aquele motorista que perde os freios de seu caminhão em uma estrada sinuosa em declive. Ao invés de jogar seu veículo contra algo para pará-lo enquanto a velocidade é baixa, ele prefere descer, ir desviando dos obstáculos (enquanto consegue fazê-lo). E assim vai tomando velocidade e fica cada vez mais difícil não colidir, fazer as curvas e chegar salvo no final da montanha. No fim, só resta a esperança que a sorte estará do seu lado, pois nada mais resta a fazer.

 

Algumas empresas pensam assim. O caminho do dinheiro do passado não se esgotará no futuro. A história está para provar diferente. Ao contrário de barras de ouro, organizações são flores que murcham em algum momento, quando o clima muda. Mas os primeiros sinais que a mudança começa a acontecer geralmente não são suficientes. Surgem inúmeras justificativas para eventuais insucessos. Mas nada suficiente para mudar. Se funcionou antes, vai continuar funcionando sempre é seu mantra.

Quando a velocidade do caminhão atingir um nível incontrolável será tarde demais. No caso da empresas, o tarde demais pode ser enganoso. A herança do passado, além de congelar as respostas e paralisar decisões para o futuro, carrega um peso de caixa e recursos que parecem inesgotáveis. Apenas parecem. Mas são suficientes para adiar ao máximo os movimentos necessários. Quando a conta bancária ainda indicar diversos zeros à direita não precisamos nos preocupar. A cesta está cheia de frutos, mas a raiz da árvore começou a apodrecer. E os riscos que deveriam ser comprados para sair dessa armadilha, parecem apenas maneiras de perder o colchão da tranquilidade financeira.

Força, poder e dominância são sedutores nos negócios. Criam às vezes um efeito semelhante ao porre alcoólico. Transformam pessoas capazes (e algumas nem tanto) em super-heróis da gestão. No entanto, a liderança de mercado é somente um flash no tempo. Passageiro como tudo. Muito mais instantâneo que você possa imaginar. Se você encontrar situações semelhantes, saiba olhar para o volume de água da piscina. Caso esteja ainda baixa, na altura do joelho, pode estar quase certo que pouco será feito. Mas dependendo da vazão de entrada da água, quando ela chegar ao pescoço vai ser tarde demais para aprender a nadar.

 

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Enquanto a água bate no joelho, ninguém aprende a nadar