Isso eu não sei, eu só trabalho aqui

Dos corredores do supermercado ao balcão da companhia aérea. Do atendente do telemarketing à moça do guichê de informações do banco. O cliente questiona algo e do outro lado ouve como resposta: “Não sei, só trabalho aqui.” Como se fosse normal e lógico. Trabalhar é uma coisa totalmente diferente e desligada do problema do cliente. É quando fica claro que o cliente é um mal necessário, atrapalhando a rotina natural dos padrões.

A terrível realidade das marcas e das empresas é totalmente diferente dos paradisíacos ambientes perfeitos do branding. Tanto que uma marca do segmento bancário destaca que os clientes especiais conseguem falar com os funcionários que resolvem realmente seus problemas. Fica óbvio então que os demais clientes irão sempre falar com aqueles que nada resolvem. Ou melhor, só trabalham.

Defendemos que as manchetes de marca, muito mais que slogans de comunicação, são bandeiras para orientar o time interno. Não existe bom branding em marca que acha que funcionário serve para cumprir função. Ele, que está na linha de frente com o cliente, deve fazer a entrega de tudo aquilo que a marca prometeu ser um dia. Os momentos da verdade são vividos assim. Não pelos gestores e estrategistas de branding, mas pela a equipe que você colocou para falar com as pessoas.

Nada mais frustrante do ponto de vista do cliente do que perceber o quanto foi desperdiçado em dinheiro para trazê-lo até as portas da marca e o quanto foi economizado no mesmo orçamento para garantir uma relação satisfatória. A mágica se quebra. E mais outro caminhão de dinheiro será gasto para fazer com que a mesma pessoa volte a ter confiança. O caso das operadoras de telefonia celular ilustra isso. Compromisso, verdade, preocupação são palavras que passaram a fazer parte de sua agenda de comunicação, depois de deixarem quem paga a conta sem o serviço.

Apenas trabalhar, no nível mais importante, significa garantir que o que a marca prometeu seja completamente entregue. As pessoas da equipe são guardiãs da marca e de seus valores. Todas as grandes crises surgem justamente da falha em desvincular as atividades dos propósitos. Sorrisos na televisão não salvam o mau-humor de seus funcionários. Jamais esqueça disto, mesmo quando estiver “só trabalhando”.

 

Felipe Schmitt-Fleischer

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Isso eu não sei, eu só trabalho aqui

Você é um cliente especial para nós, e temos uma proposta única para você!

Com estas ou outras palavras você já deve ter ouvido a mentira acima (do título). Esta é uma técnica que ainda deve funcionar, pois já fazem mais de 30 anos que é executada. Alguém lhe liga, sem que tu tenhas pedido, e começa a falar na velocidade nível 5, até chegar na tão famosa frase: “Você é um cliente especial para nós e temos uma proposta única para você.” Mesmo que tu não queiras ou tente interromper, neste momento ela vai lhe dizer a proposta. Ontem, foi mais ou menos assim comigo:

{Telefone celular tocando}

Gustavo (atendendo): Gustavo! (sempre atendo falando o meu nome)

Operadora:  Posso falar com o senhor Gustavo Campos (neste momento tu já sabe que é uma fria, pois ninguém inicia uma ligação assim)

Gustavo:  É ele, o que você queria?

Operadora: Você é cliente de nossa operadora de telefonia e hoje estamos com uma oferta para você.

Gustavo: Estou no carro, em trânsito. Tu poderias me ligar depois?

Operadora: (fazendo que nem ouviu) Esta oferta é somente para hoje. São apenas para alguns clientes que estamos ligando. Você é um cliente especial para nós e temos esta proposta única para você. Estamos lhe oferecendo um pacote de TV por assinatura por R$ 39,90, com mais de “x” canais….. (Eu interrompo neste instante).

Gustavo: Moça, inicialmente eu havia lhe comentado que estou no carro e não posso falar. Você ignorou isso. Também lhe digo que a sua empresa deve primeiro se preocupar em entregar um serviço de telefonia de primeiro mundo, para depois querer vender algo que vocês nem sabem o que é (estava me referindo a TV por assinatura). E agora eu fiquei curioso. Para nós prosseguirmos, quero que você me explique por que eu fui selecionado para esta ligação? Por que sou tão especial para vocês.

Operadora: (silêncio, seguido de barulhos de teclas sendo rapidamente digitadas).

Gustavo: Moça, está ainda ai?

Operadora: Sim, me desculpe. Você é um cliente especial para nós pois é uma conta antiga.

Gustavo: Só por isso? Como falaste que eram poucos clientes especiais e o critério é a antiguidade, quer dizer que a grande parte é tudo cliente novo? Perderam todos os clientes antigos? Eu tenho conta com vocês há apenas 5 anos. Quer dizer que com esta data eu sou um dos poucos mais antigos? Qual o outro critério de eu ser tão especial?

Operadora: Senhor, só queríamos lhe oferecer…

Gustavo: Espera ai. Eu lhe fiz uma pergunta. E como acho que não tens nem idéia e você repete este script para centenas de pessoas por dia, não há nada de especial na minha relação com vocês e nem com a sua proposta. É a mesma proposta para todos. Então tu corta o meu número deste seu banco e não me liga mais sem saber o por que eu sou especial e tendo uma proposta que eu realmente tenha interesse e seja customizada para mim. Tchau, passar bem! (e assim eu desligo).

O exemplo acima mostra como se faz para perder um cliente ou pelo menos a simpatia deste cliente pela marca prestadora do serviço. Este tipo de trabalho ainda pode funcionar, mas tentem (os que usam esta ferramenta) pelo menos ser sinceros na abordagem. Nem todos são especiais, vips, exclusivos, diamantes, etc. Se sua empresa quer classificar clientes, ofereça realmente uma proposta singular e não algo massificado com o nome de vip. Também treinem as telefonistas para serem mais empáticas e preparadas. Do contrário, para cada 1 cliente conquistado terão 10 outros sem conversão, e o pior, de mal por terem sido interrompidos durante o seu dia por assunto tão banal e fora de contexto possível.

Certamente, com todo o cadastro de ligações telefônicas, hábitos de uso e eventualmente cruzamento de banco de dados com a alta tecnologia hoje existente para este fim, existem sim maneiras mais caras, mas de extrema eficácia, com um retorno bem superior, de se ofertar produtos e serviços mais ajustados ao target.

Pensem nisso antes de chamar alguém de VIP ou Especial.

 

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

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