Nada do que foi será…

Lulu Santos, já nos ensinava que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Mas isso não significa que será pior. Temos alguns padrões culturais de pensamento que nos colocam em perspectivas difíceis de sair de situações de desvantagem. Enquanto muitos americanos acreditam em frases como “no pain, no gain” (sem dor, sem ganhos) e isso dá uma energia extra para a virada de mesa, aqui, muitos empresários acreditam em “mais vale um passarinho na mão, do que dois voando” ou “em terra de cego quem tem um olho é rei”. Fica nítido que em nosso equalizador cultural, que influencia muito nossos pensamentos, que geram comportamentos que são causas de nossos resultados, temos mais retraídos os níveis de “ambição” e “conquista de mercado”.

COMPORTAMENTOS

Mas isso não serve para todos e muito menos é algo que não tenha solução. O primeiro passo é o reconhecimento da influência e como ela controla nossos comportamentos (ou a falta deles). O outro é a vontade diligente em arriscar mais em direção a um cenário imaginado melhor do que você hoje se encontra. Algo que ao levantar nos dê aquele empurrão que as vezes precisamos quando as coisas não vão tão bem. Jota Quest, na musica “Dias Melhores”, reforça dizendo “Vivemos esperando dias que seremos melhores…melhores em tudo…vivemos esperando dias melhores para sempre”. O dia chegou, e é hoje. Não há mais tempo para esperar que as coisas que foram boas no passado retornem ao presente. Agora temos que viver o que devemos viver: o presente, com uma forte orientação a um futuro melhor.

SALTO DE FÉ

Isso, neste momento, é um salto de fé, que no meu entendimento significa uma “expectativa futura positiva”. Imagine-se na beira de um abismo. Você enxerga o outro lado, mas tem dúvidas que conseguirá pular até a outra margem. E com esta dúvida você fica parado, esperando que o outro lado do abismo se aproxime de você. Mas isso não acontecerá. Quanto mais você olha para o abismo, mais o abismo olha para você. E neste possível cenário, você acredita que não há mais saída, que deve defender o que já conquistou e esperar a tempestade passar. Mas são as chuvas da primavera, de um mundo diferente.

TENDÊNCIAS

Considerando as três grandes tendências que estão configurando o novo Brasil há alguns anos – o Ter, o Saber e o Experimentar – , notamos que as centenas de milhares de consumidores do País estão gastando seu dinheiro. Talvez não da mesma forma, mas querem experimentar outros cardápios, outros destinos turísticos, outras marcas de roupa, outras categorias de calçados, modelos melhores de veículos (mesmo que usados), melhores marcas no supermercado, etc. Ou você acha que os diversos cruzeiros que sairão de nossa costa neste verão irão vazios? Ou você acha que as sessões mais caras das salas 3D do Brasil ficam vazias? Ou você acha que os restaurante famosos das cidades não tem mais filas de espera? Ou que as pessoas não viajam mais e estão em casa esperando a tempestade passar? Mas talvez você ache que tudo isso é válido, mas os consumidores elegeram o setor de calçados para economizar, certo? Talvez o jogo não esteja tão apertado para todos. E talvez você tenha que acreditar que “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, acreditar em “dias melhores”, parar de olhar para o abismo, dar um salto de fé e proporcionar mais conhecimentos e experiências em suas propostas de marca. Quem sabe o sol volta a aparecer pelo menos para você?

Este texto foi originalmente publicado em minha coluna mensal no Jornal Exclusivo, na edição de 28/10 a 03/11/2013.

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Gustavo Campos

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Gustavo Campos, administrador por formação, empreendedor por natureza. Muito estudioso, leitor voraz, odeia falar ao telefone. Gosta de tecnologia, apesar de se incomodar em pagar mais caro por ser um dos primeiros a comprar algo. Geek por estilo de vida, sempre está conectado, não sabendo o que seria de sua vida sem notebook, smartphones, tablets, Moleskine e uma boa conexão Wi-Fi com a Internet. Ambicioso, não alcançou ainda nem o início do que quer desta vida. Professor apaixonado pela vida e por sua família, dono do Max e da Pink, o casal de Yorkshires mais famosos da cidade.

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Principais fontes consultadas para este artigo:

– Minhas experiências pessoais e profissionais

– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

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Nada do que foi será…

Construção de Histórias no Branding

Nas primárias da eleição presidencial norte-americana de 2008, Mark J. Penn municiou a candidata democrata Hillary Clinton com diversos pacotes de micro-informações. Assim, segundo ele, seria possível o desenvolvimento de micro-políticas para fatias pequenas e específicas do eleitorado. Uma potencial diferenciação em relação ao tradicional discurso genérico, com poder para cativar eleitores que não se sentiam atendidos pelas grandes promessas nacionais. Penn, famoso por abordar tendências e micro-tendências (tema visto no post O que o Cebiche tem a ver com seu Negócio?), acreditava que a construção da vitória de Mrs. Clinton passava por esta estratégia. No entanto, a história mostrou o triunfo de um homem com um discurso que enfatizava a união em palavras como “esperança” e “mudança” e o propósito no qual os indivíduos pudessem ser inseridos em algo maior. O contexto e o momento ajudam a definir quais histórias fazem mais sentido para pessoas. Vale para políticos, como o exemplo de Obama, como para as marcas.

Gilles Lipovetsky, teórico da hipermodernidade, define alguns drives importantes que Continue reading “Construção de Histórias no Branding”

Construção de Histórias no Branding

O que o Cebiche tem a ver com seu Negócio?

O Cebiche, referência na gastronomia peruana, foi consagrado como Patrimônio Cultural do país, um orgulho nacional, inclusive com uma data comemorativa (28 de julho). Suas origens remontam ao período de 2.000 a.C. entre o povo Mochica do norte do Peru, quando o peixe era marinado em suco de tumbo. Os Incas também tinha sua versão usando uma bebida fermentada à base de milho. A pimenta aji foi acrescentada à receita ainda em período pré-colombiano. Com a chegada dos espanhóis, o limão foi trazido para a América do Sul e passou a ser obrigatório no preparo de um autêntico cebiche. Presente em toda América Andina, o cebiche e a comida peruana estão rapidamente espalhando-se pelo mundo: Califórnia, Nova York, México, Panamá, Brasil, Uruguay. Há claramente uma onda, uma tendência forte para o crescimento da gastronomia do Peru e sua aceitação por diversos públicos. Exotismo, história, cultura, saúde e tematização são alguns elementos presentes que alavancam essa tendência e impulsionam a comida peruana.

Você já deve ter ouvido diversas vezes a metáfora que é necessário ajustar corretamente as velas do barco para que ele aproveite as melhores correntes de vento do momento. Assim seu negócio, para aproveitar melhor as Continue reading “O que o Cebiche tem a ver com seu Negócio?”

O que o Cebiche tem a ver com seu Negócio?

Uma questão de perspectiva

Entre tantas tiradas geniais, Woody Allen disse certa vez que era muito difícil fazer previsões, sobretudo a respeito do futuro. Tem em grande parte razão, se considerarmos em perspectiva os erros colossais que já foram cometidos por organizações dos mais diversos segmentos em atividades de planejamento. Existe uma complexidade em antecipar os acontecimentos seguintes, mesmo aqueles diretamente correlacionados com ambiente competitivo conhecido. Porém os erros não podem servir de desculpas para a falta de planejamento, ou de colocações já presentes na linguagem natural da empresas, do tipo “o papel aceita tudo”. Talvez não apenas o papel aceite tudo, mas as pessoas se omitam de responsabilidades também.

 

Em um clássico filme dos anos 50, dois recém conhecidos se esbarram em um táxi de uma grande cidade e dialogam:

“Você tem um problema”, afirma o homem.

“Por que?” retruca o outro.

“Porque não parece tê-los!” finaliza o observador.

Pensar que sabemos tudo e que dominamos grande parte das variáveis do nosso negócio é perigoso e pode ser o indício principal que estamos com um grande problema. Esse comportamento em muito pode ser explicado por um mecanismo de autodefesa: não queremos e não gostamos de transparecer fragilidade. Imagine alguém descobrir que tenho dúvidas sobre meu negócio? Ou se alguém disser que sabe mais do que eu sobre minha própria empresa? Nada demais. Suponha que você esteja em uma esquina qualquer de sua cidade. Acontece um acidente a 2 quarteirões dali. Você não fica sabendo de nada, porém o sujeito pendurado em um andaime no vigésimo andar do prédio ao seu lado vê tudo e sabe em detalhes o que aconteceu. Isso o torna superior? Não. Isso não significa que esse sujeito é mais inteligente ou esperto que você. Apenas estava em outra perspectiva, nesse caso, mais privilegiada.

O detalhamento de cenários dentro do planejamento tem a utilidade de explorar as alternativas existentes, positivas e negativas, que podem impactar seus negócios em um horizonte de tempo. Quanto mais informação conseguir elencar mais riqueza de possibilidades estará disposta. Da mesma forma, opiniões e visões externas, sejam de pesquisas, relatórios de tendências, consultores especializados diversificam as perspectivas e as chances de enxergar melhor o que acontece (e pode acontecer) a sua volta. Em 2006 ficou célebre o bilhete recebido pelo goleiro Lehmann durante a cobrança de pênaltis contra Argentina na Copa do Mundo. Tão famoso que acabou sendo leiloado por uma pequena fortuna posteriormente. Em palavras escritas a lápis, estava descrito como os principais jogadores argentinos batiam penalidades e qual era o canto favorito de cada um. A “cola” e a segurança proporcionada por ela ao goleiro, ajudaram a Alemanha naquela emocionante decisão.

 

Para avançarmos nesse tema é preciso desmitificarmos conceitos. Prever futuro não pertence à ciência da Administração, mas à cartomancia e assemelhados. Dentro do planejamento não utilizamos fórmulas mágicas que nos permitem visualizar com detalhes o que nos espera na próxima estação. Mas cercamos um conjunto de informações relacionados diretamente ao tema e que podem dentro de um grau de probabilidade impactar o desempenho, os consumidores, as vendas e os competidores. Ao ajustar as velas do nosso barco precisamos saber de onde o vento está soprando, para termos melhor aproveitamento e conseqüente velocidade. Imagine que mesmo com o sensacional reposicionamento realizado pela São Alpargatas para sua marca Havaianas se a tendência de comportamento casual não tivesse prosperado em paralelo, os resultados seriam muito diferentes dos obtidos.

 

O ambiente de elaboração da estratégia deve estar recheado de inputs mercadológicos de fontes diversas, devidamente organizados, de forma que funcionem como balizadores do alinhamento da organização, auxiliando no ajuste dos objetivos que serão buscados. Dificilmente teremos as respostas para todas as questões, pois o ambiente de competição é permeado pelo risco e espreitado pela incerteza. Cabe aos estrategistas, reduzir ao máximo o espaço do incerto que é alimentado pelo desconhecido, tornando mais amplo o terreno propicio para a execução estratégica. Amplie a perspectiva de visão!E bons negócios!

Felipe Schmitt Fleischer

Uma questão de perspectiva