Here comes Paul

No último domingo, Paul McCartney realizou um show memorável em Porto Alegre, o primeiro em território brasileiro de sua Up and Coming Tour. O compositor de maior sucesso de todos os tempos segundo o livro Guinness e recordista de público em show solo, desfilou sucessos centrados na fase Beatles e anos 70.

Em um ambiente de competição no qual a palavra onipresente é inovação, o êxito do senhor de Liverpool mostra um outro viés. O que Macca pode mostrar às empresas e marcas?

1. Mais do mesmo: sentimentos e certos valores são perenes e sua representação, neste caso artística, não precisa trazer nova roupagem para repercutir em seu público. O que ele espera é justamente isso, que você não mude jamais.

2. Autenticidade: não existe algo equivalente a sensação de estar diante do original com uma história rica e cheia de nuances, mistérios, amores e realizações. Isso torna uma marca repleta de sentidos e o público cúmplice dela.

3. Atemporalidade: gerações que viveram o auge de sua fama e gerações que nasceram muito tempo depois, compartilhando juntos. Uma ideia que transcende o tempo, pois carrega os dois elementos anteriores citados.

4. Simplicidade: mais do que business, o espírito de fazer o que se gosta e de forma bem feita, ao mesmo que se diverte enquanto trabalha. Não são necessários grandes efeitos espetaculares, trocas de figurino e artimanhas de popstar quando a mensagem é mais forte que a forma.

No quesito custo, o show também teve alta repercussão, já que os ingressos mais caros foram vendidos por R$ 520, o que por 3 horas de espetáculo significou quase R$ 150 por hora. Tudo para bancar um evento na casa dos milhões de dólares. Isso lembra uma antiga estória, que conta quando certa senhora observando Pablo Picasso pintar em seu atelier lhe questiona o valor daquela obra. Picasso calmamente revela um preço bastante exorbitante para a época. A senhora indignada responde, mas eu lhe vi pintar, tomou apenas algumas horas. E Picasso finaliza, horas não, levei toda minha vida para pintar esse quadro.

Assim Paul McCartney levou 68 anos para fazer esse show. Em uma noite apenas mostrou a obra e o valor de uma vida inteira.

Felipe Schmitt Fleischer

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Here comes Paul

Black Eyed Marketers

O quarteto californiano Black Eyed Peas esteve novamente em Porto Alegre no sábado passado para um animado show.

Quando falamos de marcas bem posicionadas, o exemplo do BEP vale como exemplo, por trabalhar muito bem alguns aspectos de relacionamento com seu público. Vejamos alguns:

Cosmopolitismo: presença global e reconhecimento que sua musicalidade é universal, consumir BEP é uma forma de estar inserido na cultura urbana ocidental. As marcas geralmente buscam este poder de emprestar um significado ao seus consumidores que ao usufruírem da mesma passam a ter uma representação diferente daquela inicial sem a marca.

Multiculturalismo: presente desde a origem dos integrantes da banda até a sonoridade que explora sons regionais, sobretudo latinos, inclusive com uma parceria interessante com o ícone da bossa nova brasileira Sérgio Mendes. Marcas, mesmo com presença global, precisam ter pitadas locais para criar simpatia e identificação com públicos específicos.

Engajada e ao mesmo tempo provocativa: os temas musicais vão desde preocupações sociais até sedução e conquistas amorosas, sempre dosando a intensidade certa de sensualidade. Marcas devem ser provocativas sem que isso afaste parcela do público mais conservador.

Inteligente em associações de marca: poucas bandas conseguem se aliar a outras marcas da forma como o BEP, sem parecer artificial ou com sentido falso. O exemplo maior vem com a marca BlackBerry, exposta artisticamente dentro do próprio show na improvisação de um rap com mensagens enviadas pelos celulares. As associações de marca devem acontecer quando há sinergia positiva entre as envolvidas, complementando valor e não o dividindo.

Da próxima vez que ouvir (falar de) Black Eyed Peas preste atenção na postura desta marca e de como fazem implementação e gestão de sua estratégia e posicionamento (veja post http://pensadormercadologico.com/2010/11/03/o-cemiterio-dos-estrategistas/), invariavelmente no ponto central. Can you meet me halfway?

Felipe Schmitt Fleischer

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

Quer receber os textos por e-mail? Na página principal, nos informe seu e-mail e receba as ideias e provocações dos pensadores mercadológicos.

Black Eyed Marketers