"Calça de moletom geralmente tem aquele bolso que cabe tudo, menos a tua dignidade."

O mundo é lugar para todos. Dos tipos mais normais (dentro do nosso ponto de vista) até os mais estranhos. A diversidade é a tônica. E nunca foi tão defendida. Isso não quer dizer que todos terão seu espaço reservado. Tirando a política de cotas, a seleção é feita através de regras de mercado. O acaso sem dúvida ajuda aos que tem aquilo que chamamos de sorte. Porém o empurrão definitivo pode ser dado por alguém muito importante no processo: você mesmo. Do outro lado, as marcas tentam interpretar esse mundo dos consumidores através de segmentações.

O respeito aos gostos pessoais e a tal diversidade tornou-se uma obrigação do politicamente correto. Criticar em grande parte dos casos tornou-se censura. Alguns casos no humor, até então aquele ambiente sem amarras, provaram isso. O mundo mais correto, invariavelmente é o mundo mais chato. E o sucesso passa a ser um balizador do que é certo e errado. Se o sujeito tem sucesso é porque certamente está do lado correto do muro. Independente da porcaria que faz. Assim prosperam Luans Santannas e Paulas Fernandes em todos os meios.

Um dos consumidores mais típicos é o guiado pela gestão financeira. O sujeito tem a vida dividida em células da planilha Excel. E se o número no final da coluna não for azul, não serve. Anda de Corolla 1999 (ou com um Mediocrity 2011), isso quando não prefere um táxi. Já que segundo seu programa financeiro, os custos de automóvel são muito superiores ao do deslocamento por outros meios. Sua razão impera, não permitindo nenhuma extravagância (segundo sua visão peculiar de mundo). Ao final da vida estará rico, provavelmente utilizando aquela calça de moletom para comprar em um atacarejo no domingo. E quando tudo terminar, poderá tranquilamente descansar (claro, deve ter um plano de auxílio funerário, pois custa menos do que correr o risco de última hora). Em sua lápide poderá estar escrito: “Viveu sempre dentro dos limites.”

Uma antiga citação, relacionada a Steven Wright, falava que dirigia rápido demais para se preocupar com seu colesterol. Uma pisada no contrapé do raciocínio do sujeito acima. A vida precisa de maior flexibilidade. Obviamente a razão é importante nas decisões. Algumas marcas utilizam estratégias de branding fortemente alicerçadas nestes benefícios funcionais, tal qual o clássico vídeo da Toyota. Alguns são quase matemáticos na equação de valor.

No entanto, o mundo não termina aqui. Uma parcela significativa das pessoas são movidas por emoções e paixões. Muitas vezes tem dificuldade extrema em externar as razões de suas escolhas. Suas gavetas mentais das marcas estão tão cheias (mais do que o bolso do moletom) que a ordem das informações pode estar confusa. Além disso, muitas vezes os reais motivos de suas escolhas precisam estar encobertos. Ninguém dirá que trocou de automóvel para não ficar em desvantagem em relação ao seu sócio, ou concorrente. Os motivos mais íntimos são resguardados por escolhas dita racionais, como em Comprar um carro por ser confiável é o mesmo que casar com uma mulher porque ela não vai te trair.  Sem perder os sonhos. Sem perder a dignidade.

Felipe Schmitt-Fleischer

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"Calça de moletom geralmente tem aquele bolso que cabe tudo, menos a tua dignidade."

Inovação Verde: quem ficar de fora pode entrar no vermelho

Há alguns anos o adjetivo “verde” era associado a uma minoria de ecochatos ou partidos políticos radicais. Hoje os negócios verdes estão virando uma prática padrão para os principais setores da economia mundial. Um movimento que muitos já caracterizam como uma terceira revolução industrial que obrigará as empresas a buscar o caminho da inovação e agir de forma sustentável.

Dentro deste contexto surgiu a “greenovation” (green + inovation, inovação verde em inglês) que reúne os conceitos básicos de inovação e sustentabilidade para gerar valor ao atender às demandas atuais sem comprometer os recursos ambientais das futuras gerações.

Como exemplo desta nova cultura, a japonesa Blest Corporation criou um modelo de negócio a partir da sua máquina que converte resíduos plásticos em óleo combustível.

Segundo Hitendra Patel, diretor do Centro de Excelência em Inovação e Liderança de Cambridge, as empresas que não acompanharem a onda verde, sofrerão fortes abalos ou poderão ter suas existências comprometidas quando ela chegar de forma definitiva.

Isto porque as questões ambientais estão tendo grande repercussão, contribuindo para que os clientes passem a questionar a forma de conduta das empresas das quais adquirem seus produtos e serviços. Na Europa mais de 60% dos consumidores já buscam produtos com alguma certificação que comprove que as indústrias que os manufaturaram sejam verdes.

Ou seja, em uma sociedade onde a informação está cada vez mais acessível e as pessoas estão se tornando mais conscientes, os gestores não podem mais pensar apenas em competências administrativas, racionalidade de processos e qualidade de produtos/serviços. Os negócios hoje precisam ser economicamente lucrativos e ambientalmente sustentáveis.

Um exemplo de inovação em prol da sustentabilidade é o da marca de artigos esportivos Puma que, focada na quantidade de resíduos gerados por suas embalagens, criou a Puma Clever Little Bag:

 

Dentro desta linha, a Puma também desenvolveu uma surpreendente sacola totalmente biodegradável: a Puma Clever Little Shopper

 

É importante destacar que não basta fazer apenas marketing verde (também conhecido como “greenwashing”), pois com a disseminação de informações sem controle pelas redes sociais, as empresas que apenas utilizam apelos ecológicos sem efetivamente fazerem nada de concreto estão sujeitas a serem rapidamente expostas. Em resumo, para capturar o valor da sustentabilidade é essencial que se cumpra o que foi prometido.

Por isso a promessa deve ser viável, perceptível e adequada ao DNA da empresa, como é o caso da Toyota, cujos produtos são em essência ecologicamente inccorretos. A sua linha de veículos híbridos atende às expectativas dos consumidores que não abrem mão de ter um carro, mas sentem a necessidade de apaziguar suas consciências:

http://www.youtube.com/watch?v=ApIKJNuHMUM

 

Para finalizar, estamos apenas molhando os pés neste vasto oceano de oportunidades que a inovação verde pode nos trazer. Acredito que vale a pena reavaliar o que estamos fazendo, a forma como estamos fazendo e como estamos entregando nossos produtos ou serviços para torná-los ambientalmente menos agressivos. Se contribuir para a preservação dos recursos naturais para os seus filhos e netos não for estímulo suficiente, pense na preservação do seu próprio negócio. Em um futuro próximo quem não entrar na onda verde pode ter dificuldades para sair do vermelho.

Leandro Morais Corrêa

Jornalista/Pós-Graduado em Marketing

Diretor da Business Presss Inteligência em Comunicação e Marketing

www.businesspress.com.br

Pensador Mercadológico

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Fontes:

Green Nation  – www.greennation.com.br

Nosso Mundo Sustentável  – www.clicrbs.com.br/especial/rs/nossomundo/19,0,3209864,Para-inovar-e-preciso-criar-parcerias.html

12º Congresso Internacional da Gestão do PGQP www.mbc.org.br/mbc/pgqp/hot_sites/12_congresso_inter/

Inovação Verde – www.inovacaoverde.com.br/

Ideia Sustentável – www.ideiasustentavel.com.br

Inovação Verde: quem ficar de fora pode entrar no vermelho

Posicionamento Sustentável e Branding

“Amigos, amigos, negócios à parte.” Jargão bastante utilizado e que conta com a concordância da maioria das pessoas. Agora troque a palavra Negócios por Marcas. Que acha? Transforma-se em verdadeira antítese do Branding. Vimos no post Branding e Posicionamento de Marcas Esportivas -parte 3 que uma gestão de marca deve ter entregas muito honestas. Afora isso torna-se um discurso vazio de conteúdo. Deve-se buscar o que chamamos de Posicionamento Sustentável, marca e negócio alinhados no mesmo sentido. Scott Galloway afirma que “a marca é o semblante de uma estratégia de negócio”. Nada mais verdadeiro. Quando as setas de marca e negócio apontam caminhos diversos o resultado é geralmente trágico. Unibanco e Toyota que o digam. O primeiro apontou a seta da marca (ser um anti-banco) e esperou que o negócio viesse junto. Não veio, o Itaú agradeceu. A segunda, para alcançar a obsessão em ser a montadora número 1 do mundo (seta do negócio), esqueceu seu principal ativo, a credibilidade da marca.

Em entrevista recente, a diretora de criação da Wolff Olins (atende a conta da Adidas) afirmou Continue reading “Posicionamento Sustentável e Branding”

Posicionamento Sustentável e Branding

Marcas, promessas, fracassos e rankings

Belos comerciais na televisão destacando uma identidade de marca, às vezes brincalhona, amiga ou ao lado das pessoas em todos os momentos. Ou vinculação com causas ou artistas inovadores, empolgantes discursos nos quais são construídas aquilo que se convencionou chamar de promessa de marca. Uma rápida visita a lista dos maiores anunciantes do Brasil, divulgada pelo Meio & Mensagem, mostra que os segmentos de telefonia e bancário encontram-se nos primeiros lugares do ranking. Ou seja, dinheiro em volume é despejado nas mídias para garantir que todos ouçam, com frequência e repetição, suas promessas e o porquê nós consumidores deveríamos escolhê-los ante seus concorrentes. Todas caracterizando estratégias de marca planejadas e com alto poder de impacto.

Grandes promessas geram grandes expectativas. E o que acontece quando testamos os serviços prestados por esses segmentos, essenciais tratando-se de comunicação, dinheiro e transporte? As promessas de marca desmoronam na primeira ligação para o call center das empresas. Não existe nenhum vínculo entre o discurso e a prática. Lembrando que o call center é somente acionado pelo cliente, quando geralmente já houve algum tipo de problema ou frustração com a marca. O contato com o “outro lado” é o cemitério de qualquer estratégia de marca. E por que isso ocorre? As estratégias de marca estão completamente desalinhadas com as estratégias de negócio. São setas que apontam caminhos diversos, um promete o paraíso, o outro te leva ao inferno. E quando isso acontece, as palavras ficam vazias de sentido e os milhões de reais em planejamento e anúncios são desperdiçados. No mesmo dia em que uma companhia aérea nacional lançava a possibilidade de compra pelo YouTube, em um ousado movimento multicanal, seus vôos tiveram diversos cancelamentos por todos país devido a problemas operacionais, abandonando seus clientes nos pouco simpáticos saguões dos aeroportos.

A posição de cliente em situações de contato direto com as empresas é quase que kafkiana, perdido nos labirintos e no gigantismo das estruturas dessas mega-corporações, pouco consegue fazer para resolver os problemas. Lembra a colocação de Zygmunt Bauman em seu clássico Modernidade Líquida, aonde o indivíduo antes estava acostumado a uma situação na qual sabia quem era o capitão e nele podia confiar (nem sempre sabiamente) e agora descobre que a cabine do comandante está vazia e que não há maneiras de extrair informações do piloto automático sobre para onde o avião vai. Não há mais responsáveis facilmente localizáveis, as soluções passam por diversas pessoas e setores que invariavelmente nada podem fazer. Sem sair da metáfora proposta, a situação encontra paralelo nos aeroportos brasileiros e nos checks in das companhias aéreas.

Toda vez que empresas optam, deliberadamente ou não, por confrontar estratégias de marca e negócio, os frutos colhidos não são saborosos. Recentemente a marca Toyota amargou essa situação. Possuindo como um dos seus pilares centrais, a de ser uma marca confiável (um dos selos de garantia de qualidade colados na grande parte das empresas com made in Japan), a empresa foi em busca de sua outra grande obsessão: ser a montadora número 1 no mundo. E para avançar nessa estratégia de negócio, teve que afrouxar alguns controles e ampliar a produção acima dos limites nos quais poderia garantir os níveis de confiabilidade tradicionais. Justamente o eixo central da marca foi enfraquecido para que a meta fosse alcançada. As setas estratégicas se chocaram. O resto da história a imprensa ampliou com devido destaque, sobretudo pelo recall recorde de veículos no mercado norte-americano.

Os erros das empresas são cometidos a medida que se esquece o que a marca é e promete ser para seus clientes e como de fato ela age diante deles. Então antes da promessa de marca é preciso identificar o que podemos entregar, o que está presente na genética do negócio, a fim de que haja sentido no discurso. Recentemente o Procon divulgou o seu ranking das marcas mais demandadas, ou seja, aquelas em que o cliente sofreu séria frustração e teve que recorrer ao órgão de proteção do consumidor. No topo da lista muitas marcas que figuram na lista dos 30 maiores anunciantes do país em 2009 (fonte M&M) e, alguns, também em outro ranking famoso, aquele das 25 marcas brasileiras mais valiosas (fonte Interbrand). Resta saber se os cálculos financeiros de valoração de marcas vão conseguir algum dia captar a erosão causadas àquelas que constantemente confrontam estratégias de negócio e marca de forma esquizofrênica, pois no sentimento de seus clientes o valor (perdido) é diariamente contabilizado.

Felipe Schmitt Fleischer

Pensador Mercadológico

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