Recentemente fui convidada pelo Gustavo Campos, publisher desse site, a escrever um post. O convite não me deixou brechas para a recusa. Informal na medida, carinhoso, enaltecedor… Por um momento eu, uma comunicadora/mulher, fiquei sem palavras. Dá pra imaginar? E dizer não, por qualquer motivo que fosse, me parecia, no mínimo, uma tremenda idiotice.
Esse convite é um exemplo de comunicação eficiente. Além da mensagem clara, o texto te atrai, te seduz, e inevitavelmente, tu acabas comprando a ideia. E em tempo de informação que transborda por smartphones e tablets, o importante mesmo é captar a atenção. E aí, meu amigo, é que as coisas se complicam… Fácil era quando um texto bem elaborado bastava! Quando as pessoas corriam atrás de conteúdo. Agora, o conteúdo é que corre atrás das pessoas!
E como fazer com que esse conteúdo alcance o público desejado? Bom, aí temos que analisar caso a caso. Mas independente disso, algumas dicas servem como estimuladores. A primeira gira em torno da personalização. A boa notícia é que hoje existem ferramentas que tornam essa personalização possível. Ser chamado pelo nome, ver anúncios com produtos que estamos procurando (remarketing), possibilidade de seleção de conteúdos de maior interesse… Tudo entra nessa categoria. E funciona!
Além disso, algumas dicas parecem tão óbvias, que por vezes as empresas esquecem de utilizá-las. Colocar-se no lugar do outro. Simplificar a mensagem: escrever, e depois reescrever com metade das palavras. Começar com o que é importante. Tudo ajuda! Mas talvez o que mais funcione quando se trata de atrair a atenção, seja o uso de imagens! Use e abuse de imagens de engajamento! A imagem atrai, comove, seduz e, mais importante, comunica de forma muito rápida e eficiente.
Propaganda de cerveja. Praticamente só imagens.
Não é a toa que o Facebook boicota posts sem imagens. Ou que o Instagram faz o sucesso que faz. E que hoje se postam mais imagens do que os famosos 140 caracteres no Twitter. Não é a toa que o Youtube é hoje o segundo maior motor de busca do mundo. Ou que os vlogs tem feito mais sucesso que os blogs! Pode ser preguiça. Pode ser reflexo de uma geração acostumada a receber a informação no colo. Mas o fato é que hoje se lê pouco ou de forma superficial, e a imagem é a única ferramenta que temos à disposição com a garantia de que a mensagem será transmitida.
A comunicação mudou. Todo mundo sabe. Mas tenho visto mais gestores criticando os novos meios do que se adaptando a eles. Pena! Essa mudança não tem volta, e se o cara já tá sofrendo agora, pode apostar, o futuro profissional dele não vai muito longe…
Roberta Ramos – Curiosa, estudiosa e mochileira. Não necessariamente nessa ordem. Formada em Comunicação Social, especialista em gestão empresarial e inteligência (MBA e Pós MBA, FGV/Decision), coordena a unidade de promoção de imagem de marcas brasileiras de calçados no Brasil e no exterior na Abicalçados – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, onde trabalha desde 2007. No momento passa por um período de desentendimento com seu trabalho de conclusão do Pós MBA em Liderança, que atualmente estuda, na Unisinos.
A convite do Pensador Mercadológico, Roberta Ramos escreveu este texto para comemorar 4 anos do nosso blog. Como ele, outros irão escrever seus pensamentos ao longo de janeiro e fevereiro. Espero que gostem!
Dar ao consumidor mais do que 30 segundos de risada.
Parece óbvio demais para ser resumido em uma sentença, mas esta é uma das formas mais sintéticas de dizer o que é, afinal, esta tal de nova comunicação.
Vamos partir de uma premissa? Uma campanha não torna a vida das pessoas melhores. Um filme engraçadinho não gera mais do que postagens em Facebook e comentários no Twitter. Geralmente de quem não tem nada a ver com o produto.
Ah, é claro: pode gerar muitos prêmios em festivais. Mas a dona Ieda só quer colocar os ingredientes certos em seu suflê de beterraba.
Esta era a resposta de Bill Clinton quando lhe perguntavam qual era sua plataforma de governo na campanha em que bateu George Bush (o pai) que ganhou a Guerra do Golfo, mas deixou os Estados Unidos abalado financeiramente.
Pois bem, esta frase está mais atual do que nunca para explicar boa parte das convulsões sociais que estão proliferando pelo mundo.
Diferentemente do que certos jornalistas mal informados, ingênuos ou mal intencionados querem nos fazer acreditar, estas mobilizações não estão acontecendo graças ao Facebook e ao Twitter.
Os movimentos populares globais como a Primavera Árabe e o Occupy Wall Street. são reações ao agravamento da situação econômica dos povos já tradicionalmente oprimidos do mundo Árabe e do desemprego e endividamento do cidadão comum na Europa e nos Estados Unidos, ambos reflexos da crise econômica mundial que se iniciou em 2008.
A “salvação” que veio do ocidente
No caso do Oriente Médio, estimula-se o estereótipo de que os povos destes países estão sendo libertados pela tecnologia ocidental, esvaziando a importância da sua própria revolta e deliberadamente esquecendo que foi o apoio ocidental às ditaduras locais que gerou esta situação de degradação econômica e cerceamento de liberdades.
Já em Wall Street, o que se vê é o americano médio, desempregado, sem o apoio do Estado que não vê outra saída a não ser protestar – o que também acontece na Europa com sua juventude sem perspectivas – e nestas condições eles protestariam com ou sem redes sociais. Querem um exemplo?
França, Maio de 1968 – uma série de greves estudantis às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, aproximadamente dois terços da força de trabalho do país – 40 anos a.F. (antes do Facebook)
Justin Bieber e a corrupção
No Brasil, onde a maioria da população está usufruindo as benesses da estabilidade econômica, se concentra mais gente na frente do hotel onde está hospedado o Justin Bieber do que em uma manifestação convocada pelas redes sociais, como pode ser visto nas matérias abaixo:
O Estado de São Paulo – 07/09/2011
“Centenas de pessoas protestaram contra a corrupção e a impunidade …. O primeiro ato reuniu pelo menos 300 jovens de classe média, mobilizados pelas redes sociais da internet. “
Portal Terra – 04/10/2011
“A presença de Justin Bieber no Brasil já causa alvoroço entre as adolescentes. O cantor, …está hospedado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro e uma multidão de fãs se aglomerou em frente ao hotel para tentar ver o ídolo teen.”
E se compararmos as mobilizações das redes sociais (contra a corrupção, em defesa das bicicletas, contra a censura, contra a impunidade, etc) com um show da Ivete Sangalo, conquista do título do seu time ou qualquer procissão religiosa, então chega a ser covardia.
Ou seja, não é uma causa nobre que vai tirar o usuário das redes sociais da frente do computador. Enquanto as crianças puderem passar as férias na Disney, os jovens puderem comprar o último lançamento da Apple e os adultos puderem trocar de carro no fim do ano, a indignação mobiliza somente o dedo indicador para clicar no “like”.
Os 300 de Porto Alegre
Muito antes da façanha de utilizarmos o alcance ilimitado das redes sociais para reunir 300 pessoas em Porto Alegre (cidade de mais de um milhão de habitantes), já fomos capazes de mobilizar muito mais gente só no boca-a-boca:
Diretas já – São Paulo 1984 24 anos a.F. (antes do Facebook)
Em janeiro de 1984, cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, cerca de 1,7 milhão de pessoas se mobilizaram em São Paulo.
Não por coincidência, o Brasil estava em plena “década perdida”, com um crescimento econômico pífio, inflação nas alturas e altos índices de desemprego. E a possibilidade de votar para presidente, se acreditava na época, seria nossa redenção econômica.
O órgão mais revolucionário do homem é o bolso
A conclusão que se chega é que as revoluções acontecem quando somos obrigados a sair da zona de conforto. Aparentemente o capitalismo selvagem foi ganancioso demais, instabilizando as ditaduras que ele apoiava no Oriente Médio e comprometendo o suprimento do anestésico econômico que deixava acomodada a classe média dos países do primeiro mundo.
Por isso, creditar estas mobilizações unicamente ao poder de mobilização das redes sociais é negar as revoluções que aconteceram no passado, desmerecer os protagonistas dos movimentos atuais e desviar o foco das suas verdadeiras motivações.
“You say you want a revolution. Well, you know…”
Leandro Morais Corrêa
Jornalista/Pós-Graduado em Marketing
leandromoraiscorrea.wordpress.com
Diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
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A repercussão sobre as piadas de “mau gosto” de Rafinha Bastos, apresentador dos programas “CQC” e “A Liga”, ambos da Band, é um fato oportuno para reflexão crítica sobre o poder das marcas e a liberdade de imprensa neste país controverso de valores, o que é muito natural em uma sociedade democrática. Mas, você acredita mesmo em liberdade de imprensa? E o quê o poder de uma marca tem a ver com ela?
A liberdade de imprensa é um dos princípios básicos do liberalismo para o estado democrático de direito. Ela assegura a liberdade de expressão dos cidadãos. O Sociólogo Edward Alsworth Ross (1866 – 1951), autor da obra Social Control, quando já questionava a liberdade de imprensa, apontava o perigo da submissão dos jornais aos interesses econômicos.
O engraçado é que a liberdade de imprensa apesar de ser uma bandeira de todos os jornalistas no Brasil, a maioria deles é contra o liberalismo. Vá entender (essa expressão ordena a busca de conhecimento). Esta preferência política da maioria dos jornalistas brasileiros não é o tema deste post, no entanto ela sugere a questão: não seria pelo fato do liberalismo permitir também a não jornalistas, como blogueiros instantâneos por exemplo, publicarem fatos e notícias sem o filtro de um editor ou jornal? Filtro de editor e de jornal é assegurar a liberdade de imprensa? A popular frase dita na revolução francesa de que sua liberdade acaba quando começa a do outro, neste caso sofre inversão de valores, ou só é conveniente nos olhos dos outros, assim como pimenta.
Rafinha Bastos ganhou notoriedade pela autenticidade do seu humor escrachado na bancada do CQC e até admiração pela iniciativa das reportagens de A Liga. No “CQC” seu diferencial talvez fosse mesmo as frases que julgássemos quem sabe nunca serem ditas na televisão brasileira com total liberdade, como se estivesse na mesa de um bar tripudiando de assuntos, “notícias” e personalidades que não devessem ser levados tão a sério pela imprensa. Em A Liga, acredito ter sido a temática jornalística ousada e corajosa das reportagens. O fato é que o cara caiu no gosto da audiência.
Seguido por mais de duas milhões de pessoas no Twitter, Rafinha foi considerado a personalidade mais influente do mundo no microblog. O jornalista Larry Rother do jornal norte-americano The New York Times, publicou um texto na seção “Arts and Leisure” (Artes e Lazer), dizendo que o apresentador do CQC brasileiro era irreverente, destemido e durão. Um reconhecimento para poucos, causando inveja aos seus colegas da bancada.
O irreverente apresentador havia então criado sua marca, e o número de fãs atestavam o poder dela sob os valores das características do seu produto. A principal delas: a liberdade de expressão, mesmo que muitas vezes sem algum compromisso moral, até porque a moral é amplamente questionável em nosso país. A audiência destes programas da Band, quem sabe, justifique esta questão moral e o interesse dos brasileiros por ela.
Neste contexto Rafinha brincou com a Wanessa Camargo, hoje grávida e esposa do sócio de Ronaldo Fenômeno, um dos patrocinadores do programa na Band. Wanessa e o seu esposo processaram Rafinha e a Band o afastou de toda a programação em que participava na emissora, inclusive suspendendo a exibição de matérias já gravadas com ele.
Sabe-se pelos bastidores, que Ronaldo exigiu uma postura da Band frente ao apresentador. Seu companheiro de bancada, amigo e parceiro do Ronaldo em comerciais da Claro, Marco Luque, condenou Rafinha publicamente em seu twitter. Agora, era o poder da marca Ronaldo fenômeno que entrava em cena. Ao meu ver, a maior causadora de tamanha repercussão sobre algo tão irrelevante. Junto com ele a opressão a liberdade de imprensa, quando trata-se de uma emissora que tem seus valores atuais galgados no jornalismo. Tá, aí você vai dizer que o Rafinha não fazia jornalismo. E o que é jornalismo então se não a liberdade de imprensa que assegure a liberdade de expressão? Que liberdade é esta apoiada em filtros de âncoras, editores e diretores vinculados a patrocinadores, empresas e marcas?
O fato então transformou-se no assunto da semana e a sua repercussão não só na internet como nos veículos de comunicação me chamou muito a atenção. E o que mais me surpreendeu foi a postura da Band. Se ainda fosse a Rede Globo, reconhecida por oprimir seus funcionários e coibir a liberdade de manifestação em seus próprios corredores, mas não, era a Band, a frente da excelente BandNews, do merecido e premiado Boechat e destes inovadores programas de humor. Mais chocado ainda fiquei com artigos de jornalistas publicados na Época e no Estado de São Paulo questionando os limites do humor. Claro que no país da piada pronta isso é possível. Me lembra um texto que li sobre os limites da imprensa. Humor e imprensa convivem juntos no Brasil desde a época do Pasquim. O Rafinha nem deu bola para isso. Postou foto no seu twitter procurando emprego e brincando com a situação.
No Twitter Rafinha posta foto procurando emprego nos classificados. Um sarro.
O caso do Rafinha é tão relevante quanto o do jogador João Vitor, do Palmeiras, agredido por torcedores da mancha verde, torcida organizada do clube. O presidente do Palmeiras assim como a diretoria da Band lavaram as mãos. A diferença é que no caso do Palmeiras trata-se de um jogador de futebol com baixa audiência frente ao seu público da “emissora” e no da Band de um jornalista comediante declarado e escrachado, abusando dos dribles para alegrar a sua imensa torcida.
Na minha avaliação este episódio nos deixa claro que a liberdade de imprensa não existe e que a imprensa brasileira não está preocupada com ela. A enxurrada de falso moralismo da imprensa sobre este fato nos faz questionar sobre sua isenção e correção. Até que ponto ela é isenta? Quando convém ser isenta? Ou quando convém repercutir um fato? A quem interessa? É de interesse público? Quando Irão repercutir o humor sem graça do Renato Aragão, que faz piada sobre gordos, feios, pretos, anões, mulheres gostosas e ensinam as crianças a sacanearem umas com as outras para dar risada. É muita hipocrisia.
Esta semana recebi um e-mail da Coletiva.Net para responder uma pesquisa sobre a imprensa. As perguntas objetivas e um tanto quanto diretivas a um tipo de resultado com fins comerciais, buscam a classificação de quem o interrogado julga mais isento, confiante, ágil, correto e comprometido com a verdade. O resultado desta pesquisa não vai trazer a verdade. Vai simplesmente ranquear os veículos conforme o poder de suas marcas.
A imprensa é um bem público gerido pela iniciativa privada. Seu bem maior é a informação isenta e o conteúdo. Quando um produto achocolatado de uma grande marca queima a boca de crianças e causa risco a saúde pública, ela presta o serviço de informar a sociedade e investigar os fatos do problema, mas quando ela repercute com quase a mesma intensidade ou às vezes maior, a ofensa de uma piada de um humorista a uma celebridade, ou a um patrocinador ela está nos prestando um desserviço.
BRASIL! O PAÍS QUE LEVA POLÍTICOS NA BRINCADEIRA E COMEDIANTES A SÉRIO.
Ary Filgueiras
Jornalista/MBA em Marketing
@aryfilgueiras
aryfilgueiras.wordpress.com
Diretor da Business Press – Inteligência em Comunicação e Marketing http://www.businesspress.com.br
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Gostou do que leu? Espalhe as boas ideias, conhecimento se compartilha!
Frequento seguidamente os dois lados de uma sala de aula. Em ambos percebo que uma parte significativa dos alunos está em algum lugar qualquer. Menos ali. Como colega de classe pouco me atrapalha. Como professor a situação é um pouco mais desagradável. No entanto, não interfiro, as escolhas são individuais. Cada um gasta o seu dinheiro (ou o do pai e da empresa) como achar melhor. O tempo passa rápido demais. Os momentos únicos do ambiente universitário não vão durar para sempre. E quando a conta chegar será tarde talvez.
Poucos podem perceber isso agora. Inclusive tenho a convicção que fazem essa escolha baseados em que é a coisa certa a fazer. A aula em si não se encaixa na sua realidade, pois ela ainda não existe. O mundo de faz de conta de ‘estudar, viajar e sair’ não precisa de novos conceitos ou ideias provocativas. Basta um clique no curtir do Facebook e um tweet inexpressivo. Nos rápidos minutos que escrevi esse texto, em diversas salas das universidades, mais alguns aproveitaram a internet mais cara do mundo. E acharam isto uma escolha inteligente.
Foi-se o tempo em que o feedback dos consumidores era feito através de fichas depositadas em uma urna disponível na recepção da empresa ou loja, aquela com a plaquinha onde estava escrito “SUGESTÕES”. Lembra?
O “fale conosco” e o SAC ainda são meios de comunicação utilizados pelos clientes para expressarem seus anseios positivos ou negativos em relação à marca. Mas nada melhor do que verificar a insatisfação ou admiração de um cliente, onde ele se sente “à vontade” para recomendar uma marca ou expressar a sua insatisfação: nas redes sociais.
É o famoso “XINGAR MUITO NO TWITTER”
E justamente dele que temos um vídeo hoje. O palestrante é um dos fundadores do micro blog e ele explica como os usuários ajudam a criar a ferramenta e desenvolver novos recursos.
Este tipo de lição deveria ser aprendido em toda empresa. Muitos já estão fazendo algo parecido, como a Fiat, por exemplo, com a criação em conjunta com os consumidores do Fiat Mio. E a Gafisa, que recentemente lançou um projeto para construir um prédio colaborativo, mas muito mais do que isso, as pessoas precisam aprender a ouvir para evoluir.
Saber o que agrada ou não os clientes pode ser essencial. Vi um vídeo em que Melinda Gates fala que um dos aspectos que faz a Coca-Cola ser essa Coca-Cola toda é o feedback instantâneo. Eles ouvem o cliente, aplicam isso à marca e colocam no mercado. Ouvem o cliente sobre a mudança, aplicam as melhorias à marca e colocam no mercado. E esse ciclo segue sempre, se renovando e evoluindo a cada feedback e a cada teste.
Podemos pegar uma única rede social para exemplificar a facilidade nos proporcionam atualmente: por exemplo, o Twitter.
Hoje no twitter, é possível encontrar “@Qualquer coisa da DEPRE”, onde os consumidores podem fazer qualquer reclamação da empresa ou lugar, o quer que seja, em tom de piada. São perfis que costumam ser muito populares. Vamos tentar imaginar o perfil de um restaurante, por exemplo.
Foi criado um perfil @RestauranteDepre, as pessoas começam a seguir e enviar sugestões como:
“Você espera ansioso durante toda semana para ir ao Restaurante, a comida está fria.”
“Faz meia hora que você está comendo, nenhum garçom parou na sua mesa para oferecer bebidas.”
Podemos pensar inclusive que esse tipo de perfil é criado pelo próprio dono do Restaurante para monitorar as reclamações. Mesmos se a iniciativa não for do empreendedor, ele pode seguir este perfil e assim descobrir como o estabelecimento está tendo problemas com a comida, que os funcionários não estão sendo eficientes, ou não há um número de garçons suficiente para atender a todos. É possível fazer uma análise do serviço a partir dessas “falas dos consumidores” e corrigir os erros, para que ao menos este tipo de reclamação não ocorra mais.
Basta fazer uma busca no twitter e descobrir que o “mundo DEPRE” existe e perceber o lado positivo disso tudo e crescer com a contribuição e as ideias dos consumidores.
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Vera Muller (pensadora mercadológica)
com Juliana Cappelatti (inteligência coletiva da Marketing Viewer)
Mais uma vez, trazemos a vocês um vídeo do TED.com. Desta vez, um pouquinho diferente, da Gel Conference, que aconteceu em Nova York no início deste ano.
Ao iniciar sua fala sobre uma nova plataforma de compartilhamento social, o Twirlr, o palestrante pede que os celulares e todos outros dispositivos sejam desligados, para que nenhuma informação seja compartilhada até o fim da apresentação, mas é subtamente interrompido por um homem da platéia que se recusa a fazê-lo.
Claro que tudo isso era uma brincadeira. O “Twirlr” não existe e a ação foi programada pela “Improv Everywhere”, que costuma fazer alguns flash mobs por aí. A música fala sobre a necessidade que as pessoas estão começando a ter de estarem conectadas o tempo todo, através de todas as redes sociais, compartilhando conteúdo o tempo todo. Sobra até alguns segundos para fazer piada com o “já falecido” MySpace (Que o seu perfil descanse em paz!).
Mas a partir desta visão trazida pela música, podemos enxergar a importância que isso tem para nós. Ao mesmo tempo em que podemos produzir um conteúdo “inútil”, como dizer o que está comendo no café da manhã, estar conectado e compartilhar informações se tornou essencial. Se você é um usuário ativo do Twitter, aposto que já se pegou pensando “preciso colocar isso no twitter” ao se deparar com alguma situação no seu dia-a-dia, ou mesmo elaborando alguma sentença de 140 caracteres para twittar quando chegasse em casa.
O fato é que essa conexão nos permite disponibilizar o nosso conteúdo para o mundo em tempo real. SIM! PARA O MUNDO. Hoje em dia, pessoas comuns como eu e você podemos estar, de certa forma, “competindo” com a CNN Internacional, por exemplo. A mídia tradicional nem sempre tem a mesma velocidade para compartilhar a informação como nós, “meros mortais”.
Pensando rapidamente, podemos lembrar (se você for tão conectado quanto eu) 3 exemplos do que eu acabei de falar:
1) Temos o paquistanês Sohaib Athar, conhecido no Twitter por @ReallyVirtual, que narrou, em tempo real, a operação americana que matou Osama Bin Laden, mesmo sem saber, como mostra o blog do Estadão:
“Na madrugada da segunda-feira, 2, Sohaib Athar escreveu em seu Twitter que uma forte explosão havia sacudido as janelas de sua casa, na cidade paquistanesa de Abbottabad, e afirmou que esperava que o estrondo não fosse “o começo de algo degradável”. Pouca horas mais tarde, ele publicou outro tweet: “Uh oh, agora sou o cara que transmitiu ao vivo o ataque contra Osama, sem saber disso.”
2) A primeira foto do acidente com o avião que pousou no Rio Hudson, em 2009, postada por um cidadão que trabalhava em um dos prédios ali perto, antes que qualquer veículo das mídias “oficiais” pudesse chegar ao local.
3) E o lançamento do ônibus espacial Endeavour, em abril deste ano, em que a vista dos passageiros de um avião que ia de Nova Jersey para a Flórida, capturada por Stefanie Gordon, se espalhou pelo mundo inteiro através do Twitter.
Isso tudo sem nem comentar sobre todas as notícias que chegam a nós primeiramente pelos trending topics do twitter!
Mas voltando um pouco ao vídeo, todas essas opções de compartilhamento são comentadas e, uma delas, simulada ao final do vídeo, em que as pessoas recebem o conteúdo e podem se mobilizar a partir disso como, no exemplo mostrado, ir até a Gel Conference para se unir aos “cantores” que se recusam a ficarem desconectados!
Vera Muller (pensadora mercadológica)
com Juliana Cappelatti (inteligência coletiva da Marketing Viewer)