Você é medíocre

A mediocridade é uma condição humana e não importa o quanto ela nos incomode nos outros, um dia, uma hora ou em um determinado momento, teremos que lidar com a nossa.

Você em algum momento de sua vida já se perguntou o quanto é medíocre? Se sua resposta foi sim, parabéns, você é um daquelas pessoas que pratica o autoconhecimento, reconhece e descobre que pode ser muito melhor, que sua existência pode deixar um legado maior, mesmo tendo sido muito ousado e produtivo em sua vida até o momento.

Nos meus estudos sobre jornalismo, a maior matéria sobre o tema e o que os maiores estudiosos defendem sobre esta profissão, é o seu papel na produção do conhecimento social.

Um bom jornalista quando produz uma matéria sobre um determinado fato ele investiga todos os pontos de vistas, ouve diversas fontes, colhe depoimentos de duas ou mais partes conflitantes sobre o objeto e publica a reportagem para que todos os leitores do veículo conheçam ou fiquem bem informados sobre o acontecimento abordado. Assim a sociedade, o ser humano, se vê todos os dias nos jornais e se conhece. Você pode não concordar, mas aquelas notícias ruins e também as boas, que são publicadas nos jornais são um pouco de nós mesmos, humanos, falíveis, insuportáveis, deprimentes, medíocres, mas também surpreendentes, inacreditáveis e admiráveis.

Neste contexto, qual seria o papel de um jornalista então dentro de uma organização? Vamos ser específicos ao tema que me disponho a escrever aqui no Pensador Mercadológico: o que o jornalista de uma assessoria de imprensa deve produzir para os clientes que atende?

Eu acredito que seja conhecimento, principalmente sobre a organização, mas não é isso que a maior parte das empresas entende e faz. A maioria usa este serviço exclusivamente para informar ao mercado, através do relacionamento com a imprensa, suas novidades em produtos e serviços.

São poucos os que produzem conhecimento sobre a empresa de forma jornalística. Em linguagem simples seria assim: uma empresa entende, dentro de suas pesquisas que seu produto ou serviço é pioneiro no mercado e que vai causar uma grande revolução no setor. O jornalista entraria em cena para investigar isso, saber a verdade sobre esta afirmação, consultar técnicos do mercado, ouvir fontes diferentes, se tem consistência, se não já existe algo parecido e se de fato vai causar alguma revolução.

O resultado deste trabalho é o autoconhecimento sobre as pretensões da empresa, muito importante também para a definição de sua estratégia sem devaneios, assim como a decisão se de fato é relevante para o mercado e a sociedade a ponto de divulgar para os jornais publicarem algo como notícia ou recomendação.

Falo isto com base em experiências próprias de mercado, trabalhando e convivendo com centenas de empresas e marcas em mais de 15 anos na profissão. Este pequeno relato acima deveria ser o papel do jornalista nas organizações, uma extensão do que é para a sociedade: um investigador dos fatos para o autoconhecimento das pessoas e das empresas, fazendo com que em um determinado momento de sua história ela consiga enxergar também o quanto é medíocre e que pode fazer melhor, evoluir. No entanto não é assim que acontece, mas vale a reflexão.  O certo é que, da mesma forma como aqueles poucos que responderam sim a pergunta inicial deste post, poucas são também as empresas que identificam uma causa real para sua existência.

No último dia 17 de junho assisti a uma palestra diferente, que me inspirou escrever este post de hoje. Nela, o palestrante, Rafael Zobaran, um amigo que conheço há 16 anos, contava sua impressionante história de vida ao enfrentar um câncer aos 27 anos de idade, superá-lo e tornar-se um ultramaratonista.

No meio de sua retórica narrada em detalhes na palestra carregada de emoção e desabafo, Zobaran é muito duro quando fala sobre as escolhas que fez na vida (segundo ele começaram aos 10 anos) e decreta falando para si mesmo no auge do autoconhecimento: Você é medíocre.

A platéia ficou perplexa sobre o quanto ele sentia-se assim analisando sua adolescência e juventude regada a farras e exageros da idade. Percebi em reflexão sobre aquele momento da palestra o quanto era profunda e verdadeira aquela afirmação, mesmo que chocante e provocadora, mas dita por alguém com autoridade para falar sobre o assunto.

Naquele momento pensei também na minha vida e apesar do palestrante não revelar a platéia que teria sido também um diretor de uma grande empresa, liderado equipes de vendas e possuir sempre uma capacidade enorme de trabalhar e construir resultados, ainda assim conseguiu enxergar sua mediocridade, tendo o câncer como o grande propulsor deste questionamento.

O fato é que Rafael Zobaran encontrou uma causa para sua existência na vontade de viver. Passou a correr de forma amadora somente para se reabilitar da saúde debilitada pela quimioterapia e o tratamento do câncer. Com o tempo foi alcançando metas cada vez maiores, afinal ele havia mudado sua atitude diante da vida. Hoje ele é ultramaratonista, corre provas de 50km, 85km, 100km e mais.

Naquele dia depois da palestra, realizada para um público jovem do tradicio0nal Colégio Catarinense, em Florianópolis, Zobaran me convidou para acompanhá-lo como apoio em uma prova de 52km no oitavo Deasfrio de Urubici, a cidade mais fria do Brasil, na serra catarinense. No dia da prova acompanhando seu esforço e todo trajeto realizado em cinco horas e trinta e sete minutos de corrida, fiz também o exercício que recomendei aqui a todos.

“- É nossa obrigação como ser humano nos tornarmos em algo melhor.” O ser humano é medíocre, mas pode tornar-se grandioso quando faz as escolhas e toma as atitudes certas diante da vida. Não importa o que você é, mas o que você vai fazer com isso.

Esta experiência mexeu comigo e com minhas convicções e tenho o prazer de compartilhar com vocês todos. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a história de Rafael Zobaran, acesse o site www.ultrazobaran.com

Abaixo o vídeo da prova de Urubici.

Ary Filgueiras

Jornalista/MBA em Marketing

sócio-diretor da Business Press Inteligência em Comunicação e Marketing

@aryfilgueiras

Pensador Mercadológico

www.pensadormercadologico.com

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