Este post não é um contraponto ao texto do pensador Leandro, publicado hoje no nosso blog, mas pode ser o outro lado da mesma moeda. Um complemento. O lado da prosperidade, que para muitos ainda não chegou a ser grandes riquezas, mas aquela sensação de estar constantemente melhorando. Mas aqui me basearei nos que alcançaram o sucesso financeiro de seus negócios. Recentemente, a revista VEJA dedicou duas capas ao tema da prosperidade e empreendedorismo. Dia 30 de novembro de 2011, a capa era “Pequenas empresas – As lições das vencedoras” e no dia 18 de Janeiro de 2012, a capa era Eike Xiaoping – Enriquecer é glorioso”. Diversas outras revistas de atualidades estão explorando o tema. Livros na última década já apresentam dados de pesquisas e de observação (“O Milionário mora ao lado”, por exemplo). Enriquecer está na moda. Parece que muitos no Brasil agora aceitam que existam pessoas que venceram e que podem consumir e ostentar muito, mas muito mais do que necessitam. Não vou entrar no mérito antropológico da questão, mas o Brasil está saindo da escuridão de centenas de anos de uma visão colonial e dando valor a quem empreende, faz fortuna, distribui emprego e renda e tem sucesso. E isso é bom. O ícone de muitos desta “Geração S”, de Sucesso e de Self Made Man, não poderia ser outro: Eike Batista e seus 30 bilhões de dólares de fortuna, sendo o oitavo homem mais rico do mundo e de acordo com ele, ser o homem mais rico do mundo não é mais uma meta. Com as empresas que já tem, em pleno vapor, já conseguirá alcançar isso. Para mim, um ato de orgulho, pois é brasileiro, pelo que tudo indica um bom cidadão e empresário e até o momento nenhuma falcatrua envolvida (pelo menos comprovada, pois quem alcança sucesso fica na vitrine). Começou pequeno e cresceu (Aconselho o seu livro, “O X da questão”). Apesar de o número de milionários no Brasil estar crescendo, ainda são poucos. Apenas 145 000 pessoas (2 x o estádio do Morumbi). Mas de acordo com o banco europeu Haliwell Bank, que fez o estudo, para ser considerado milionário a pessoa tem que ter: 1 milhão de dólares (1.8 milhão de reais, sempre pelo câmbio corrente) em bens e ativos com liquidez. Excluem-se da conta o imóvel que a pessoa mora, dois de seus carros e os seus rendimentos fixos mensais. Mesmo assim, a cada dia, 19 novos milionários no Brasil.
Mas o que notei lendo estas matérias:
– Quase todos tiveram sucesso nos últimos 5 anos
– Geralmente empreenderam segmentos que tiveram um boom de demanda, aproveitando os movimentos sociais de ascensão que tivemos no país
– Muitos fracassaram ou viveram muito tempo apertados, muito próximos de fecharem as portas
– Eram de certa forma especializados no segmento de atuação, muitos já tendo experiências anteriores em projetos não tão bem sucedidos
– Assumiram riscos calculados, mas grandes
– Depois de ganhar o primeiro milhão, não se acomodaram, foram para o próximo. Em média já possuem 2,1 milhões de dólares.
Mas não é fácil. Apesar de as estatísticas de mortalidade das empresas estarem melhorando, ainda são altas. Considerando que a cada semana são abertas no Brasil 10.000 empresas (2.000 empresas por dia útil), sabemos que: 27% morreram no primeiro ano e 46% não resistiram 3 anos, conforme o Sebrae.
A reportagem de Veja apurou 10 dicas, extraída das histórias dos empreendedores entrevistados, para que a sua pequena empresa tenha sucesso. A interpretação das dicas é livre e de minha autoria. São elas:
– Não tenha medo de assumir riscos: Fácil escrever, difícil de se fazer. Só quem já empreendeu sabe o gosto amargo na boca que dá em algumas decisões que temos que tomar. Mas faz parte e é necessário.
– Não tente fazer tudo sozinho: O empreendedor autônomo será pequeno. Empreender para crescer e ter uma empresa de maior porte e sustentabilidade, tem que se compartilhar. Ter sócios, bons funcionários, líderes e parceiros. Sozinho não iremos longe.
– Inovação, sem gestão, não garante o sucesso: A regra da inovação é clara. Pesquisas que analisam desempenho de empresas em bolsa, comparando as mais inovadoras com as menos inovadoras, se nota ao longo do tempo crescimentos de dois dígitos de diferença para o grupo das mais inovadoras. Mas, não adianta inovar e não ter capacidade de comunicar e comercializar o produto / serviço. Gestão é fundamental.
– Pesquise a fundo a concorrência: Sim, já era importante e agora é mais. Mas também não fique obcecado pela concorrência. Monitore, aprenda, acompanhe e em alguns casos imite ou faça melhor. Mas encontre os seus espaços únicos.
– Fique atento às novidades de mercado: Novidades podem vir de qualquer segmento, não necessariamente do seu. Portanto, olhar segmentos mais inovadores e diferenciados podem lhe trazer insights que podem ser adaptados a realidade de sua empresa.
– Não se prenda a uma única idéia: Uma coisa é persistência, outra é burrice. Também não quer dizer espalhar todo o seu esforço em dezenas de frentes e depois você não conseguir dar conta do recado devido ao fracionamento da energia e de recursos. Mas, a prudência também foi importante para muitos empreendedores, que acionavam o plano A e o plano B ao mesmo tempo.
– Planeje para voar mais alto: O planejamento é essencial, isso todos já sabem, mas ainda vemos pouco tempo e energia dedicado a isso nos projetos que iniciam. Planejar para atuar melhor, mais focado, irá lhe trazer resultados multiplicadores, que irão acelerar em muito na fase de execução do projeto. Dedique o tempo necessário ao planejamento.
– Trace metas e seja competitivo: Nada nos negócios funciona sem metas. Podem até ser informais num primeiro momento, até mesmo estarem somente na sua cabeça quando você ainda for sozinho. Mas quando começar a dar uma estruturação a empresa, as metas formais e comunicadas e a cultura competitiva devem prevalecer.
– Descubra uma necessidade – e saiba preenchê-la: Muitos negócios até identificam uma necessidade, uma carência, mas não sabem como preenchê-la com seus produtos e serviços. Desta forma, este ponto tem duas fases: (1) Identifique uma necessidade e (2) aprenda qual a melhor maneira de satisfazê-la. Muitas vezes você descobre isso observando ou perguntando diretamente para o usuário final.
– Fazer direito vale a pena: Se realmente decidir fazer algo, que seja bem feito. No longo prazo, o efeito cumulativo de inúmeros clientes bem atendidos será enorme e a chave do seu sucesso.
Enfim, são anotações, pensamentos e interpretações minhas, sobre as duas matérias citadas acima da revista Veja. Como não são nada conclusivas, coloquei parte I para este post. Um dia escrevo a parte II e vou aprofundando, camada por camada. Se quiserem indicar alguma matéria, coloquem no espaço de comentários, logo abaixo. Obrigado.
TEXTOS COMPLEMENTARES:
Era uma vez um empreendedor que tinha muitos sonhos…
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Gustavo Campos
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Principais fontes consultadas para este artigo:
– Minhas experiências pessoais e profissionais
– Um olhar atento de consultor e analista de mercado

