Estão falando de mim. E agora?

A cada dia que passa, o consumidor fica mais exigente. Hoje, mais do que nunca, são eles que ditam o ritmo das ações e estratégias das marcas. Desta forma, as empresas precisam estar atentas aos passos dos consumidores e estar preparado para reagir a eles.

As redes sociais são os grandes megafones da vez. Com a facilidade de compartilhamento oferecida por essas mídias, os conteúdos “viralizam” rapidamente na internet, sejam eles positivos ou negativos.

É preciso saber lidar com os dois tipos. E é importante levar em conta alguns cuidados ao reagir nestas situações.

Se os comentários são ruins, de gente reclamando do serviço/produto, não se pode simplesmente ignorar e deletar as críticas dos perfis da marca, isto acaba irritando o consumidor mais ainda. Basta pesquisar algumas marcas no Facebook ou Twitter e comprovar que as críticas pioram quando não se obtém uma resposta da empresa “atacada”.

Recentemente a Ruffles virou conteúdo de humor no facebook e em blog em função do aparente exagero na quantidade de ar dos pacotes. Imagens com gráficos da composição do conteúdo dos sacos de batatas e imagens que traziam frases sarcásticas sobre os produtos viraram “mania” na rede, chegando a parar em um blog “especializado no assunto”, o Slogans Sinceros:

A marca logo bolou uma estratégia para rebater as críticas e o fez “na mesma moeda”. De nada adiantaria colocar um comercial na TV sobre isso, é outro público. Se são os internautas que estão falando de nós, é para os internautas que nós vamos responder.

Agora, na fan Page da Ruffles, é possível encontrar a explicação do “mito dos sacos de ar”, onde é ilustrado em um infográfico todo o processo de produção e a justificativa do ar dentro dos pacotes.

Já os comentários positivos e grandes viralizações também precisam de certa atenção. É preciso saber aproveitar a oportunidade de forma inteligente e eficaz, tentando assim, manter o nome rodando na rede e ampliar sua visibilidade.

Ainda que tenha se tornado um hit como uma piada, o comercial do novo empreendimento da Construtora Água Azul, da Paraíba, foi uma grande oportunidade perdida.

Sim, a empresa vendeu alguns apartamentos de luxo em tempo recorde, mas perdeu a oportunidade de ampliar a visibilidade da marca e vender ainda mais, afinal, o comercial é da Luiza, não mais da Construtora. O maior detalhe do comercial (a venda da MARCA) foi abafado pelo “meme” da garota que estava no Canadá.

A estratégia inicial deu certo, o comercial viralizou, ainda que a construtora não tenha ficado “marcada”, está aí uma grande oportunidade de um segundo comercial para fechar a ação com chave de ouro.

E o que eles fizeram?

Trouxeram a Luíza do Canadá, terminando com a “brincadeira” e ainda por cima filmaram um comercial com a adolescente que deixou muito a desejar em termos de produção e roteiro, ações resultantes de uma estratégia traçada às pressas.

 

 

Provas de que lidar com comentários na internet, sejam bons ou ruins, exige PLANEJAMENTO.

.

.

Vera Muller (pensadora mercadológica)

com Juliana Cappelatti (inteligência coletiva da Marketing Viewer)

Estão falando de mim. E agora?

O umbigo do outro nem sempre é igual ao seu

Este post era para falar sobre memes.

De como, mais do que as marcas, são as pessoas que estão criando conteúdo que repercute na internet. Ou remixando conteúdo para repercurtir na internet. Eu ia citar muitos exemplos. Falar sobre o Vitinho Sou Foda, sobre Festa Duro, Brazilian Sub Zero, só para citar alguns memes brasileiros. Mas ia enumerar outros: Rebecca Black, Forever Alone, Trollface, F*ck Yea, Bed Intruder, para citar os internacionais mais conhecidos e chegar até os Gregory Brothers. Aí então eu ia me estender um tanto. Falar como estes caras são geniais, se apropriando de vídeos que estão começando a ganhar fama (e virando meme), transformando-os em música, vendendo na iTunes Store e dividindo os ganhos com os donos dos vídeos.

Depois disto, eu ia chegar até os brasileiros que também criam memes: blogs como Não Salvo, Jacaré Banguela, Bebida Liberada, entre outros. Estabelecer um raciocínio entre humor como conteúdo a ser disseminado, tentativa da aproximação de marcas deste universo, dificuldade de parecer genuíno em um terreno tão volátil, etc e tal.

Então eu ia teorizar. Estabelecer um paralelo de como as marcas precisam criar histórias/narrativas/engajamento de forma tão popular quanto estes memes. De como precisam estar dispostas a serem transformadas, remixadas. Sem pudores, sem medo de perder o controle, sem querer impor seu aplicativo com logomarca. Para estar na boca do povo.

Mas aí eu me dei conta de que estes memes não estão na boca do povo.

Por mais que Os Avassaladores sejam a sensação no fim de tarde da sua agência.

Voltei para o mundo real a tempo de lembrar que o povo nem sabe o que significa meme. Que o fato de toda esta hiper informação circular nos ambientes virtuais onde nós, publicitários, hard users de internet estamos, não significa que chegou até o seu porteiro. Não é o fato de dizermos que o ambiente está TENSO que automaticamente adiciona todos os outros layers contidos nesta expressão, além de seu próprio significado, para quem não sabe do que estamos falando.

Porque na maioria das vezes estamos falando para nós mesmos.

Ah, então isto é um mea culpa,  Alessandro? Talvez sim.

Afinal, também devo ter sido um dos culpados por concordar, em algum momento, em deixar um modelo semi-bombado, de barba milimetricamente por fazer e cabelos espetados com gel, vestindo uma camiseta gola V sob um paletó ajustado figurar num anúncio de produto popular. Um sujeito parecido com muitos publicitários, mas que, com certeza não reflete o visual do carinha que vai sacar seu dinheiro no “Banco do Povo”. Sim, eu entendo a imagética aspiracional. Sei que uma marca está sempre provocando as aspirações de seu consumidor, apresentando na publicidade o perfil de alguém que ele não é, mas anseia ser. Mas isto é um exemplo, só uma lembrança de que devemos sim, seduzir, oferecer um espelho generoso, provocar com a novidade e com a imagem idealizada, para persuadir. Mas é preciso também saber quando não passar dos limites. Quando é adequado.

Então voltamos aos memes. Que estão na mesma internet usada por aquele seu amigo economista para acessar o e-mail, o Orkut, o MSN e ler as notícias no Terra. Sim, aquele seu amigo que até tem um iPad, mas não sabe o que há de tão engraçado no fuckyeahdementia!, com seus gifs incessantes produzindo e replicando memes ad nauseam. Sei lá, para ele o hilário é o funk do “Você Quer?” do Pânico. E não há nenhum problema nisto. Então, publicitário, porque raios tentar enfiar o Mistery Guitar Man naquela campanha pra vender seguro de vida para a classe C? Ah, vai viralizar? Aham, Claudia, senta lá.

Memes, virais, o escambau. Tudo isto é só para falar de adequação. De olharmos menos para nosso próprio umbigo na tentativa de criar campanhas que podem ser objeto de elogio por outros publicitários, pérolas hype que ninguém nunca viu, cool para caramba, mas de efetividade zero. Target? “Ah, H/M, BC, 20-35 é tudo igual!”. Se a voadeira não for bem dada, não vai acertar no alvo.

Se for para comunicar àquela gurizada nerd que um portal da informática agora tem uma página para eles protestarem, toca a chamar o PC Siqueira para protagonizar. Mas não adianta: por mais legal que pareça, #papelfofinho não vai virar um hashtag bombado no Twitter só porque os caras do marketing daquela empresa de papel higiênico que é sua cliente acham.

@alegarcia

O umbigo do outro nem sempre é igual ao seu