Lembro muito claramente que este foi o primeiro comercial comparativo a que assisti em minha vida:
Na época, embalado não somente pela natural repercussão que comerciais da Pepsi e Coca-Cola sempre causaram, lembro muito bem – e olhe que era um moleque que ainda nem havia decidido me tornar publicitário – que as opiniões finais sobre o comercial poderiam ser resumidas em um enunciado: brasileiro não gosta de comparação.
Recordo-me de ter acompanhado alguma repercussão gerada (como qualquer comercial que estreava no intervalo do Fantástico), comentários de conhecidos, jogos de argumentos dos amigos (“Pepsi é muito doce!”, e coisas do tipo) e uma ou outra reportagem decretando que o povo brasileiro em geral é avesso a propaganda ofensivas, comparativas e, principalmente, àquelas que tentam explicitamente denegrir a imagem da concorrência. Relacionava-se então tal comportamento à predisposição “amistosa” do país: um lugar onde a miscigenação acontece de forma tão festejada não seria dado a comparativos de superioridade. A terra do “bom mulato” e do “homem cordial” não simpatizaria com embates agressivos. Enfim, Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda que nos expliquem.
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